Já foi chamada de Rocha Galvão e hoje voltou o nome antigo Rua da Mangueira, transversal a av. Joana Angélica, perto da Rua da Mouraria e defronte ao Quartel da 6ª Região Militar do Exército. Local muito tranqüilo na minha época no período de 1950 a 1970 quando ali cresceram vários das personagens que vão compor este artigo.
Morei em casa, nesta rua, nasci e cresci junto com mais quatro irmãos, Alvair (Memeu) Altair (Tatá), Aldair (Dadá), Antonino (Tadeu) e Àlvaro (Bentinho) eu. Casa grande, como a maioria das casas antigas de Salvador. Casa com cinco quartos, sobrado recuado, sala de visita, sala de jantar, copa-cozinha, quintal com árvores frutíferas, para ali brincar com os irmãos.
Rua estreita, com casas nos dois lados e calçamento em pedras negras de tamanho irregular que formava em sua volta gramas para maior trabalho dos garis da prefeitura fazerem a retirada periodicamente. Nesses dias os meninos não jogavam bola na rua e ficavam apreciando os trabalhos de limpeza que era um divertimento a mais. Não era rua movimentada, pacata, pouquíssimos carros trafegavam. Anos depois, tornou-se um inferno. Na saída de Antonio Carlos Magalhães que também era um dos moradores resolveram fazer dessa rua passarela de estudantes de vários graus de ensino. Antes havia a Escola Joanna Angélica e o Ginásio Nossa Senhora do Carmo que se estendeu para Faculdade de Educação de Olga Pereira Mettig, grande nome da educação baiana. Já na década de 70 foi transformado o casarão nº 19 em Delegacia de Furtos de Veículos. O comércio avançou e tirou toda a tranqüilidade, desapareceram as antigas famílias. Restaram somente as lembranças como essas: Em cima dessas pedras irregulares, os meninos jogavam o baba com bola de meia a principio, depois com bola de borracha e mais tarde com bola de couro, empréstimo do nosso amigo e vizinho Paulo Maracajá Pereira (o filho do padre), ele era o único da minha turma que tinha está bola. Havia duas turmas de garotos, uma chamada dos grandes, e dos médios. A turma dos grandes eram composta de rapazes que tinham idades entre 16 a 18 anos, quase todos estudantes, chamados no apelido; Litinho (Budião), Pirão, Balaio, Zé Oswaldo, Celso Figuerôa e irmão, Oscarito, Bito, Bastinho, Memeu, Zé Preá, Vavá, Miro, Dilson, os irmãos Arqueláus, Macarrão, Sílvio, Celso Santiago (o gordo), Norte, Waltinho, Carlos(cachaça)Dondôla e outros que não tenho lembranças. Porém, nem todos moravam na mesma rua, alguns em ruas circunvizinhas, por exemplo: Mouraria, Cantanheda, Palma, Bângala, Independência, Tororó, Campo da Pólvora, e etc.
A turma dos médios foi: Nonô (Rockfeller), Dodô, Edinho, Ítalo, Fernando (tocava violão), Chico Amaral, Raimundo Amaral, Manoel Amaral, Doto e seu irmão, Badaró e seu irmão, Zé Carlos e seus Irmãos Jambeiro, Perereco, Raimundo Piloto, Badiega, Beni Paulo Maracajá, Pretinho, Pascoal e seus irmãos (Lula e Gordo) Aécio Pomponet e seus irmãos, Pereira, Maurício e Bené, Cristovam, Tadeu, Bentinho, Antonio José (Zé chiapeta, irmão de Ítalo e Perereco), Silvio o grande, Osvaldinho, Rutival e outros que a memória não lembrar. Esses com faixa de idade variável. As turmas se reunião quase sempre na escadaria da Escola Joanna Angélica para conversação e jogar o baba no campo dessa Escola. Ficava defronte ao Ginásio Nª.Sª do Carmo. Havia o revezamento das turmas para jogar a “pelada”. Lembro-me muito bem do jogo “os nus contra os cuecas” esse foi o nome oficial dos times, imaginem o que ocorreu. Neste local era a nossa segunda morada, nosso ponto de encontro diurno e noturno nas escadarias da escola. Local que anos depois, fechou a Escola e abriu-se como aluguel de cômodos. Acabou o nosso ponto. Mas em qualquer local da Rua da Mangueira fazíamos reuniões. Tínhamos muitas brincadeiras de mau gosto e cantigas provocantes e maliciosas, como esses versos: “Olé, olé bambú
Fio de negô é urubú
A mangueira escureceu
O pretinho apareceu
Trocando com Diouro
Rockfeller se meteu.”
O inventor do verso malicioso chamava-se em apelido “incarcado”, cujo nome verdadeiro é Mauricio Cardoso. O verso referenciava a seus companheiros e os quais ao saberem não gostavam do infame trocadilho. Veja outro versinho bem chocante:
“Negô fio de um porco
Cabeça de vaga-lume
Quando vê o pau do jegue
Pensa que é lança perfume.”
Caía em cima do único pretinho da turma, chamado em apelido de “pretinho”. Seu verdadeiro nome até hoje ignoro. Mas para a turma o nome não era necessário bastava o apelido. Só poucos eram chamados com seus nomes verdadeiros.
Tínhamos um livro de bordas de “ouro” para angariar dinheiro, por meio de assinatura de pessoas no livro e após, recebíamos dízimas que seria revestido para a compra de uniformes de futebol. Para termos êxito teríamos que bater em porta em porta e recitar um texto da fundação do “time”, era mais ou menos assim: “Já nos tempos antigos os povos civilizados, romanos e gregos, reuniam-se em concentração esportiva para fundar um clube...” e levava alguns minutos para o orador (geralmente, escolhido) encerrar a ladainha e, após a recitação era entregue ao dono da casa ou a quem nos atendeu o livro de “ouro”, para ser assinado e logo a seguir receber a moeda ou papel moeda. E assim percorríamos um quarteirão. No final, o dinheiro arrecadado era gasto na sorveteria Manon do Campo Grande ou na Cubana no Elevador Lacerda, ali havia uns deliciosos bolinhos de arroz e um famoso Milkshak de sabores diversos o mais disputado.
Na praça em frente ao Quartel da Mouraria, havia um extensivo largo com declive. Era o local da garotada para “saltar” ou “empinar” arraia (pipa) e quase sempre ao saltar a linha, com arraia no ar, cantávamos está ladainha: “Afrouxa quem tem coragem, deixa de galinhagem”. Este verso, curto e provocativo dava raiva no outro jogador de arraia, pois ele não queria ir muito longe com a sua linha e tinha medo de ser partido por outra arraia de linha temperada ou com gilete na rabada. Esse era o motivo da canção e geralmente tinha brigas. Neste mesmo local, fazíamos de tudo. Jogávamos baba, passeávamos de patinete feito de madeira e rolimã, pedalávamos de bicicleta, e o que mais gostávamos era de ver os desfiles militar em dias comemorativos. Depositavam coroas de flores e havia tiros de canhão em homenagem ao Patrono do Exército Duque de Caxias. Isso era o máximo para a garotada.
Nossos cinemas prediletos eram os Cinemas: Pax, Santo Antonio (passava dois filme e uma série), Aliança e Jandaia. Havia outros, Cine Guarani, Excelsior, Liceu e anos depois surgiram mais. Lembrando bem, a maioria pertencia ao grupo de Pithon. Quando íamos ao cinema, era acompanhado de quatro ou seis meninos. Lembro-me que certa vez fomos ao cine Pax ver um filme histórico. Enfrentamos uma longa fila, dentro do cinema não havia lugar vazio, ficamos em pé, então falamos com Rockfellker, o Nonô, para ele fazer uma brincadeira para arranjar lugar para sentar. Ele prontamente ficou sentado no chão (escada), e encostou-se no primeiro da fila e tirou os sapatos dos pés com as meias; neste momento exalou um terrível cheiro de chulé, o primeiro da fila que estava sentado, levantou-se apressadamente, ele o Nonô, sentou-se neste lugar e continuou a mover os dedos dos pés, para que o segundo ou outro qualquer da fila saísse, e assim, sucessivamente ele fez, até que os cinco companheiros sentaram ao seu lado. Com muito riso e lenço no nariz. Em todas as turmas tem aquele que se destaca dos demais e na turma dos médios tinha o Rockfeller, Nonô, Papinha, Santana, veja quantos apelidos. Na realidade ele chamava-se Eurídes Santana Magalhães Filho um exímio tocador de gaita e bom de bola. Como também, havia o Perereco de menor em tamanho mas um grande provocador de confusões, conhecido como porradeiro do distrito, tanto brigava como apanhava. A bebida levou-o cedo junto com o irmão Ítalo este boa personalidade e grande amigo. Na Tuma dos grandes tinham vários bons de bola, destacava-se o Balaio mais não era bom de votos. Isso por motivo de ter sido candidato a Vereador.
