terça-feira, 27 de março de 2012

ANTIGAS HISTÓRIAS DAS COMUNICAÇÕES



“Os antigos escreviam em couro, folhas de palmeira ou em “líber” tronco das árvores. Posteriormente, fabricou-se papel das fibras do papyrus, espécie de “canna” peculiar do Egito e de pele de carneiro chamada “charta pergamena”, designação da palavra “pergaminho”, nota que esta invenção foi aperfeiçoada na cidade de Pergamo na Itália. Traçavam-se os caracteres com a extremidade de uma canna de açúcar e molhada em tinta; o registro dos fatos importantes gravava-se em pedra, madeira ou metal. É importante salientar que no livro de Cornelius Tácito anais IV, fl. 43, fala de um monumento histórico dos messénios anterior a guerra do Poloponese, inscrito em tábua de bronze. Censorinus de Die Natali, XXVIII, menciona documentos públicos dos etruscos anteriores a mil e quinhentos anos A.C. Moisés de Corene, escritor, Armenio, escreveu  que os antigos reis do Egito tinham registrado as leis, tratados, normas de impostos nas superfícies das paredes das pirâmides e serviam como livros aos egípcios. “Job desejava que suas palavras fossem gravadas em pedra e em chumbo”(livro de Job em hebraico). Para o uso no cotidiano servia de uma taubinha delgada revestida de uma camada de cera que riscava com uma punção de metal ou marfim, chamado stylete, cuja extremidade não aguçada se apagava os caractéres. Nas folhas de papiro ou de pergaminho, só se escrevia de um lado em folhas colocadas uma sobre a outra até completar o livro e depois fazia-se com elas um rolo que se prendia com um botão. Júlio César foi a primeira pessoa que escreveu ao senado cartas sobre as duas faces do pergaminho. E introduziu o uso, até então desconhecido. Polia as folhas com marfim, perfumava com óleo de cidreira, iluminar e dourar as letras, encadernar as bordas das folhas e o fecho. Era trabalho industrial para os escravos, livreiros e gramáticos fazerem o que todos os ricos tinham ao seu serviço Outros indivíduos de condições livre, dedicavam-se a estes mesmos trabalhos com fim comercial. Tudo era feito á mão, era comum os erros inevitáveis nas cópias, nos manuscritos sempre apresentavam incorreções. Quem queria ter um texto sem erros, transcrevia-o pela sua própria mão, como fizeram alguns gramáticos solícitos ou alguns doutores da Igreja, o que deu grande valor a certas edições como por exemplos: As obras épicas de Homero e da Bíblia. O cristianismo crescendo a arte da escrita passou dos escravos para os frades, era necessário mais divulgações dos trabalhos até criar as Homilias. Constantinopla, as ilhas do mar Egeu, a Calabria, o Monte Athos, vieram a serem outras oficinas, onde se multiplicaram os livros. São Bento impunha aos seus religiosos a obrigação de os copiarem, e muitas freiras se aplicaram a este trabalho. O prior Guignes da Grande Cartuxa, dizia nos seus estatutos: “A obra de copista é imortal; a transcrição de manuscrito é a ocupação mais própria de religiosos letrados” e acrescentava: “Ensinamos a ler a todas as pessoas que admitimos na nossa comunidade, pois que desejamos conservar os livros, eterno alimento da alma”. Os frades solicitavam às vezes o direito de caça com o fim de obterem as peles de animais para a encadernação. Em 855, São Lupus Servatus, abade de Ferriéres, mandou á Itália dois monges para copiarem o tratado do “Oratore”; Alfredo o Grande, furtava tempo aos seus importantes afazeres para transcrever muitas obras. Giovanni Boccacio(n.1313 m.1373) fez uma cópia da “Divina Comédia”, com que presenteou a Petrarca e outra obra de Tito Lívio.Quase todas as obras antigas foram transmitidas por mãos de frades. Seria ingratidão e injustiça censurar os laboriosos escreventes da idade média, por terem copiado por suas preferências os autores de livros clássicos em teologia. Os mais valiosos no seu tempo. Se bem lembrado de que antes da queda do Império do Ocidente, já algumas das obras dos grandes mestres já eram raríssimas: só existe um exemplar das obras de Aristóteles e uma de Tito Lívio o restante o tempo com a destruição desapareceram. O desbarato das obras clássicas, começaram muito antes da invasão dos bárbaros, os quais não há dúvidas que com as suas guerras e devastações aumentaram o número das perdas. Por último, o zelo excessivo e ignorância de alguns padres pela doutrina cristã e a proteção por bons costumes, esconderam e destruíram um grande número de escritos literários e científicos.  Se as dificuldades das comunicações com o Egito eram enormes por ser elevado o preço do papyrus na Europa quando os árabes ocuparam as margens do Nilo, este artigo tornou-se raríssimo por não ser possível ir buscá-lo ao local da produção. O pergaminho, sempre caro, excessivamente. Recorreu-se então a uma experiência já conhecido pelos antigos, chamado “raspa a escrita” por exemplos: “Um frade copista para obter um pergaminho de antifonário, uma coleção de orações, um tratado da confissão, tinha mais importância para ele em “raspar” a República de Cícero ou o código Teosiano.” Os antigos copistas serviam-se de letras maiúsculas sem pontuação, mas posteriormente, a necessidade de escrever depressa fez encurtar essas letras o que produziu os caracteres menores (minúsculas). Por esta razão, introduziram certas abreviações ou notas, as quais foram elevadas ao número de cinco mil permitiram aos “notari” escreverem os discursos por mais rapidamente que falassem os oradores. Os notários tiveram por missão, primitivamente registrar as decisões do Senado e das Assembléias públicas ou as últimas vontades dos  moribundos; por isso, a denominação de “notari” foi para qualquer pessoa incumbida de escrever resoluções que deviam ter fé pública. Todavia, os verdadeiros caracteres tipográficos caíram em esquecimento, a tal ponto que um “psalteiro” (letrista) tipográfico encontrado em Strasburgo, estava já classificado no catálago como “psalterio” em língua Armênia. Na época do Império Romano, os caracteres tinham nas inscrições uma forma alongada e deselegante, como vê nas paredes de Pompéia e em outras regiões do Império. São defeituosas em formação, caso bem visível nas catacumbas cristãs e nas inscrições da idade média. Ainda assim, as letras redondas, embora deformadas, continuaram a ser empregadas até o século XII. Mas, passo a passo, foi introduzido na Arquitetura o estilo gótico, com os caracteres gráficos adotando as formas angulosas das letras alemãs, depois, vulgarmente o uso de complementar com ornatos que durou até o século XV. Neste século, a bela caligrafia começou a ser apreciada e inventou-se uma