Os rapazes da turma dos grandes assim denominados, sempre contavam suas proezas aos meninos menores. Falavam do bilhar de Abel e do seu charuto inseparável das grandes jogadas de bilhar e dos “espetos” que faziam em não pagar o jogo, lá vai correria. Depois voltavam ao local e pagavam o atrasado. Comentavam sobre o Tabaris, do Café das Meninas, do Anjo Azul, da casa de prostituição nº 63 da Ladeira da Montanha e outras casas desse gênero. Os meninos menores, não podiam freqüentar esses lugares e tinham muita curiosidade e inveja.
Nem sempre as recordações da infância ou da adolescência trazem boas lembranças. As más tentamos esquecer. O tempo passa muito veloz, deixa em nós cicatriz, só para dizer que ali passou, passou nossos melhores dias da mocidade.
RUA DA MANGUEIRA – 2ª PARTE
Nesta rua teve moradores ilustres, como por exemplo: Casa nº 2 morou o ex-prefeito de Salvador Dr. Pimenta da Cunha, logo no início da rua. A casa despontava-se das demais, pois tinha belo jardim com estilo campestre e um chafariz, varanda nos lados da casa. Anos depois, transformou-se em pensionato, dirigido por uma família de italianos. Na casa nº 1, havia a sorveteria Primavera dos proprietários suíços e a casa nº 3 era da família do Nonô o Rockfeller, nome pomposo de um ricaço americano da época o que nada tinha do Eurídes. Mas havia o carisma da pessoa. Ele tinha um irmão Vavá e uma irmã chamada de Heleninha, muito comentada por ser namoradeira e bonita, tinha um andar de gazela. Na casa do lado esquerda, vindo da Joanna Angélica, moravam os Vellosos, Edison e Carlos, este último não freqüentava a rua, mas o outro, Edison, sim, e muito participava das brincadeiras com muito voyeurismo rolava com a irmã de Osvaldinho no telhado da Escola Joanna Angélica dava pra vê o quarto da bela mulher tirando a roupa.
No nº 9, prédio de três andares com mais o subsolo, moravam quatro famílias. Neste local, morou Tom na parte de baixo, com sua pinta de galã e o uso constante de cachimbo. Casado pai de dois filhos, foi estudante de Direito. Gabriel o árabe, no andar superior e o Mauricio Cardoso e seus familiares no segundo pavimento. Este o Mauricio, muito querido por todos e o seu irmão Bené também uma boa figura humana, ambos estudante de Direito seguindo a carreira do pai. A irmã Augusta veio a casar com o Pereira nosso companheiro. O pai do Mauricio veio transferido de Itabaianinha/SE com o seu charuto cubano e o chapéu de feltro. Tinha uma rica biblioteca no apartamento onde eu e Bené ficávamos a ler e conversar sobre os acontecimentos diários. Pessoa de minha elevada estima e consideração, uma mente brilhante. Já o Mauricio, um tremendo gozador, contador de anedotas e apreciador de jogos de baralho. Repentista em versos satíricos escolheu a profissão errada. Um amigo do riso e das prosas longas. Um Gregório de Matos da Rua da Mangueira. Mais abaixo, na casa nº 12 moravam os russos, judeus, Moisés, irmão e uma irmã chamada Rebeca. O Moisés tinha o apelido de Moisa, o irmão era comunista ferrenho. Ao lado, casa nº 13, morava os Jambeiros, José Carlos, Neneca, Jorge e César. Três filhos do Sr.Jambeiro e D. Helena, família distinta, inesquecível. Vou relatar um fato muito interessante: Quando o Sr. Jambeiro, chegava perto da sua casa, na esquina da rua da Mangueira,(parte da av. Joana Angélica) e via os meninos na rua, ele da esquina assoviava e os meninos(seus filhos) largavam tudo e iam correndo ao encontro do pai, abraçava e beijava um por um. Os garotos não retornavam mais e terminava a brincadeira, ficavam em casa. O amor e a obediência era o que mais tinha naquela família. A atitude do pai para com os filhos ficou registrada na minha memória.
Mais abaixo, na casa nº 15, morou a família do “padre” ele largou a batina para casar com uma das irmãs de Olga Mettig. O casal teve dois filhos sendo o mais velho o Paulo Virgilio Maracajá Pereira, o grande torcedor do Bahia, o único que tinha uma bola de couro, na época nem todos tinham esse privilégio, nós (os outros meninos) tínhamos uma bola de borracha ou de meia, dava para jogar. Ficamos maravilhados com essa novidade e pedimos ao Paulo para emprestar a bola, e ele não só emprestava como participava do baba. Depois o Paulo mudou-se e a casa passou a ser da família Amaral. O velho Amaral tinha muitos filhos, todos trabalhavam na loja do pai comerciante de secos e molhados no largo do Mercado do Ouro, Cidade Baixa. Recordo-me que bem cedo, o carro Buick (naquela época os automóveis era americanos) saia da porta da sua casa, cheio de filhos para trabalhar. Também nesta família o respeito e o trabalho começaram cedo para todos. Figura inesquecível era o Chiquinho Amaral, sempre risonho e muito brincalhão, gostava de andar armado com um pequeno revólver na cintura. Nenhum de nós sabíamos o porquê da arma. Chiquinha tinha uma brincadeira de soltar “pum” na cara dos outros meninos e depois saia correndo. Ele e mais dois irmãos, Raimundo e Manoel pertenciam a turma dos médios os outros irmãos eram já adultos. Hoje a casa é a FACCEBA- Faculdade Católica de Ciência Econômica da Bahia Defronte da casa da família Amaral, casa nº10, outro casarão, com muita área verde. Não recordo o nome da família, cresceu aí a futura namorada do nosso companheiro Ítalo ( de saudosa memória) que mais tarde veio a casar com está garota,chamada Maria. Hoje, é a Escola Estadual Mário Augusto Teixeira de Freitas.
No nº 17, existe a Igreja Presbiteriana da Bahia constituída a mais de 70 anos neste local. Cresceram muito o numero de fiéis e conseqüentemente nos dias de culto a Rua se enche de carros sendo mais um motivo de fuga das famílias.
Na casa nº 16 morou a viúva D.Giomar Silveira, parente do Advogado Arnaldo da Silveira. Brilhante jurista.
Entre a casa dos Jambeiros e da família Amaral, tinha uma pequena transversal onde residiam dois dos nossos amigos Waltinho e Cristovam pessoas que cultivei longas amizades e sinceros respeitos até hoje. Como também, neste local, morou o Sr. José do Próximo e sua filha Andreza, era amiga das minhas irmãs. Waltinho e Cristovam trabalhavam no Fórum Ruy Barbosa. Lembro-me do Sr. Amorim e D.Alzira sua esposa, mulher trabalhadora e muito digna. Foi com muita dedicação e grandes sacrifícios que a D. Alzira criou seus dois filhos Cristovam e Graziela(Grazú). Hoje ele é um respeitável advogado e pai de um casal de filhos. A Gazú formou-se em Museologia, aposentou-se.
No nº 14 morava a família Maron, senhor cacauicultor do Sul do Estado que mais tarde cedeu a mão de sua filha Arlete em casamento para fazer par com o Dr. Antonio Carlos Peixoto de Magalhães candidato a Deputado e futuro Prefeito de Salvador que passou a morar nesta rua. Ao lado no nº 16 morava o Sr. Norte, português e seu filho Nortinho rapaz de pouca convivência entre nós.
Na casa n° 18 morava as três irmãs da família Torres; Naninha, Adélia e Heleninha e mais outra parenta chamada Elza Torres que fora Diretora do Tesouro do Estado da Bahia, na Rua do Pão de Ló. Nós garotos chamava a “casa das quatro viúvas”. Na casa nº 19 residia a família do médico Dr. Braulinio dos Santos, muito querido em Vitória da Conquista. Antes, nesta casa morou a família Meirelles de ilustres membros. O Dr. Braulinio além de médico era pecuarista daquela região e tinha cinco filhos, dentre eles, dois homens nossos companheiros de jogos e brincadeiras. Paulo e Dôto (Heródoto) grandes amigos.