grande variedade de letras com uma complexa nomenclatura. Depois do ano de 1300, D.Jacopo de Florença, frade camaldulense, granjeou créditos de ser o melhor escrevente de letras redondas entre quantos existiram antes e depois dele, e por isso se conservava a sua mão como preciosa relíquia. Frei Silvestre era tão destro em iluminar livros como Jacopo em escrever. O estudo das iluminuras é indispensável a quem pretende aprofundar na história das artes. O luxo das obras em miniaturas começou no decurso do século IX e progrediu tanto que um livro veio a ser um resumo de todas as belas-artes: poesia é saber compor, caligrafia para o copista, pintura para colorir com carmim e azul ultramarino, na confecção de peleiro(pele de animais) para a preparação da capa, cinzelura para ornar, ourivesaria para nela engastar pedras preciosas, douradas para as bordas das folhas. E não se acredita que este luxo era fantasia exclusiva dos ricos. “Daniel Merlac, escritor inglês do século XII, fala de estudantes ignorantes que sentando-se ostentosamente nas salas de aulas, colocavam na sua frente, em cima de duas ou três mesas, imensos volumes de livros, todos guarnecidos de ouro.” Como é fácil de supor, livros escritos a mão, tinham os preços elevados, custavam quantias enormes, nas cidades onde havia escolas e copistas. No século XIII existiam cinqüenta e Milão. Posteriormente, Paris e Orleans chegaram a ter dez mil e com todo esse contingente o custo podia satisfazer o gosto crescente pelos estudos e pelas controvérsias. A Universidade de Bolonha, em 1334, proibiu aos estudantes levarem livros para fora da cidade sem a sua autorização firmada e selada pelos anciões, cônsules e defensores do domínio público. Muitos catálogos de livros de quem estavam expostos em casa dos livreiros e as tarifas estabelecidas pelas Universidades, informam-nos dos preços variáveis conforme o luxo, douração e iluminuras que davam o maior valor. A carestia dos livros durou muito tempo, vejamos alguns fatores: Luis XI soube que na Faculdade de Medicina de Paris, possuía uma obra do médico árabe Rases, ordenou ao presidente Joan Driesche, que desse em penhor as suas pratas para ser permitido tirar cópia do desejado livro. Afonso V de Aragão escreveu de Florença á Antonio Picatelli de Palermo, informando-o de que o Pogge (professor de filosofia inglês) tinha para vender um Tito Lívio, por cento e vinte escudos de ouro; Picatelli vendeu uma herança para comprar o manuscrito, e o Pagge comprou terras com a quantia recebida Geralmente as Bibliotecas da época eram limitadíssimas, algumas se organizaram de certo vulto e que representava um enorme dispêndio..  A Biblioteca de Carlos, o sábio, que se encontra no Louver 920 manuscritos, quase todos bem iluminados, ocupavam dois pavimentos na torres  de uma abadia. Os livros com capa de madeira coberta de veludo ou de moiré colocavam-se horizontalmente nas prateleiras e como eram volumosos e pesados, o leitor descancava-os em estantes que giravam sobre um eixo. Gilles Malet, primeiro bibliotecário do Louvre, deixou o catálogo das obras confiadas aos cuidados do Museu. Ticleson, publicou uma carta dos arquivos de Hildburghausen(cidade da Alemanha,abadia) na qual o bispo Bruno faz doação para a abadia, sufragando a sua alma, muitos livros, quase todos ascéticos. Na Itália mais que em qualquer outro país. Havia muitas cópias de manuscritos, e para este país, em especial a Roma e aos conventos mais afamados, como a Novales, a Cava, o Monte Cassino lugares que os estudantes procuravam. Os “Aforísmo de Hipócrates” foram encontrados na Abadia do Bec.(Notre Dame – Bec em francês) Depois do século XII, começaram as Bibliotecas a tornar-se mais numerosas em todos os países da Europa. Em 1241 a Biblioteca mais importante de Inglaterra era a da abadia de Glastonbury, que continha quatrocentos volumes entre os quais um Tito Lívio, um Salustro, um Virgílio e um Claudiano. Fazia-se então que “uma igreja sem biblioteca era uma cidade sem munições.”. Eram tantas as queixas contra as incorreções das copias as mais importantes e freqüentes quanto mais se multiplicavam os manuscritos. Francisco Petrarca exclamava: “ Não há freio nem lei para estes copistas, escolhidos sem exames, sem nenhum espécie de prova, apesar de não existir tanta liberdade para os ferreiros, lavradores, tecelões e outros artistas.” Quando os estudantes tiveram o gosto para ampliarem seus estudos, mestres e sábios, sentiram a necessidade de criar novos meios de leitura para substituir o pergaminho e o papyrus. Afinal encontrou com os chineses, atribuem ao primeiro Imperador da dinastia dos Han 202 anos A.C. o merecimento de ter inventado o processo para fabricar papel de bambú, palha, casca de amoreira e até de trapo moído. O excelente papel da China que chamamos de seda, é feito da segunda casca do bambu. Além disso, os fabricantes do Celeste Império sabem há muito séculos dar ao papel o destino das escritas em decretos Imperial, na cor vermelho vivo. A raridade das comunicações entre os povos, provenientes das distâncias de um país para o outro, impediu a propagação desta utilíssima descoberta. Ainda assim, penetrou nos países independentes do Império Chinês por meios de intercâmbios comerciais entre o comércio marítimo. Principalmente divulgou-se com os Tártaros em Samarcante, uma fabrica de papel, na qual se empregava como matéria prima o algodão crú com defeito para a tecelagem. Nesta época não conheciam as pilhas hidráulicas, só se fabricavam folhas grossas e pouco homogêneas. Os árabes, assim que souberam desse grande acontecimento em manufaturas e na sua expedição para a Bulgária, transportaram-nas para Ceuta e depois passaram para a Espanha. Conhecendo a cultura do algodão, os espanhóis cristãos adaptaram  em sua fábrica  os moinhos d’agua , serviram-se preferencialmente do trapo  e inventaram as grades para o enxugo rápido da massa. A fábrica de Játiva em Valencia (primeira fábrica de papel da Europa) e outra em Toledo forneceram a Espanha o primeiro papel, chamado de “pergaminho de paño”. Não se sabe ao certo em que época foi substituído o algodão pelo cânhamo.  Miguel Casiri (n.1701 e m.1770) catálago da Biblioteca Arabico-Hispano Escurial 2 vol. Em 1760-1770. Observa que a maior parte dos livros são de papel de trapo e chamavam-lhe “chartacos”, para distinguir dos que têm papel de pele, algodão e seda. O mais antigo manuscrito em papel de algodão existe na Biblioteca Nacional de Paris com data de 1050 em papel de linho é datado de 1308 mas supõe-se que outros mais antigos existiram.
Imprensa -  Quanto mais se sabe, mais se deseja saber. Esta tendência do espírito humano é natural o gosto em conhecimentos é condição vital da sociedade em querer descobrir novas utilidades para o seu desenvolvimento. A paixão por literatura clássica impulsionava o desejo a procura e a reproduzir os livros antigos. As grandes controvérsias dos reis com os papas multiplicavam os escritores, foi quando surgiu a mais admirável entre todas as artes modernas, a Imprensa. É duvidoso afirmar quem foi o inventor, falam muito que em tempo antiguíssimo os chineses já conheciam na “Enciclopédia Chinesa” ano de 593, lê-se: “No oitavo dia do duodécimo mês do décimo terceiro ano do reinado de Wen-ti, publicou-se um decreto mandando recolher os desenhos usados e os textos inéditos, gravados em madeira para serem publicados”. A enorme quantidade de sinais em que compõe o alfabeto chinês exigiria uma caixa de composição imensa e um compositor com cem braços para poder empregar os processos usados entre nós. Na verdade a arte imobilista dos chineses parava neste ponto; Um escritor copia exatamente a obra, está copia aplica-se invertida a uma tábua a qual passam os caracteres, levantadas as folhas, corta-se e encrava o que ficou em branco. Terminada esta operação, imprime-se só de um lado. O operário, com uma escova em cada mão, dá tinta ás formas com uma dessas escovas que está molhada em tinta, e estando sobre ela, com a outra mão a folha de papel que por ter sido molhada previamente, registra o fato. Para algumas obras efêmeras, como a gazeta de Cantão, por exemplo, fazem estereótipo numa substância líquida. Porém, a mente progressiva do letrista aplicava-se a substituir as pranchas com caracteres móveis, começando por gravá-los em madeira. Não foi possível obter linhas certas e páginas uniformes senão quando se empregaram tipos em metal. Era uma operação que constituía o verdadeiro merecimento da descoberta por Jahannes Gutenberg (n.1398 e m.1468) “ alemão de  família dos Gutenberg de  Magúncia, gravador, inventor, instruído em todas as artes e patentes menores. Este homem de gênio, estabeleceu uma imprensa de tipos móveis em Strasburgo na França, cidade que si projetor. Achando-se impedido por reveses de fortuna que o afligiram de continuar a exercer a sua arte, conheceu o João Fausto(Joan Faust) que forneceu-lhe os capitais necessários para montar a imprensa em Magúncia (1450) e imprimir a Bíblia(conhecida Bíblia de 42 linhas). Também não prosperou ali, e a sua oficina foi adjudicada ao capitalista. Mas Gutenberg conseguiu organizar outra oficina e fez muitas impressões apesar do seu nome não figurar em nenhum livro. Fauto, para dirigir a oficina de que viera a ser proprietário agregou a Pedro Schaefer, mancebo de Gernaheim que substituiu ao chumbo um metal duro e descobriu a tinta oleosa conveniente para a impressão.Também inventou punções com os quais se tornou possível a fundição dos tipos em moldes. Formulou assim o primeiro livro impresso com caracteres móveis entre os anos de 1450 a 1455. Alguns exemplares são em pergaminhos, com tinta excelente. Propagando-se a inversão com extraordinária rapidez. Além de muitos livros sem data que certamente pertenceu nos primeiros anos da criação da tipografia, existem vinte e quatro impressos na Alemanha desde os anos de 1461 até 1471. O inglês Guilherme de Tiro ou Willelmus Tyrenses cronista das cruzadas da Idade Média publicou a História de Tróia, traduzido para o francês o primeiro livro, quando ainda vivia Philip de Borgonha, Ubericon Gering, Crontz e Freiburg, discípulo de Fauto. Estabeleceram em Paris em 1469 na Sorbona. O livro do ourives Gemini foi o primeiro que se imprimiu na Itália. Os caracteres gregos escreviam-se a mão até que Nizar Zarot fundiu em Milão quantidade suficiente para poder editar a Gramática de Lascaris, grega, em 1479 e assim procedeu-se outras edições com novos autores italianos.  Auxiliados por Lourenço de Médicis, publicou as obras épicas de Homero em Florença no ano de 1488. O primeiro livro em Hebraico, os “Comentários de Iarki”, sobre o Pentateuco ( estudos dos primeiros livros judaicos), imprimidos em 1482 em seis anos depois da Bíblia completa. Em Espanha, introduziu-se a tipografia em 1474, primeiro em Valencia e depois em Saragoça, Barcelona, Sevilha. Os primeiros impressos espanhóis foram de Antonio Martinez, Bartolomeu Segura, Afonso del Puerto são nomes figurados nas estampas em Sevilha em 1477. Já nesta época, século XV, a imprensa dos tipos móveis de chumbo fundido expandiu-se a partir do século XVIII foi usado para imprimir jornais. A imprensa não demorou de introduzir-se nas outras partes do mundo. Os portugueses levaram a Gôa e as Filipinas: O primeiro livro da América espanhola apareceu no México em 1571. O primeiro livro da América Inglês, saiu do colégio de  Cambridge perto de Boston em 1639. Em 1689 William Penn (n.1644 m.1718) inglês, introduziu a impressa em Filadélfia nos EE.UU da América do Norte.” 