Na casa nº 20, morava a família Marques minha família. Sendo três irmãos homens que faziam parte da turma e duas mulheres. Memeu, Tadeu, Bentinho e as irmãs Tatá e Dadá. Estudantes, caseiras. Citarei um caso que houve com os meninos da turma dos médios que cantavam uma cantiga ofensiva com meu irmão Tadeu, neste termo:
“Tatá, Teté, Tadeu, Bentinho, Memeu.
Tadeu bateu botão de Astor na lavanderia de Arquelau”.
A ladainha acima eles cantavam todas as vezes que se encontrava com as minhas irmãs, mesmo elas estando na janela da nossa casa. Uma verdadeira chatice. Até que, meu pai, homem enérgico e de poucas falas, “chofer”(motorista de Táxi) naquela época. Resolveu dar um susto na rapaziada perturbadora, e aproveitando que todos estavam juntos, encostados no muro do Ginásio Nª Sª do Carmo. Meteu o carro em cima do passeio e chegando até perto deles que saíram em debandadas. E com alta voz meu pai disse: “ Deixam minha família em paz, porque na próxima vez, meto o carro em cima pra valer”. Daí em diante não mais fizeram arrelia.
Em frente a minha casa, no nº 21, morava a professora Olga Pereira Mettig com suas duas filhas. Olga foi professora e inspetora de Colégios Públicos e mais tarde, dava aulas em particular para estudantes, na sala do casarão (extinto) no local em que hoje é a Faculdade Integrada Olga Mettig. Grande educadora e escritora de livros de didáticos. A Bahia deve uma homenagem a está senhora que viveu para o ensino. Pedagoga de méritos incontestáveis. No mesmo corredor, casa nº22, morava duas senhoras idosas, solteiras, que recebia visita de um parente prelado, Bispo.
Na casa nº 23, morava o médico patologista Dr. Otávio Torres e sua esposa Drª Carmem Mesquita Torres. Ele um dos fundadores da Casa dos Leprosários da Bahia, em Águas Claras no subúrbio da cidade. Como fora também um pesquisador científico, com várias teses e livros editados.
Na casa nº 26, morava a família do vereador Badaró de Ilhéus seus herdeiros eram Fernando o primogênito e Niltinho o sempre fanático torcedor do Flamengo e do Vitória. Quando ele jogava baba com a turma exigia que chamassem ele de Dida (o jogador do Flamengo) na época.
Na casa nº 27, morou o Celso Santiago, “o gordo” ele dizia: “ Tenho 20 anos que jogo “purrinha” na esquina do pecado (rua do Maciel), conheço todas as manhas da mão fechada”. Ele se referia ao jogo do “pauzinho” muito comentado no meio da rapaziada. Saudoso amigo o Celso, grande boêmio, bom de bola quando era magro e de copo cheio nas conversas. Morava com a mãe e tinha um irmão médico.
Na casa nº 28 morou os descendentes do jubilado gramático Ernesto Carneiro Ribeiro, grande educador e médico. Hoje, no local encontra-se estabelecido uma nova Escola Pública Estadual e defronte casa nº 30, morava o ilustre professor Álvaro Costa com suas duas filhas. O professor eu não conheci em vida mas era muito estimado no meio estudantil.
Defronte da casa nº 28, na Travessa Almirante Leal Ferreira, residiram vários dos companheiros de turma: Irmãos; Perereco, Ítalo, Rosa Cecília e Antonio José (chiapeta), Raimundo (piloto), Edinho, Labadiega, Beni (sua voz e seu violão). Família Orrico; Pascoal, Gordo, Lula. Família Pomponet; Aécio e seus irmãos. Sendo quer o Aécio destacou-se dos demais por ter ideais políticos e ter cometido a façanha de ter queimado a bandeira dos EE.UU., em sinal de protesto na passeata estudantil no comércio, Cidade Baixa. Um ato corajoso que se tornou histórico. Meses depois, ele foi preso junto com centenas de estudantes no Araguaia. Na década de 70 quando o País vivia na Ditadura Militar.
Ainda neste local, morava José (Preá), Silvio o grande. Bem perto estava a Escola Joanna Angélica o refúgio da turma, a catedral dos acontecimentos e local sagrada das reuniões e guarda dos troféus que a turma dos grandes trazia da rua. Nós só entrávamos nesta Escola quando não havia aulas.
Mais adiante, já no largo do Quartel, ainda seguindo a Rua da Mangueira, moravam outros garotos que participavam das nossas brincadeiras e conviviam diariamente. Recordo da família Carvalho, sr. Carvalhinho e esposa, com seus filhos: Balaio, Dodô e Edinho, esses três eram peças fundamentais tanto na rua da Mangueira como também eles freqüentavam o Campo da Pólvora (reduto de vários acontecimentos). Neste correio de casas, morava o Manuel Lorenzo ou Manuel Toureiro para alguns e outros chamavam de Manuel Cabeleira. Na sequência da rua, morou Bebeto, cabo Caldas e mais outros que não tenho em memória.
Nas ruas adjacentes ou em outros bairros, havia sempre torneios de futebol brigas com turmas, fatos comuns.
Tempo bom foi aquele, saíamos em grupo ou solitário para festas e boêmias, regressando altas horas da noite, as ruas desertas, só quebrava o silêncio com o apito do guarda noturno. Não havia assaltos nem violência nem drogas, raros movimentos de veículos. A lua clara despontava em nosso caminho. Tínhamos mais prazer de viver e participar de tudo que a vida nos oferecia. A vida era mais respeitada. Hoje, temos nossos limites por causas e efeitos que o progresso e a sociedade oferecem.
Os nomes de Ruas geralmente são toponímicos e aqui em Salvador não foge a regra dos demais Estados. No caso da Rua da Mangueira referi-se a uma árvore frutífera que brotava deliciosas mangas logo na entrada da Rua. Nesta época não havia calçamento e a rua era de barro batido. O povo foi fazendo a sua história.
Álvaro B. Marques.
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
quinta-feira, 5 de julho de 2012
CORISCO E DADÁ - PRISÃO E MORTE
Fatos da verdade
histórica.
A História do “cangaço” no
Nordeste foi revestido de muitas narrativas folclóricas que nos leva a dúvidas em sua veracidade. Mas, a História confirmada por
pessoa idôneo e militar que participou
da organização do combate aos “cangaceiros”,
traz muito mais autenticidade aos
fatos, lemos abaixo a ocorrência:
“Conforme a transcrição de ofício
nº62 na íntegra, com data de 19 de março de 1940 no Distrito de Bebedouro,
Município de Jeremoabo interior da Bahia. Foi constatado no relatório do Cap.
Felipe Borges de Castro no Quartel em Paripiranga quando da sua viajem para
essa zona constatou o abandono e a falta de estrutura na direção daquelas terras. Nota-se
que as crianças cujas vidas estão condicionadas aos horrores do “cangaço”
criminoso. Não há escolas funcionando, nem ofício, nem arados. Ali, só o
bacamarte, conduzido por mãos assassinas, doutrina e exemplifica. A escola
pública, o Governo dispensa certa importância, não há aulas. O passa tempo
favorito das crianças é imitar os “cangaceiros” nas vestes e nas artes. Os
adultos não têm muito o que fazer, promovem rodinhas de conversas, geralmente é
sobre os feitos dos cangaceiros.
Merece lembrar um fato ocorrido
há bem pouco tempo em Jeremoabo, cujo desfecho fatal foi a morte de um menino
em que até hoje é lamentado e consterna os corações dos moradores: “Brincavam
Raimundo e Miguel, quando este último, fingindo-se “bandido” empunha uma arma
encontrada sobre a mesa da casa da sua residência, e dispara inocentemente,
contra o seu companheiro. Eis quando, o infeliz garoto, estarrecido pela brutal
surpresa do disparo da arma, e em seguida vê diante de si, tombar sem vida, ao
solo, o seu amigo e vítima. Fato este provocado pelo meio em que vive o povo,
motivado pelo bandidismo exaltado e respeitado do “cangaço”criminosos dos
bandidos que moram neste local. Basta serem 22 cangaceiros, presos cujos nomes
vão a lista em separado.
Certificado: Para o devido
conhecimento, certifica-se que: O bandido “cangaceiro” vulgo “Corisco” cujo
nome de batismo é Cristiano Gomes da Silva, morto em combate conforme relatório
ofício e capturado Sérgia Maria de Jesus vulgo “Dada” mulher de “Corisco”,
apreendendo em poder desta a menor Josefa Erondina de Almeida, com 12 anos
presumíveis, filha de Braz Francisco de Almeida, residente em Bebedouro,
Município de Jeremoabo. Neste combate foram gastos várias munições para rifles,
metralhadora, pistola e colt modelo 1908. O corpo de “Corisco” foi transportado
para o Distrito de Djalma Dutra, pra ser sepultado. A “Dada” foi entregue aos
cuidados médicos, tendo sido amputado a sua perna direita, visto ter sido
baleado no pé e deu gangrena. Com eles foram apreendido os objetos constantes
na relação abaixo se transcrevem:
“Os valores da relação foram
entregues ao Exmº. Sr.Dr.Secretário da Segurança Pública pelo 2º Ten.
José Osório de Freitas e as declarações de “Dada” e Josefa ao Cap. Salomão do
Nascimento Rehem, Delegado Especial do Nordeste. Os objetos apreendidos em
poder do bandido “Corisco” e de sua companheira “Dada” frutos de assaltos e
roubos em fazendas e chácaras nordestinas, dos quais faço entrega ao Cap. Salomão:
1 – Armas: parabelum, colt. 7mm com 3 cartuchos, 1- pistola colt.
Calibre 45 com 20 cartuchos, 2- punhais.
Jóias: 1- grande trancelim de ouro com uma moeda de prata de $500 réis
encravado no circulo em ouro, 1- águia, 1- figa e um balangandan, tudo em ouro.
Outro trancelim de ouro, 1- anel de ouro de tamanho regular, 3- anéis de ouro,
tamanho regular, cravejado de brilhantes, 2- águias de ouro, 1- cruz de ouro, 8- botões de ouro para
enfeites de chapéu feminino. 3- chapas de abotoaduras com formatos de pés em
ouro, 21- contas de ouro, 2- pares de brincos de ouro, 1- peça de ouro com os
olhos de Santa Luzia, 1- coração de ouro, 2 – brincos de ouro incompletos, 1 – Verônica de prata com a efígie de Santo
Antonio, 1 – relógio comum, 19 enfeites de metal para bandoleira, dinheiro em
células (945$000) novecentos e quarenta e cinco mil réis.”
Outros objetos com e
sem valores comercias:
“ 5 – burros, 1 – sela, 1 – Bride de ferro, 1 – cabeção, 2 –
pares de buacas de couro cru, 1- máquina de costura “Singer” de mão, 5 – cortes
de brim, 1 - uniforme de brim, 1 – par
de sapatilha, 5 – pares de talheres de metal, 5 - pares de colheres de metal branco, 1 – corte
de fustão rosa, 3 – metros de tussor, 3 metros de bulgarina rosa, 2 – metros de
opalina rosa, 2 – metros de zefir, 1 – par de sandália trançadas de couro, 1 –
fronha bordada, 2 – pires de louça, 4 – xícaras, 4 carretéis de linha branca, 2
– vidros de pílulas de Bristol, 1 – tesoura, 1 – bastidor, 6 – lençóis brancos
grande, 3 – metros de algodãozinho, 2 – lonas de borracha.
OBS: Os 5 burros, 1 sela, 1 brida e 1
cabeção, foram remetidos ao Sr.Cap. Felipe Borges de Castro, Cmt. Do D-NE para serem
entregues aos respectivos donos. Cidade de Djalma Dutra, 28 de maio de 1940.
Assinado: Ten. José Osório de Farias – Cmt. Col. Volante.
NOTA.:”Os demais
objetos constantes desta relação devem ser entregues pelo Sr. Ten. José Osório
de Farias ao Sr. Dr. Delegado da Ordem Social.
Djalma Dutra, 1º junho
de 1940 – Cap. Felipe Borges de Castro – Cmt. D-E.”
Com este relatório acima tão especifico e comprobatório não
tenho a menor dúvida da História final do “cangaço” na Bahia.
FONTE DA PESQUISA.
Arquivo Geral da Polícia Militar da Bahia
Arquivo Geral da Polícia Militar da Bahia
Boletim nº129 de 16 de julho de 1940 da Polícia Militar da
Bahia – página276/278.
Álvaro B. Marques
SSA,17.04.2012
terça-feira, 27 de março de 2012
ANTIGAS HISTÓRIAS DAS COMUNICAÇÕES
“Os antigos escreviam em couro,
folhas de palmeira ou em “líber” tronco das árvores. Posteriormente,
fabricou-se papel das fibras do papyrus, espécie de “canna” peculiar do Egito e
de pele de carneiro chamada “charta pergamena”, designação da palavra
“pergaminho”, nota que esta invenção foi aperfeiçoada na cidade de Pergamo na
Itália. Traçavam-se os caracteres com a extremidade de uma canna de açúcar e
molhada em tinta; o registro dos fatos importantes gravava-se em pedra, madeira
ou metal. É importante salientar que no livro de Cornelius Tácito anais IV, fl.
43, fala de um monumento histórico dos messénios anterior a guerra do
Poloponese, inscrito em tábua de bronze. Censorinus de Die Natali, XXVIII,
menciona documentos públicos dos etruscos anteriores a mil e quinhentos anos
A.C. Moisés de Corene, escritor, Armenio, escreveu que os antigos reis do Egito tinham registrado
as leis, tratados, normas de impostos nas superfícies das paredes das pirâmides
e serviam como livros aos egípcios. “Job desejava que suas palavras fossem
gravadas em pedra e em chumbo”(livro de Job em hebraico). Para o uso no
cotidiano servia de uma taubinha delgada revestida de uma camada de cera que
riscava com uma punção de metal ou marfim, chamado stylete, cuja extremidade
não aguçada se apagava os caractéres. Nas folhas de papiro ou de pergaminho, só
se escrevia de um lado em folhas colocadas uma sobre a outra até completar o
livro e depois fazia-se com elas um rolo que se prendia com um botão. Júlio
César foi a primeira pessoa que escreveu ao senado cartas sobre as duas faces
do pergaminho. E introduziu o uso, até então desconhecido. Polia as folhas com
marfim, perfumava com óleo de cidreira, iluminar e dourar as letras, encadernar
as bordas das folhas e o fecho. Era trabalho industrial para os escravos,
livreiros e gramáticos fazerem o que todos os ricos tinham ao seu serviço
Outros indivíduos de condições livre, dedicavam-se a estes mesmos trabalhos com
fim comercial. Tudo era feito á mão, era comum os erros inevitáveis nas cópias,
nos manuscritos sempre apresentavam incorreções. Quem queria ter um texto sem
erros, transcrevia-o pela sua própria mão, como fizeram alguns gramáticos
solícitos ou alguns doutores da Igreja, o que deu grande valor a certas edições
como por exemplos: As obras épicas de Homero e da Bíblia. O cristianismo crescendo
a arte da escrita passou dos escravos para os frades, era necessário mais
divulgações dos trabalhos até criar as Homilias. Constantinopla, as ilhas do
mar Egeu, a Calabria, o Monte Athos, vieram a serem outras oficinas, onde se
multiplicaram os livros. São Bento impunha aos seus religiosos a obrigação de
os copiarem, e muitas freiras se aplicaram a este trabalho. O prior Guignes da
Grande Cartuxa, dizia nos seus estatutos: “A obra de copista é imortal; a
transcrição de manuscrito é a ocupação mais própria de religiosos letrados” e
acrescentava: “Ensinamos a ler a todas as pessoas que admitimos na nossa
comunidade, pois que desejamos conservar os livros, eterno alimento da alma”.