 Fato importante na imprensa:
Napoleão Bonaparte organizou uma imprensa no Egito quando invadiu este país em 1799. Foi nesta época que um soldado de seu batalhão, descobriu em meios dos escombros das ruínas a “Pedra de Roseta” supõe ser a primeira prova escrita em pedra pelo homem., contém inscrições do Egito antigo.
No meado do século XX em diante, os jornais passaram a ser também radio difundido (radiojornal e telejornal).

A imprensa no Brasil “ estabeleceu-se uma tipografia, a primeira da Bahia, onde foi impresso à “Gazeta Idade de Ouro”. Fundou e organizou a Biblioteca Pública em 13 de maio de 1810 e inaugurou a 13 de maio de 1811. No governo do Conde dos Arcos, D. Marcos de Noronha e Brito em (1810 á 1814).
É bom lembrar que o jornalismo nasceu em Pernambuco em 1706 depois no Rio de Janeiro em 1747. Ambos fechados e lacrados em suas épocas por força da coroa portuguesa no Brasil Colonial. Na vinda de D. João VI ao Brasil em 1808 foi instituída a Imprensa Réis. Com muita vigilância e censura.
Fontes bibliográficas:
História Universal – autor César Cantu publicado de 1879
História da Imprensa no Brasil – autor: Nelson Werneck Sodré
Vida Econômica – Financeira da Bahia – autor Francisco Marques de Góes Calmon – publicado em 1925 SSA/Ba
Pesquisa de Álvaro B. Marques


O PASSADO HISTÓRICO DA IMPRENSA E JORNAIS DA BAHIA.
                                DE  1811 A 1936
A carta régia de 6 de julho de 1747, proibiu o uso da Imprensa no Brasil em todo o período Colonial. Com a vinda de D. João VI e a sua comitiva, foi concedida por Carta Régia a abertura dos portos e a implantação da Imprensa no Brasil em 1808. Em 5 de fevereiro de 1811, concedeu licença a Manoel Antonio da Silva Serva, para montar uma oficina tipográfica.
“Tendo chegado da Europa a tipografia, foi montada a oficina em um dos “Arcos de Santa Bárbara” na freguesia da Conceição da Praia, no comércio”
Começou logo a funcionar, dando luz a várias publicações, hoje talvez muito rara como o “Plano para o Estabelecimento da Biblioteca Pública na Cidade da Bahia de Todos os Santos”.
O conde dos Arcos, D. Marcos de Noronha e Brito dita a portaria que regulariza a Imprensa e determina regras que deve ser vista, para o relator No dia 14 de maio de 1811, surgiu o primeiro jornal baiano, “A Idade de Ouro”. Saía duas vezes por semana, às terças e sextas feiras, ao preço de 60 réis o exemplar e assinatura anual era de 8$000 réis, em pequeno formato, publicava notícias oficiais, comerciais e suas importações e exportações, sendo seus artigos sujeitos a Comissão de Censura. Durante muitos anos, até 1820, foi o único representante do jornalismo baiano. A tipografia funcionou até 1821, como proprietário Manoel Serva e por sua morte passou a viúva Serva e Carvalho depois viúva Serva e Filhos, sempre no mesmo endereço. Seus filhos José Antonio da Silva Serva e Manoel Antonio da Silva Serva constituíram outros estabelecimentos distintos. Mas sempre eles foram dedicados ao jornalismo.
O jornal “A Idade de Ouro”, periódico, trazia entre as duas primeiras palavras na capa o titulo, as armas reais e mais abaixo os versos de Sá de Miranda: “Falai em tudo verdade a quem em tudo as deveis”. Redigido pelo Bacharel Diogo Soares da Silva Bivar e o padre Ignácio José de Macedo, a “Idade de Ouro do Brasil” teve sua prolongada publicação até 24 de junho de 1823 e nos últimos três anos o periódico fez parte ativa nas lutas políticas da época, era conservador e estritamente a favor da coroa portuguesa. Assim teve confronto com o Diário Constitucional, órgão nacionalista, (1821 à 1822) nascido da iniciativa de Francisco José Corte Real, mais conhecido por Corte Imperial e redigido com brilho e denodo, por ele e por Francisco Gomes Brandão Montezuma, José Avelino Barbosa e Euzébio Venâncio. Também fez parte o tipógrafo Álvaro da Costa que fugiu desta cidade para levar as notícias da invasão da ilha para os itaparicanos em janeiro de 1823. Em 1822 passou a chamar-se “O Constitucional” só durou até 30 de agosto de 1822, fechado pelas tropas lusitanas estimulada por um português chamado “Ruivo”.
Sentinela da Liberdade”- Redigido por Cipriano José Barata de Almeida no cárcere do Quartel General de Pirajá em 1831 à 1834. Anterior a este chamava-se “Liberal” como também teve o nome de “Novo Sentinela da Liberdade” em cada fechamento do seu jornal ele abria outro com o mesmo timbre de revolucionário.
Diário da Bahia – Fundado em 1856 da firma de Manuel Jesuino Ferreira e Cia. Passou para Dr. Demétrio Cyriaco Tourinho. Em 1868, passou a ser sociedade anônima e foi órgão do Partido Liberal até a extinção desse partido. Teve como redatores: Conselheiro Dantas, Rodolfo Dantas, Ruy Barbosa, Belarmino Barreto, Augusto Guimarães, Severino Vieira, Aurelino Leal, Carlos Ribeiro, Carlos Brandão e outros. Foi órgão oficial de 1900 a 1907 em 1912 paralisou-se.
Gazeta da Tarde – Começou a funcionar em 1880 até 1889, jornal abolicionista de Pompilho Santa Cruz.
Estado da Bahia – Saiu o primeiro número em 1853, com o nome de “Jornal da Bahia” e pertencia ao Partido Conservador. Em 1879 passou a chamar-se “Gazeta da Bahia” e em 1890 já estava com o nome de “Estado da Bahia”
Jornal de Notícias – Fundado em 1878, reformado em 1886 e em 1889 obteve medalha de ouro na Exposição Universal .Aloysio de Carvalho e Irmãos.
Diário de Notícias – Publicado em primeiro de março de 1875 fundado por Manoel da Silva Lopes Cardoso.
Correio de Notícias – Constituído em 28 de abril de 1892. Foi órgão oficial até 1900.
O Monitor – Constituído em 1876 à 1881 foi órgão do Partido Liberal dissidente. Redigido por várias personalidades da época, dentre eles Belarmino Barreto, Pedro Antonio Falcão Brandão, Antonio Eusébio de Almeida e Antonio Alves de Carvalho.
As Chonicas – Saía sempre aos domingos, redigido pelo médico Dr. Carvalhal, muito apreciado pela sua veia humorista.
Gazeta da Bahia – Órgão do Partido Conservador, iniciou a publicação em 1879 a 1890. Era redigido pelos Drs. José Eduardo Freire de Carvalho, João Martins da Silva Telles, João Augusto Neiva, José Luiz de Azevedo, Américo de Souza Gomes, José Eduardo Freire de Carvalho Filho e Romualdo de Seixas Filho.
O Guaycurú – Fundado em 24 de agosto de 1870 de propriedade do Dr. José Álvares do Amaral. Por várias vezes teve advertência pela censura.
A República Federal – Fundado em 1888 a 1890 – Órgão do Clube Republicano Federal, destinado a propaganda Repubicana. Redadores: Landulfo Medrado, Cosme Moreira, Virgílio de Lemos, Eudoro Valle e Carlos Afonso.
Pequeno Jornal – Sua primeira publicação foi no ano de 1880 até 1892. Redatores: Eduardo Carigé, Dr. Antonio José de Mello, Cézar Zama e Cerqueira Lima.
O República – Fundado em 1897 até 1898. Órgão do Partido Constitucional. Era seus proprietários; Dr. José Gonçalves da Silva e o Barão de Jeremoabo Dr. Cícero Dantas Martins. Teve como redator o Dr. Odilon Santos.
O Tempo – Em 1901 deu inicio a sua publicação, teve como chefe da redação o Dr. Telemont Fontes. Com vida curta e no ano de 1917 existiu outro Jornal com o mesmo nome no Governo do Dr. Antonio Moniz.
O Norte – Fundado em 1905 até 1907, redatores Drs. Joaquim Pires Moniz de Carvalho, Luiz Pinto de Carvalho, Rodrigo Brandão e Antonio Moniz.
Gazeta do Povo – Deu inicio a sua publicação em 1905 a 1911 teve como redatores:  Virgílio de Lemos e Octávio Mangabeira. Já em 1910, passou a ser órgão do Partido Democrata e teve como redatores Drs. Pinto de Carvalho, Antonio Moniz, Simões Filho, Octávio Mangabeira e Xavier Marques.
O Dia             - Publicado em 1908 teve como redator Dr. Baptista de Oliveira.
Jornal do Povo – Publicado em 1906, redatores Drs. Aurelino Leal e Gilberto Velloso.
Jornal da Manhã – Publicado em 1908 até 1909, redator-chefe Dr. Ervídio Filho.
A Bahia – Órgão oficial, teve inicio a sua publicação em 1907 até 1912.
A Tarde – Fundado em 1912 no dia 15 de outubro por Ernestro Simões Filho.
O Democrata – Fundado em 1916. Este foi o jornal chamado Democrata o mais novo teve vida curta e o mais antigo também com o mesmo nome fundado em 1833 até 1836, republicano. Redator Domingos Guedes Cabral.
O Jornal – Fundado em 1925, levou poucos meses de vida.
O Imperial – Fundado em 1920 até o ano de 1933 circulava.
A Era Nova – Fundado em 1930 também teve vida curta.
Alabama – Fundado em 1872 como redatores: José Marques de Souza e Aristides Ricardo de Sant’Anna. Vida curta.
Jornal da Bahia – Fundado em 1872, redator Francisco José da Rocha. Teve pouco tempo em circulação.
Correia da Bahia – Fundado em 1872, redator-proprietário Inocêncio Marques de Araújo Góes Júnior.
Diário do Povo – Fundado em 4 de maio de 1883 proprietário Francisco Beltrão redator.
Os Jornais tiveram sempre mudanças de propriedade como no caso dos Jornais: Diário de Notícias= Manoel da Silva Lopes Cardoso. Diário da Bahia= Augusto Alves Guimarães. Gazeta da Tarde= Pampilho  de Santa Cruz.
Nota: Os Jornais baianos no século 19 faziam anúncios de escravos fugidos publicavam sempre escritos nesses termos, essas palavras: mucambas, moleque, bonita peça, rapaz pardinho, rapariga de casa de família e outros pejorativos muito comuns na época da escravidão. Sua maior atenção eram os anúncios comerciais que sustentavam os jornais.
Faço lembrar que todos os Jornais na Bahia no século 19 tiveram vida muito curta. Sendo o principal motivo o alto custo do papel na importação e o preço cobrado ao consumidor não era suficiente para cobrir todas as despesas. Quando fechava um abria outro, sempre acrescentando ou destituindo-se um sócio. Havia nos jornais caricaturas de políticos com motivos humorista. O único com vida longa neste período foi o Diário da Bahia – Fundado em 1856 até 1912. Hoje o mais antigo da Bahia é o Jornal A TARDE  que foi fundado em 15 de outubro de 1912 vai completar 100 anos no mês de outubro deste ano 2012. Parabéns, antecipado, querido Jornal.
“A primeira Revista de Agricultura no Brasil, foi a baiana em 1832 até 1836. O “Jornal da Sociedade de Agricultura, Comércio e Indústria da Província da Bahia” sendo o primeiro presidente Manuel Ferreira da Câmara Bittencourt e Sá antigo companheiro de José Bonifácio. Permaneceu o Jornal até 1836. Funcionou no salão do Convento de São Francisco”. (Afrânio Peixoto, “Livro de Horas”)
“Em 1936, havia três vespertinos diários: “A Tarde” publicado na praça Castro Alves. O “Estado da Bahia”, publicado na rua Portugal, nº 6 – Comércio. O “Diário de Notícias”, publicado na rua Santos Drumont, nº 21 Comércio. Havia também dois matutinos: “O Imparcial”, publicado na rua Ruy Barbosa, nº 3 e o “Diário da Bahia” no inicio da rua Carlos Gomes, nº79. Publicavam-se com grande acompanhamento quatro Revistas mensais: “Única” fundada em 1929 – “Revista da Bahia”, fundada em 1935 “Bahia Rural” fundada em 1930 e o Boletim da “Associação Comercial da Bahia” cujo primeiro número saiu em 1910 e o último deixou de circular em 1932 mas foi substituído por Revista em 1977 até nossos dias.