Os frades solicitavam às vezes o direito de caça com o fim de obterem as peles
de animais para a encadernação. Em 855, São Lupus Servatus, abade de Ferriéres,
mandou á Itália dois monges para copiarem o tratado do “Oratore”; Alfredo o
Grande, furtava tempo aos seus importantes afazeres para transcrever muitas
obras. Giovanni Boccacio(n.1313 m.1373) fez uma cópia da “Divina Comédia”, com
que presenteou a Petrarca e outra obra de Tito Lívio.Quase todas as obras
antigas foram transmitidas por mãos de frades. Seria ingratidão e injustiça
censurar os laboriosos escreventes da idade média, por terem copiado por suas
preferências os autores de livros clássicos em teologia. Os mais valiosos no
seu tempo. Se bem lembrado de que antes da queda do Império do Ocidente, já
algumas das obras dos grandes mestres já eram raríssimas: só existe um exemplar
das obras de Aristóteles e uma de Tito Lívio o restante o tempo com a
destruição desapareceram. O desbarato das obras clássicas, começaram muito
antes da invasão dos bárbaros, os quais não há dúvidas que com as suas guerras
e devastações aumentaram o número das perdas. Por último, o zelo excessivo e
ignorância de alguns padres pela doutrina cristã e a proteção por bons
costumes, esconderam e destruíram um grande número de escritos literários e
científicos. Se as dificuldades das
comunicações com o Egito eram enormes por ser elevado o preço do papyrus na
Europa quando os árabes ocuparam as margens do Nilo, este artigo tornou-se
raríssimo por não ser possível ir buscá-lo ao local da produção. O pergaminho,
sempre caro, excessivamente. Recorreu-se então a uma experiência já conhecido
pelos antigos, chamado “raspa a escrita” por exemplos: “Um frade copista para
obter um pergaminho de antifonário, uma coleção de orações, um tratado da
confissão, tinha mais importância para ele em “raspar” a República de Cícero ou
o código Teosiano.” Os antigos copistas serviam-se de letras maiúsculas sem
pontuação, mas posteriormente, a necessidade de escrever depressa fez encurtar
essas letras o que produziu os caracteres menores (minúsculas). Por esta razão,
introduziram certas abreviações ou notas, as quais foram elevadas ao número de
cinco mil permitiram aos “notari” escreverem os discursos por mais rapidamente
que falassem os oradores. Os notários tiveram por missão, primitivamente
registrar as decisões do Senado e das Assembléias públicas ou as últimas
vontades dos moribundos; por isso, a
denominação de “notari” foi para qualquer pessoa incumbida de escrever
resoluções que deviam ter fé pública. Todavia, os verdadeiros caracteres
tipográficos caíram em esquecimento, a tal ponto que um “psalteiro” (letrista)
tipográfico encontrado em Strasburgo, estava já classificado no catálago como
“psalterio” em língua Armênia. Na época do Império Romano, os caracteres tinham
nas inscrições uma forma alongada e deselegante, como vê nas paredes de Pompéia
e em outras regiões do Império. São defeituosas em formação, caso bem visível
nas catacumbas cristãs e nas inscrições da idade média. Ainda assim, as letras
redondas, embora deformadas, continuaram a ser empregadas até o século XII.
Mas, passo a passo, foi introduzido na Arquitetura o estilo gótico, com os
caracteres gráficos adotando as formas angulosas das letras alemãs, depois,
vulgarmente o uso de complementar com ornatos que durou até o século XV. Neste
século, a bela caligrafia começou a ser apreciada e inventou-se uma grande
variedade de letras com uma complexa nomenclatura. Depois do ano de 1300, D.Jacopo
de Florença, frade camaldulense, granjeou créditos de ser o melhor escrevente
de letras redondas entre quantos existiram antes e depois dele, e por isso se
conservava a sua mão como preciosa relíquia. Frei Silvestre era tão destro em
iluminar livros como Jacopo em escrever. O estudo das iluminuras é
indispensável a quem pretende aprofundar na história das artes. O luxo das
obras em miniaturas começou no decurso do século IX e progrediu tanto que um
livro veio a ser um resumo de todas as belas-artes: poesia é saber compor,
caligrafia para o copista, pintura para colorir com carmim e azul ultramarino,
na confecção de peleiro(pele de animais) para a preparação da capa, cinzelura
para ornar, ourivesaria para nela engastar pedras preciosas, douradas para as
bordas das folhas. E não se acredita que este luxo era fantasia exclusiva dos
ricos. “Daniel Merlac, escritor inglês do século XII, fala de estudantes
ignorantes que sentando-se ostentosamente nas salas de aulas, colocavam na sua
frente, em cima de duas ou três mesas, imensos volumes de livros, todos
guarnecidos de ouro.” Como é fácil de supor, livros escritos a mão, tinham os
preços elevados, custavam quantias enormes, nas cidades onde havia escolas e
copistas. No século XIII existiam cinqüenta e Milão. Posteriormente, Paris e
Orleans chegaram a ter dez mil e com todo esse contingente o custo podia
satisfazer o gosto crescente pelos estudos e pelas controvérsias. A
Universidade de Bolonha, em 1334, proibiu aos estudantes levarem livros para
fora da cidade sem a sua autorização firmada e selada pelos anciões, cônsules e
defensores do domínio público. Muitos catálogos de livros de quem estavam
expostos em casa dos livreiros e as tarifas estabelecidas pelas Universidades,
informam-nos dos preços variáveis conforme o luxo, douração e iluminuras que
davam o maior valor. A carestia dos livros durou muito tempo, vejamos alguns
fatores: Luis XI soube que na Faculdade de Medicina de Paris, possuía uma obra
do médico árabe Rases, ordenou ao presidente Joan Driesche, que desse em penhor
as suas pratas para ser permitido tirar cópia do desejado livro. Afonso V de
Aragão escreveu de Florença á Antonio Picatelli de Palermo, informando-o de que
o Pogge (professor de filosofia inglês) tinha para vender um Tito Lívio, por
cento e vinte escudos de ouro; Picatelli vendeu uma herança para comprar o
manuscrito, e o Pagge comprou terras com a quantia recebida Geralmente as
Bibliotecas da época eram limitadíssimas, algumas se organizaram de certo vulto
e que representava um enorme dispêndio.. A Biblioteca de Carlos, o sábio, que se
encontra no Louver 920 manuscritos, quase todos bem iluminados, ocupavam dois
pavimentos na torres de uma abadia. Os
livros com capa de madeira coberta de veludo ou de moiré colocavam-se
horizontalmente nas prateleiras e como eram volumosos e pesados, o leitor
descancava-os em estantes que giravam sobre um eixo. Gilles Malet, primeiro
bibliotecário do Louvre, deixou o catálogo das obras confiadas aos cuidados do
Museu. Ticleson, publicou uma carta dos arquivos de Hildburghausen(cidade da
Alemanha,abadia) na qual o bispo Bruno faz doação para a abadia, sufragando a
sua alma, muitos livros, quase todos ascéticos. Na Itália mais que em qualquer
outro país. Havia muitas cópias de manuscritos, e para este país, em especial a
Roma e aos conventos mais afamados, como a Novales, a Cava, o Monte Cassino
lugares que os estudantes procuravam. Os “Aforísmo de Hipócrates” foram
encontrados na Abadia do Bec.(Notre Dame – Bec em francês) Depois do século
XII, começaram as Bibliotecas a tornar-se mais numerosas em todos os países da
Europa. Em 1241 a Biblioteca mais importante de Inglaterra era a da abadia de
Glastonbury, que continha quatrocentos volumes entre os quais um Tito Lívio, um
Salustro, um Virgílio e um Claudiano. Fazia-se então que “uma igreja sem
biblioteca era uma cidade sem munições.”. Eram tantas as queixas contra as
incorreções das copias as mais importantes e freqüentes quanto mais se
multiplicavam os manuscritos. Francisco Petrarca exclamava: “ Não há freio nem
lei para estes copistas, escolhidos sem exames, sem nenhum espécie de prova,
apesar de não existir tanta liberdade para os ferreiros, lavradores, tecelões e
outros artistas.” Quando os estudantes tiveram o gosto para ampliarem seus
estudos, mestres e sábios, sentiram a necessidade de criar novos meios de
leitura para substituir o pergaminho e o papyrus. Afinal encontrou com os
chineses, atribuem ao primeiro Imperador da dinastia dos Han 202 anos A.C. o
merecimento de ter inventado o processo para fabricar papel de bambú, palha,
casca de amoreira e até de trapo moído. O excelente papel da China que chamamos
de seda, é feito da segunda casca do bambu. Além disso, os fabricantes do Celeste
Império sabem há muito séculos dar ao papel o destino das escritas em decretos
Imperial, na cor vermelho vivo. A raridade das comunicações entre os povos,
provenientes das distâncias de um país para o outro, impediu a propagação desta
utilíssima descoberta. Ainda assim, penetrou nos países independentes do
Império Chinês por meios de intercâmbios comerciais entre o comércio marítimo.
Principalmente divulgou-se com os Tártaros em Samarcante, uma fabrica de papel,
na qual se empregava como matéria prima o algodão crú com defeito para a
tecelagem. Nesta época não conheciam as pilhas hidráulicas, só se fabricavam folhas
grossas e pouco homogêneas. Os árabes, assim que souberam desse grande
acontecimento em manufaturas e na sua expedição para a Bulgária, transportaram-nas
para Ceuta e depois passaram para a Espanha. Conhecendo a cultura do algodão, os
espanhóis cristãos adaptaram em sua
fábrica os moinhos d’agua , serviram-se
preferencialmente do trapo e inventaram
as grades para o enxugo rápido da massa. A fábrica de Játiva em Valencia
(primeira fábrica de papel da Europa) e outra em Toledo forneceram a Espanha o
primeiro papel, chamado de “pergaminho de paño”. Não se sabe ao certo em que
época foi substituído o algodão pelo cânhamo.