Comentários do autor: Naquela época a população de Salvador era bem menor do que hoje, e o povo era ávidos por notícias, tendo a leitura o seu melhor divertimento. Contavam também com o hábito de ouvir as notícias pelo rádio de cabeceira de cama. Muito popular no Brasil e de grande participação nos meios de comunicações. Por isso, acho que no passado não muito distante, os redatores de jornais tinham mais coragem e polidez para criticar, acusar e derrubar políticos duvidosos. Dizer sempre a verdade, nada mais que a verdade importa. O jornalismo, sendo por sua finalidade um gênero útil a toda sociedade, no estrito dever de orientar, esclarecer e divulgar opiniões concretas ao leitor. É bom lembrar que: Palavras são palavras, meramente palavras. Sem as palavras o homem não sabe si expressar o que seus sentimentos pedem. É necessário pensar, sentir e falar.
Estevão Cruz em sua opinião diz: “O Jornal é uma publicação, diária ou periódica, de índole diversa, mas sempre de interesse geral. Pode ser político, literário, artístico e comercial etc., mas a sua missão é sempre orientar a opinião pública”. (“Programa de Vernáculo”-Estevão Cruz)
A VOZ DA IMPRENSA
“Certamente a imprensa que é o mais poderoso meio de educar e civilizar os povos, assim como de formar e dirigir a opinião; a imprensa que é a mais eficaz das garantias do direito e da liberdade; a imprensa que é a mais excelente e profícuo instrumento do progresso social, não pode desviar-se mais de seus altos destinos, nem servir a causa menos pobre.”
“A imprensa não foi inventada para os opressores, mas para a liberdade dos oprimidos, para a justiça, para a instrução, para a verdade das vozes presas nas gargantas daqueles que buscam a liberdade de opiniões.” ”(Texto extraído do livro: “A Escravidão o Clero e o Abolicionismo” autor: Luis Anselmo da Fonseca – publicado em 1887 na Bahia).
Em 1870 fundou-se a Associação Tipográfica da Bahia até a década de 30 quando foi extinta gradualmente essa instituição por força da implantação de novo sistema de impressão fotoquímico. (A Tipografia na Bahia/Ipanema)
Fonte Bibliográfica: A Margem da História da Bahia – autor: Francisco Borges de Barros
Anuário da Imprensa Baiana de 1811 á 1911.
A História da Imprensa na Bahia – (de 1811 á 1930)
Livro de Horas – autor: Afrânio Peixoto.
A Escravidão o Clero e o Abolicionismo – autor: Luis Anselmo da Fonseca
A Tipografia na Bahia – autor: Marcelo Ipanema e Cybelle.
Álvaro B. Marques



terça-feira, 16 de agosto de 2011

O DESENVOLVIMENTO SOCIAL DA ESCRAVA AFRICANA NA BAHIA.


Vou te passar o que é do meu conhecimento adquirido em leituras históricas de autores baianos.
No período Colonial até o Republicano, as escravas trabalhavam nos engenhos, nas lavouras de cana de açúcar, fumo, algodão e no comércio ambulante. Para tanto serviços eram escolhidas em várias funções e finalidades, principalmente nos serviços domésticos. A escrava teria que ser obediente, asseada, honesta, simpática e com algum saber na culinária, lavagem de roupas, paciente com as crianças, ser parteira. Eram esses requisitos básicos regidos pelas sinhás ou sinhazinhas do seu gosto, assim chamada de mucambas. No fim do período republicano já havia várias indústrias de tecelagem que preencheram a mão de obra de ex-escravos, principalmente mulheres.
Geralmente as escravas de confianças tinham a total veneração pelas senhoras e tudo que lhes pediam eram feito com muita dedicação. Na morte da sinhá ou sinhazinha a escrava entrava no seu testamento, indicada em legado de mil réis ou transferida para outra pessoa da família ou simplesmente a escrava era alforriada no testamento.
Na condição de liberta, ela seria vendeira ou fazia serviços esporádicos nas casas dos senhores, como por exemplo: aluguel de ama de leite, lavadeira de ganho, costureira, bordadeira, parteira e outros serviços. Para sustentar a família que era numerosa e quando não tinha filhos havia os parentes que acolhiam no seu lar e mantinha com donativos o “terreiro”.
Nas festas dos padroeiros das Igrejas, a escrava da senhora rica, cobria seu braço de jóias, colares e argolas de pedras preciosas e ouro emprestado pela senhora para demonstrar seu poder de “senhora de escravos” em companhia da escrava. Era notada essa atitude nos engenhos e principalmente nas cidades do recôncavo baiano. Quando retornava do passeio ou ida a Igreja, dentro do lar as escravas devolviam as jóias na presença da senhora. Caso faltasse uma jóia a escrava recebia de castigo açoites e não mais seria companheira. As escravas católicas, livres ou alforriadas, geralmente pertenciam as várias Irmandades de Santos Negros da sua devoção e principalmente de Irmandade de Nª.Sª da Boa Morte.
A vida da escrava só melhorou, quando ela foi alforriada, livre do trabalho escravo e tinha o seu “ganha pão” e não dependia do homem, parceiro de sua intimidade. A maioria das escravas e forras não tinham união estável, somente aquelas que tinham princípios na religião católica vindo dos conventos e outras que trabalhavam para os sacerdócios. Uniam-se conforme a doutrina da Igreja com escravos ou forros da sua etnia, também convertido no catolicismo. As mulheres escravas tinham mais liberdade do que os homens e por isso, havia mais facilidade de organizar o seu culto de origem. Daí porque no Candomblé existe mais mulher yalorixá do que homem. Tornando-se líder com mais poder quando recebia de doação dos senhores ou senhoras roça ou pedaço de terra para fazer o terreiro suas festas de santo. Foi assim que nasceram os primeiros “terreiros” na Bahia e cresceu a fama das yalorixás nos Candomblés.
Mas, todas eram discriminadas em suas épocas e levavam uma vida pautada em princípios rígidos da sua religião. Eram descendentes de angolanos, jejês e ketu as quais implantaram os sabores culinários que as mucambas tão bem souberam fazer.
As perseguições e o preconceito só terminaram em 1976 quando o governador da Bahia Roberto Santos sancionou um decreto liberando as casas de Candomblé da obtenção de licença e o pagamento de taxas de inscrição à Delegacia de Jogos e Costumes. Nesta época estavam registrados mais de 300 terreiros espalhados na Capital e Recôncavo baiano. Porém, muitos com a proibição fecharam e outros reabriram e poucos restaram até hoje na linha de Angola, Jêje e Ketu.
As mulheres escravas e descendentes contribuíram e muito para a formação do folclore baiano que exportaram o sabor culinário para todas as regiões brasileiras e as vestimentas típicas para o exterior. Como também, na formação economica do comércio informal da sociedade brasileira na época eram consideradas vendeiras e ganhadores os homens.
Trabalho de pesquisa de Álvaro B. Marques.
SSA, 09.08.2011

sábado, 30 de julho de 2011

MEMÓRIA DA ESCRAVIDÃO NA BAHIA

MEMÓRIA DA ESCRAVIDÃO BRASILEIRA
EM PARTICULAR NA BAHIA.
Na viajem ao destino do Brasil, muitos escravos morriam no caminho dentro do porão dos navios negreiros e os corpos eram jogados no mar. As mortes eram ocasionadas por doenças e eles viajavam juntos homens, mulheres e crianças em local insalubre, com pouca claridade, alimentação reduzida. Homens vestidos de tangas, mulheres com saias rodadas, peitos a mostra e crianças nus. Havia certos capitães de embarcações que permitia os escravos fossem ao convés para receber ar puro, sol e água fresca. Aproveitando esse momento os escravos mais desesperados se jogavam ao mar, provocando o suicídio.
Era um comércio de grandes lucros como também de muitas perdas de escravos e mercadorias nos assaltos dos piratas franceses, ingleses e holandeses. Não contando com as doenças que os escravos traziam e adquiriam na viajem de 15 a 20 dias.
Ao chegar ao porto brasileiro, os escravos eram amarrados, expostos e vendidos nas ruas perto do porto e pernoitavam em armazéns. Alguns vinham com sinais tribais na parte visível do corpo, geralmente eram cortes pequenos, horizontais no rosto ou queimadura de cachimbo no ombro ou no braço. Prova de castigo por ter feito algum delito determinado por Soba. E muitos eram presos de guerras tribais.
Tão logo aparecia comprador e na posse o novo dono declarava em batismo o nome do novo escravo, por vezes marcava o escravo com sinal particular. Perdendo assim a identidade africana e a separação familiar. Os grandes negociantes da praça do comércio da Bahia eram os maiores traficantes de escravos. Eles tinham as suas próprias embarcações para este comércio e quando os escravos chegavam não demoravam muito tempo em seu poder, eram logo vendidos mesmo quando o tráfico foi proibido em 1850 sobre a Lei Inglesa “Bill Aberdeen” para fazer pressão a sociedade brasileira e a Lei Eusébio de Queiroz reforçando internamente, mas assim mesmo, o tráfico continuou.
Em 1885 cresciam as pressões da Inglaterra por ser o Brasil a única nação americana que mantinha a escravidão.
1871 – Lei do Ventre Livre estabelece a Liberdade para os filhos de escravas nascidos depois da data. Nesta época, já havia um grande numero de escravos velhos e doentes e os senhores de Engenhos e fazendas não podiam renovar as suas escravaturas.
1885 – Lei Saraiva VS Cotegipe ou mais conhecida como Lei do Sexagenário, pela Princesa Isabel, livre todos os escravos com mais de 60 anos.
Foi despejado em nosso porto centenas e milhares de escravos vindos de várias regiões da África as etnias chamada aqui na Bahia por Nagô - Bantu, Benguela, Manjolo, Mina, Angola, Jeje, Clava, Moçambique, Guiné, Congo, Ketu, Ige-já.
Grupos islamizados: Aussá, Mandigas, Fulas, Tapas, Bornu, Gurunsi. Esses sudaneses não se misturavam com outras etnias e tão logo fosse possível comprava a sua carta de alforria. Os escravos livres “forros” geralmente tinham os seus ofícios; pedreiro, carpinteiro, ferreiro, sapateiro, barbeiro, alfaiate, artesão, musico, pintor de parede, vendedor ambulante, calafate e outros poucos eram pequenos comerciantes. Valor do escravo nos Engenhos (custo por serviço) havia escravos oficiais e mestres de 200$rs. Assim como moleques de 50,60,70,80$rs chamados naquela época “contos de réis” Mas, para obter a carta de “alforria” era necessário pedir ao seu senhor e comprar pelo valor estipulador por ele ou preço de mercado em dinheiro que vinha através de caixa das confrarias, reservas pessoais, e doação em legado do seu senhor em testamento por ser o escravo fiel, obediente e acima de tudo honesto. Como eram comuns, os padres possuidores de escravos, além da carta de alforria, deixava em testamento uma boa quantia em dinheiro para a sobrevivência do escravo ou escrava. Todas as Ordens Religiosas tinham escravos quando não era comprado recebia em doação dos fieis. Esses escravos eram os mais bem alimentados, vestiam dignamente, educados, católicos e quase sempre casavam com seus pares sobre os olhos da igreja.