Miguel Casiri (n.1701 e m.1770) catálago da Biblioteca Arabico-Hispano
Escurial 2 vol. Em 1760-1770. Observa que a maior parte dos livros são de papel
de trapo e chamavam-lhe “chartacos”, para distinguir dos que têm papel de pele,
algodão e seda. O mais antigo manuscrito em papel de algodão existe na
Biblioteca Nacional de Paris com data de 1050 em papel de linho é datado de
1308 mas supõe-se que outros mais antigos existiram.
Imprensa - Quanto mais se sabe, mais se deseja saber. Esta
tendência do espírito humano é natural o gosto em conhecimentos é condição
vital da sociedade em querer descobrir novas utilidades para o seu
desenvolvimento. A paixão por literatura clássica impulsionava o desejo a
procura e a reproduzir os livros antigos. As grandes controvérsias dos reis com
os papas multiplicavam os escritores, foi quando surgiu a mais admirável entre
todas as artes modernas, a Imprensa. É duvidoso afirmar quem foi o inventor,
falam muito que em tempo antiguíssimo os chineses já conheciam na “Enciclopédia
Chinesa” ano de 593, lê-se: “No oitavo dia do duodécimo mês do décimo terceiro
ano do reinado de Wen-ti, publicou-se um decreto mandando recolher os desenhos
usados e os textos inéditos, gravados em madeira para serem publicados”. A
enorme quantidade de sinais em que compõe o alfabeto chinês exigiria uma caixa
de composição imensa e um compositor com cem braços para poder empregar os
processos usados entre nós. Na verdade a arte imobilista dos chineses parava
neste ponto; Um escritor copia exatamente a obra, está copia aplica-se invertida
a uma tábua a qual passam os caracteres, levantadas as folhas, corta-se e
encrava o que ficou em branco. Terminada esta operação, imprime-se só de um
lado. O operário, com uma escova em cada mão, dá tinta ás formas com uma dessas
escovas que está molhada em tinta, e estando sobre ela, com a outra mão a folha
de papel que por ter sido molhada previamente, registra o fato. Para algumas
obras efêmeras, como a gazeta de Cantão, por exemplo, fazem estereótipo numa
substância líquida. Porém, a mente progressiva do letrista aplicava-se a
substituir as pranchas com caracteres móveis, começando por gravá-los em
madeira. Não foi possível obter linhas certas e páginas uniformes senão quando
se empregaram tipos em metal. Era uma operação que constituía o verdadeiro merecimento
da descoberta por Jahannes Gutenberg (n.1398 e m.1468) “ alemão de família dos Gutenberg de Magúncia, gravador, inventor, instruído em todas
as artes e patentes menores. Este homem de gênio, estabeleceu uma imprensa de
tipos móveis em Strasburgo na França, cidade que si projetor. Achando-se
impedido por reveses de fortuna que o afligiram de continuar a exercer a sua
arte, conheceu o João Fausto(Joan Faust) que forneceu-lhe os capitais
necessários para montar a imprensa em Magúncia (1450) e imprimir a
Bíblia(conhecida Bíblia de 42 linhas). Também não prosperou ali, e a sua
oficina foi adjudicada ao capitalista. Mas Gutenberg conseguiu organizar outra
oficina e fez muitas impressões apesar do seu nome não figurar em nenhum livro.
Fauto, para dirigir a oficina de que viera a ser proprietário agregou a Pedro
Schaefer, mancebo de Gernaheim que substituiu ao chumbo um metal duro e
descobriu a tinta oleosa conveniente para a impressão.Também inventou punções
com os quais se tornou possível a fundição dos tipos em moldes. Formulou assim
o primeiro livro impresso com caracteres móveis entre os anos de 1450 a 1455.
Alguns exemplares são em pergaminhos, com tinta excelente. Propagando-se a
inversão com extraordinária rapidez. Além de muitos livros sem data que
certamente pertenceu nos primeiros anos da criação da tipografia, existem vinte
e quatro impressos na Alemanha desde os anos de 1461 até 1471. O inglês
Guilherme de Tiro ou Willelmus Tyrenses cronista das cruzadas da Idade Média
publicou a História de Tróia, traduzido para o francês o primeiro livro, quando
ainda vivia Philip de Borgonha, Ubericon Gering, Crontz e Freiburg, discípulo
de Fauto. Estabeleceram em Paris em 1469 na Sorbona. O livro do ourives Gemini
foi o primeiro que se imprimiu na Itália. Os caracteres gregos escreviam-se a
mão até que Nizar Zarot fundiu em Milão quantidade suficiente para poder editar
a Gramática de Lascaris, grega, em 1479 e assim procedeu-se outras edições com
novos autores italianos. Auxiliados por
Lourenço de Médicis, publicou as obras épicas de Homero em Florença no ano de
1488. O primeiro livro em Hebraico, os “Comentários de Iarki”, sobre o
Pentateuco ( estudos dos primeiros livros judaicos), imprimidos em 1482 em seis
anos depois da Bíblia completa. Em Espanha, introduziu-se a tipografia em 1474,
primeiro em Valencia e depois em Saragoça, Barcelona, Sevilha. Os primeiros
impressos espanhóis foram de Antonio Martinez, Bartolomeu Segura, Afonso del
Puerto são nomes figurados nas estampas em Sevilha em 1477. Já nesta época,
século XV, a imprensa dos tipos móveis de chumbo fundido expandiu-se a partir
do século XVIII foi usado para imprimir jornais. A imprensa não demorou de
introduzir-se nas outras partes do mundo. Os portugueses levaram a Gôa e as
Filipinas: O primeiro livro da América espanhola apareceu no México em 1571. O
primeiro livro da América Inglês, saiu do colégio de Cambridge perto de Boston em 1639. Em 1689
William Penn (n.1644 m.1718) inglês, introduziu a impressa em Filadélfia nos
EE.UU da América do Norte.”
Fato
importante na imprensa:
Napoleão Bonaparte organizou uma
imprensa no Egito quando invadiu este país em 1799. Foi nesta época que um
soldado de seu batalhão, descobriu em meios dos escombros das ruínas a “Pedra
de Roseta” supõe ser a primeira prova escrita em pedra pelo homem., contém
inscrições do Egito antigo.
No meado do século XX em diante, os
jornais passaram a ser também radio difundido (radiojornal e telejornal).
A imprensa no Brasil “ estabeleceu-se uma tipografia, a primeira da Bahia, onde foi impresso
à “Gazeta Idade de Ouro”. Fundou e organizou a Biblioteca Pública em 13 de maio
de 1810 e inaugurou a 13 de maio de 1811. No governo do Conde dos Arcos, D.
Marcos de Noronha e Brito em (1810 á 1814).
É bom lembrar que o jornalismo nasceu em Pernambuco em 1706 depois no Rio
de Janeiro em 1747. Ambos fechados e lacrados em suas épocas por força da coroa
portuguesa no Brasil Colonial. Na vinda de D. João VI ao Brasil em 1808 foi
instituída a Imprensa Réis. Com muita vigilância e censura.
Fontes bibliográficas:
História Universal – autor César Cantu publicado de 1879
História da Imprensa no Brasil – autor: Nelson Werneck Sodré
Vida Econômica – Financeira da Bahia – autor Francisco Marques de Góes
Calmon – publicado em 1925 SSA/Ba
Pesquisa de Álvaro B. Marques
O PASSADO HISTÓRICO DA IMPRENSA E JORNAIS DA BAHIA.
DE 1811 A 1936
A carta régia de 6 de julho de 1747,
proibiu o uso da Imprensa no Brasil em todo o período Colonial. Com a vinda de
D. João VI e a sua comitiva, foi concedida por Carta Régia a abertura dos
portos e a implantação da Imprensa no Brasil em 1808. Em 5 de fevereiro de
1811, concedeu licença a Manoel Antonio da Silva Serva, para montar uma oficina
tipográfica.
“Tendo chegado da Europa a
tipografia, foi montada a oficina em um dos “Arcos de Santa Bárbara” na
freguesia da Conceição da Praia, no comércio”
Começou logo a funcionar, dando luz a
várias publicações, hoje talvez muito rara como o “Plano para o Estabelecimento
da Biblioteca Pública na Cidade da Bahia de Todos os Santos”.
O conde dos Arcos, D. Marcos de
Noronha e Brito dita a portaria que regulariza a Imprensa e determina regras
que deve ser vista, para o relator No
dia 14 de maio de 1811, surgiu o primeiro jornal baiano, “A Idade de Ouro”.
Saía duas vezes por semana, às terças e sextas feiras, ao preço de 60 réis o
exemplar e assinatura anual era de 8$000 réis, em pequeno formato, publicava
notícias oficiais, comerciais e suas importações e exportações, sendo seus
artigos sujeitos a Comissão de Censura. Durante muitos anos, até 1820, foi o
único representante do jornalismo baiano. A tipografia funcionou até 1821, como
proprietário Manoel Serva e por sua morte passou a viúva Serva e Carvalho
depois viúva Serva e Filhos, sempre no mesmo endereço. Seus filhos José Antonio
da Silva Serva e Manoel Antonio da Silva Serva constituíram outros
estabelecimentos distintos. Mas sempre eles foram dedicados ao jornalismo.
O jornal “A Idade de Ouro”, periódico, trazia entre as duas primeiras
palavras na capa o titulo, as armas reais e mais abaixo os versos de Sá de
Miranda: “Falai em tudo verdade a quem em tudo as deveis”. Redigido pelo
Bacharel Diogo Soares da Silva Bivar e o padre Ignácio José de Macedo, a “Idade de Ouro do Brasil” teve sua
prolongada publicação até 24 de junho de 1823 e nos últimos três anos o
periódico fez parte ativa nas lutas políticas da época, era conservador e
estritamente a favor da coroa portuguesa. Assim teve confronto com o Diário Constitucional, órgão
nacionalista, (1821 à 1822) nascido da iniciativa de Francisco José Corte Real,
mais conhecido por Corte Imperial e redigido com brilho e denodo, por ele e por
Francisco Gomes Brandão Montezuma, José Avelino Barbosa e Euzébio Venâncio.
Também fez parte o tipógrafo Álvaro da Costa que fugiu desta cidade para levar
as notícias da invasão da ilha para os itaparicanos em janeiro de 1823. Em 1822
passou a chamar-se “O Constitucional” só durou até 30 de agosto de 1822,
fechado pelas tropas lusitanas estimulada por um português chamado “Ruivo”.
“Sentinela
da Liberdade”- Redigido por Cipriano José Barata de Almeida no cárcere do
Quartel General de Pirajá em 1831 à 1834. Anterior a este chamava-se “Liberal”
como também teve o nome de “Novo Sentinela da Liberdade” em cada fechamento do
seu jornal ele abria outro com o mesmo timbre de revolucionário.
Diário da Bahia – Fundado em 1856 da firma de Manuel Jesuino Ferreira e Cia. Passou para Dr. Demétrio Cyriaco Tourinho. Em 1868,
passou a ser sociedade anônima e foi órgão do Partido Liberal até a extinção
desse partido. Teve como redatores: Conselheiro Dantas, Rodolfo Dantas, Ruy
Barbosa, Belarmino Barreto, Augusto Guimarães, Severino Vieira, Aurelino Leal,
Carlos Ribeiro, Carlos Brandão e outros. Foi órgão oficial de 1900 a 1907 em 1912
paralisou-se.
Gazeta da Tarde – Começou a funcionar em 1880 até 1889, jornal abolicionista de Pompilho
Santa Cruz.
Estado da Bahia
– Saiu o primeiro número em 1853, com o nome de “Jornal da Bahia” e pertencia
ao Partido Conservador. Em 1879 passou a chamar-se “Gazeta da Bahia” e em 1890
já estava com o nome de “Estado da Bahia”
Jornal de Notícias – Fundado em 1878, reformado em 1886 e em 1889 obteve medalha de ouro na
Exposição Universal .Aloysio de Carvalho e Irmãos.
Diário de Notícias – Publicado em primeiro de março de 1875 fundado por Manoel da Silva
Lopes Cardoso.
Correio de Notícias – Constituído em 28 de abril de 1892. Foi órgão oficial até
1900.
O Monitor –
Constituído em 1876 à 1881 foi órgão do Partido Liberal dissidente. Redigido
por várias personalidades da época, dentre eles Belarmino Barreto, Pedro
Antonio Falcão Brandão, Antonio Eusébio de Almeida e Antonio Alves de Carvalho.
As Chonicas –
Saía sempre aos domingos, redigido pelo médico Dr. Carvalhal, muito apreciado
pela sua veia humorista.
Gazeta da Bahia – Órgão do Partido Conservador, iniciou a publicação em 1879 a 1890. Era
redigido pelos Drs. José Eduardo Freire de Carvalho, João Martins da Silva
Telles, João Augusto Neiva, José Luiz de Azevedo, Américo de Souza Gomes, José
Eduardo Freire de Carvalho Filho e Romualdo de Seixas Filho.
O Guaycurú –
Fundado em 24 de agosto de 1870 de propriedade do Dr. José Álvares do Amaral.
Por várias vezes teve advertência pela censura.
A República Federal – Fundado em 1888 a 1890 – Órgão do Clube Republicano Federal, destinado
a propaganda Repubicana. Redadores: Landulfo Medrado, Cosme Moreira, Virgílio
de Lemos, Eudoro Valle e Carlos Afonso.
Pequeno Jornal –
Sua primeira publicação foi no ano de 1880 até 1892. Redatores: Eduardo Carigé,
Dr. Antonio José de Mello, Cézar Zama e Cerqueira Lima.
O República – Fundado
em 1897 até 1898. Órgão do Partido Constitucional. Era seus proprietários; Dr.
José Gonçalves da Silva e o Barão de Jeremoabo Dr. Cícero Dantas Martins. Teve
como redator o Dr. Odilon Santos.
O Tempo – Em
1901 deu inicio a sua publicação, teve como chefe da redação o Dr. Telemont
Fontes. Com vida curta e no ano de 1917 existiu outro Jornal com o mesmo nome
no Governo do Dr. Antonio Moniz.
O Norte – Fundado
em 1905 até 1907, redatores Drs. Joaquim Pires Moniz de Carvalho, Luiz Pinto de
Carvalho, Rodrigo Brandão e Antonio Moniz.
Gazeta do Povo – Deu inicio a sua publicação em 1905 a 1911 teve como redatores: Virgílio de Lemos e Octávio Mangabeira. Já em
1910, passou a ser órgão do Partido Democrata e teve como redatores Drs. Pinto
de Carvalho, Antonio Moniz, Simões Filho, Octávio Mangabeira e Xavier Marques.
O Dia - Publicado em 1908 teve como redator
Dr. Baptista de Oliveira.
Jornal do Povo
– Publicado em 1906, redatores Drs. Aurelino Leal e Gilberto Velloso.
Jornal da Manhã
– Publicado em 1908 até 1909, redator-chefe Dr. Ervídio Filho.
A Bahia –
Órgão oficial, teve inicio a sua publicação em 1907 até 1912.
A Tarde –
Fundado em 1912 no dia 15 de outubro por Ernestro Simões Filho.
O Democrata –
Fundado em 1916. Este foi o jornal chamado Democrata o mais novo teve vida
curta e o mais antigo também com o mesmo nome fundado em 1833 até 1836,
republicano. Redator Domingos Guedes Cabral.
O Jornal –
Fundado em 1925, levou poucos meses de vida.
O Imperial –
Fundado em 1920 até o ano de 1933 circulava.
A Era Nova – Fundado
em 1930 também teve vida curta.
Alabama –
Fundado em 1872 como redatores: José Marques de Souza e Aristides Ricardo de
Sant’Anna. Vida curta.
Jornal da Bahia – Fundado em 1872, redator Francisco José da Rocha. Teve pouco tempo em
circulação.
Correia da Bahia – Fundado em 1872, redator-proprietário Inocêncio Marques de Araújo Góes
Júnior.
Diário do Povo
– Fundado em 4 de maio de 1883 proprietário Francisco Beltrão redator.
Os Jornais tiveram sempre mudanças de
propriedade como no caso dos Jornais: Diário de Notícias= Manoel da Silva Lopes
Cardoso. Diário da Bahia= Augusto Alves Guimarães. Gazeta da Tarde=
Pampilho de Santa Cruz.
Nota: Os
Jornais baianos no século 19 faziam anúncios de escravos fugidos publicavam
sempre escritos nesses termos, essas palavras: mucambas, moleque, bonita peça,
rapaz pardinho, rapariga de casa de família e outros pejorativos muito comuns
na época da escravidão. Sua maior atenção eram os anúncios comerciais que
sustentavam os jornais.
Faço lembrar que todos os Jornais na Bahia no século 19
tiveram vida muito curta. Sendo o principal motivo o alto custo do papel na
importação e o preço cobrado ao consumidor não era suficiente para cobrir todas
as despesas. Quando fechava um abria outro, sempre acrescentando ou
destituindo-se um sócio. Havia nos jornais caricaturas de políticos com motivos
humorista. O único com vida longa neste período foi o Diário da Bahia – Fundado em 1856 até 1912. Hoje o mais antigo da
Bahia é o Jornal A TARDE que foi fundado em 15 de outubro de 1912 vai
completar 100 anos no mês de outubro deste ano 2012. Parabéns, antecipado,
querido Jornal.
“A primeira Revista de Agricultura no
Brasil, foi a baiana em 1832 até 1836. O “Jornal da Sociedade de Agricultura, Comércio
e Indústria da Província da Bahia” sendo o primeiro presidente Manuel Ferreira
da Câmara Bittencourt e Sá antigo companheiro de José Bonifácio. Permaneceu o
Jornal até 1836. Funcionou no salão do Convento de São Francisco”. (Afrânio
Peixoto, “Livro de Horas”)
“Em 1936, havia três vespertinos
diários: “A Tarde” publicado na praça Castro Alves. O “Estado da Bahia”,
publicado na rua Portugal, nº 6 – Comércio. O “Diário de Notícias”, publicado
na rua Santos Drumont, nº 21 Comércio. Havia também dois matutinos: “O
Imparcial”, publicado na rua Ruy Barbosa, nº 3 e o “Diário da Bahia” no inicio
da rua Carlos Gomes, nº79. Publicavam-se com grande acompanhamento quatro
Revistas mensais: “Única” fundada em 1929 – “Revista da Bahia”, fundada em 1935
“Bahia Rural” fundada em 1930 e o Boletim da “Associação Comercial da Bahia”
cujo primeiro número saiu em 1910 e o último deixou de circular em 1932 mas foi
substituído por Revista em 1977 até nossos dias.
Comentários do autor: Naquela época a população de
Salvador era bem menor do que hoje, e o povo era ávidos por notícias, tendo a
leitura o seu melhor divertimento. Contavam também com o hábito de ouvir as
notícias pelo rádio de cabeceira de cama. Muito popular no Brasil e de grande
participação nos meios de comunicações. Por isso, acho que no passado não muito
distante, os redatores de jornais tinham mais coragem e polidez para criticar,
acusar e derrubar políticos duvidosos. Dizer
sempre a verdade, nada mais que a
verdade importa. O jornalismo, sendo por sua finalidade um gênero útil a
toda sociedade, no estrito dever de orientar, esclarecer e divulgar opiniões
concretas ao leitor. É bom lembrar que: Palavras são palavras, meramente
palavras. Sem as palavras o homem não sabe si expressar o que seus sentimentos
pedem. É necessário pensar, sentir e falar.
Estevão Cruz em
sua opinião diz: “O Jornal é uma publicação, diária ou periódica, de índole
diversa, mas sempre de interesse geral. Pode ser político, literário, artístico
e comercial etc., mas a sua missão é sempre orientar a opinião pública”.
(“Programa de Vernáculo”-Estevão Cruz)
A VOZ DA IMPRENSA
“Certamente a imprensa que é o mais
poderoso meio de educar e civilizar os povos, assim como de formar e dirigir a
opinião; a imprensa que é a mais eficaz das garantias do direito e da
liberdade; a imprensa que é a mais excelente e profícuo instrumento do
progresso social, não pode desviar-se mais de seus altos destinos, nem servir a
causa menos pobre.”
“A imprensa não foi inventada para os opressores, mas para a
liberdade dos oprimidos, para a justiça, para a instrução, para a verdade das vozes
presas nas gargantas daqueles que buscam a liberdade de opiniões.” ”(Texto
extraído do livro: “A Escravidão o Clero e o Abolicionismo” autor: Luis Anselmo
da Fonseca – publicado em 1887 na Bahia).
Em 1870 fundou-se a Associação Tipográfica da Bahia até a
década de 30 quando foi extinta gradualmente essa instituição por força da
implantação de novo sistema de impressão fotoquímico. (A Tipografia na
Bahia/Ipanema)
Fonte Bibliográfica: A Margem da História da Bahia –
autor: Francisco Borges de Barros
Anuário da Imprensa Baiana de 1811 á 1911.
A História da Imprensa na Bahia – (de 1811 á 1930)
Livro de Horas – autor: Afrânio Peixoto.
A Escravidão o Clero e o Abolicionismo – autor: Luis Anselmo
da Fonseca
A Tipografia na Bahia – autor: Marcelo Ipanema e Cybelle.
Álvaro B. Marques
terça-feira, 16 de agosto de 2011
O DESENVOLVIMENTO SOCIAL DA ESCRAVA AFRICANA NA BAHIA.
Vou te passar o que é do meu conhecimento adquirido em leituras históricas de autores baianos.
No período Colonial até o Republicano, as escravas trabalhavam nos engenhos, nas lavouras de cana de açúcar, fumo, algodão e no comércio ambulante. Para tanto serviços eram escolhidas em várias funções e finalidades, principalmente nos serviços domésticos. A escrava teria que ser obediente, asseada, honesta, simpática e com algum saber na culinária, lavagem de roupas, paciente com as crianças, ser parteira. Eram esses requisitos básicos regidos pelas sinhás ou sinhazinhas do seu gosto, assim chamada de mucambas. No fim do período republicano já havia várias indústrias de tecelagem que preencheram a mão de obra de ex-escravos, principalmente mulheres.
Geralmente as escravas de confianças tinham a total veneração pelas senhoras e tudo que lhes pediam eram feito com muita dedicação. Na morte da sinhá ou sinhazinha a escrava entrava no seu testamento, indicada em legado de mil réis ou transferida para outra pessoa da família ou simplesmente a escrava era alforriada no testamento.
Na condição de liberta, ela seria vendeira ou fazia serviços esporádicos nas casas dos senhores, como por exemplo: aluguel de ama de leite, lavadeira de ganho, costureira, bordadeira, parteira e outros serviços. Para sustentar a família que era numerosa e quando não tinha filhos havia os parentes que acolhiam no seu lar e mantinha com donativos o “terreiro”.
Nas festas dos padroeiros das Igrejas, a escrava da senhora rica, cobria seu braço de jóias, colares e argolas de pedras preciosas e ouro emprestado pela senhora para demonstrar seu poder de “senhora de escravos” em companhia da escrava. Era notada essa atitude nos engenhos e principalmente nas cidades do recôncavo baiano. Quando retornava do passeio ou ida a Igreja, dentro do lar as escravas devolviam as jóias na presença da senhora. Caso faltasse uma jóia a escrava recebia de castigo açoites e não mais seria companheira. As escravas católicas, livres ou alforriadas, geralmente pertenciam as várias Irmandades de Santos Negros da sua devoção e principalmente de Irmandade de Nª.Sª da Boa Morte.
A vida da escrava só melhorou, quando ela foi alforriada, livre do trabalho escravo e tinha o seu “ganha pão” e não dependia do homem, parceiro de sua intimidade. A maioria das escravas e forras não tinham união estável, somente aquelas que tinham princípios na religião católica vindo dos conventos e outras que trabalhavam para os sacerdócios. Uniam-se conforme a doutrina da Igreja com escravos ou forros da sua etnia, também convertido no catolicismo. As mulheres escravas tinham mais liberdade do que os homens e por isso, havia mais facilidade de organizar o seu culto de origem. Daí porque no Candomblé existe mais mulher yalorixá do que homem. Tornando-se líder com mais poder quando recebia de doação dos senhores ou senhoras roça ou pedaço de terra para fazer o terreiro suas festas de santo. Foi assim que nasceram os primeiros “terreiros” na Bahia e cresceu a fama das yalorixás nos Candomblés.
Mas, todas eram discriminadas em suas épocas e levavam uma vida pautada em princípios rígidos da sua religião. Eram descendentes de angolanos, jejês e ketu as quais implantaram os sabores culinários que as mucambas tão bem souberam fazer.
As perseguições e o preconceito só terminaram em 1976 quando o governador da Bahia Roberto Santos sancionou um decreto liberando as casas de Candomblé da obtenção de licença e o pagamento de taxas de inscrição à Delegacia de Jogos e Costumes. Nesta época estavam registrados mais de 300 terreiros espalhados na Capital e Recôncavo baiano. Porém, muitos com a proibição fecharam e outros reabriram e poucos restaram até hoje na linha de Angola, Jêje e Ketu.
As mulheres escravas e descendentes contribuíram e muito para a formação do folclore baiano que exportaram o sabor culinário para todas as regiões brasileiras e as vestimentas típicas para o exterior. Como também, na formação economica do comércio informal da sociedade brasileira na época eram consideradas vendeiras e ganhadores os homens.
Trabalho de pesquisa de Álvaro B. Marques.
SSA, 09.08.2011
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