Era notado que o escravo livre em alguns casos tornava-se comerciante o que lhe permitia comprar escravos e usar em seus serviços. Um sistema que parecia não ter fim. Até que o movimento abolicionista ocorrido em 1870 a 1888 que defendeu o fim da escravidão tornou-se realidade com a assinatura da Lei Áurea em 13 de maio de 1888 pela Princesa Isabel, Lei nº 3.353 – libertando todos os escravos e extinta definitivamente a escravidão no Brasil. Mas para chegar a esta deflagração mais de três séculos e meio foi a escravidão no Brasil de 1532 conforme alguns historiadores até 1888. A libertação chegou e encontrou centenas de escravos nos Estados da Bahia, Pernambuco, Maranhão, Alagoas, Sergipe, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo “sem eira e sem beira” como dizia na época o povo, vagando pelas ruas, pedindo esmolas com o seu corpo deformado por excesso de trabalho ou feito pelos castigos impostos sem condições de trabalhar. Salvo, aqueles que trabalhavam nas minas e nas plantações de café permaneceram com seus senhores e já eram alforriados
ficando com aqueles que lhes tratavam bem. Outros tinham a sua profissão definida, independente. Alguns já estabelecidos no comércio, alforriados junto com os pais. A liberdade veio sem os escravocratas terem preparado este povo para uma vida em liberdade, sem trabalho, sem moradia e muitos sem família. Os abolicionistas queriam a liberdade dos escravos total e irrestrita, mas não educaram este povo carente de liberdade e saber. O tempo fez a História deles neste País chamado Brasil.
Tenho que acrescentar neste texto que a expressão chamada “escravo latino” significava que era ex-escravo nascido no Brasil e que falava português.
Trabalho de Álvaro B. Marques.

A HISTÓRIA DAS REVOLTAS DOS ESCRAVOS


A HISTÓRIA DAS REVOLTAS DOS ESCRAVOS AFRICANOS NA BAHIA
A HISTÓRIA NEM SEMPRE SEGUE O CAMINHO DA VERDADE, QUANDO NÃO É ACRESCIDA É REDUZIDA EM FATOS E DATAS INCERTAS. O DOCUMENTO AFIRMADO POR PESSOA FIDEDIGNO PODE CONSIDERAR VERDADEIRO É O QUE EU POSSO AFIRMA DO AUTOR JOSÉ CARLOS FERREIRA NA SUA NARRATIVA SOB O TITULO: “As Insurreições dos Africanos” com bases nos documentos conservados no Arquivo Público da Bahia e nas correspondências dos Governadores nos anos 1783 a 1807 – Conforme consta no livro do Inst. Hist.Geo. da Bahia – vol.nº29. Veja na integra abaixo:
“No governo de Vasco Fernandes César de Menezes, conde de Sabugosa, nos anos de 1720 a 1735. Constatando este vice-rei a notável decadência da agricultura baiana, pela escassez de braços trabalhadores, resolveu incentivar os negociantes a renovarem o comércio de escravos com a Costa da Mina, e mandando construir 24 navios, os repartiu pelas casas mais tradicionais da praça da Bahia. Ordenando que colocassem peças de artilharias para resistir aos ataques de holandeses e piratas. Sendo, porém, pequenas estas embarcações para enfrentarem os navios de guerra inimigos, foram ineficazes os desejos do vice-rei.
Em 1º de abril de 1751 foi constituída a mesa de inspeção para fins comerciais. E o comércio de escravos com aquela Costa começou a tomar rumo e por esse tempo o tráfico era monopolizado por alguns negociantes dos mais ricos da capitânia.
No governo de D. Marcos de Noronha e Brito, 6º conde dos Arcos e vice-rei do Brasil, mandou D. José I, em virtude da resolução de 6 de março de 1756 do conselho de Ultramar, que se permitisse a todos franca liberdade de comerciar com a Costa de Mina. Por circunstâncias especiais em que se achava a capitânia da Bahia, por ser a única produtora de tabaco em largo escala, tinha o privilégio do comércio com a Costa, onde viviam as tribos mais guerreiras do Centro da África; Aussás ou Uasás, Mandingas, Tapas, Fulos, Bornu, Gurunsi esses espalhados por toda a África Central, chamados de sudaneses e outros de origens nagôs Bantus, Benguelas, Monjolo, Mina, Angola, Jeje Calava, Moçambique, Ketu, Guiné, Benin, Congo que vivia em constantes guerras entre si e os presos eram vendidos ou permutava como espécie de mercadoria nos portos de domínios portugueses por gêneros levados do Brasil. Principalmente o tabaco era o que mais procuravam. Trazendo os navios “negreiros” centenas de cativos e despejando no porto da cidade legiões que eram legalmente expostos, examinados e vendidos a preços vil, cem mil réis por cabeça os mais fortes e de boa saúde. Aqueles vindos doentes teriam outros valores e os mais novos, perfeitos, os preços muitas vezes dobrariam. Eram os braços fortes da lavoura, os únicos que resistiram às intempéries do clima quente e aos penosos e rudes trabalhos no campo. Porque os indígenas filhos da terra não obedeciam e a principio tinham a proteção dos jesuítas e depois dos padres nos Conventos.Foi através dos Bandeirantes que houve o extermínio da maioria das tribos indígenas do Brasil.
Na primeira década do século XVIII, contava a cidade da Bahia, pouco mais de cinqüenta mil habitantes, divididos em quatorze mil brancos, onze mil mestiços e vinte e cinco mil negros. O tráfico era o maior fator de aumento de sua população. Só no ano de 1807 entraram na capitânia 8.037 escravos e não fora menor nos anos anteriores.
Neste período os escravos vendedores e carregadores eram muitos, pagavam a seus senhores diária de oito a 12 vinténs para ter esse trabalho livre e aqueles que os senhores empregavam em seus serviços domésticos ou comerciais. Como também, havia senhores que alugavam seus escravos para fazerem serviços a particulares. Esses tinham licenças para se divertir a noite e nos dias santificados. Durante o dia reuniam-se em grupos nos cantos das ruas de maior movimentação, sentado em banco ou acocorado nas portas a espera de carreto ou recados. Vestidos em calças de algodão grosso, camisas sem mangas também de algodão grosso, carapuças (toucas) de várias cores na cabeça ou chapéu de palha por eles fabricados nas horas de ócio. Era comum ver escravas com cesto ou tabuleiro na cabeça nas ruas mercando os produtos do seu exótico comércio ou produtos das lavouras dos seus senhores. Elas carregavam nos braços e pescoços ornados de figas e missangas, dependurados os tenros filhos aos quadris, seguros pelo “pano da costa” atravessado a cintura. As raparigas ocupavam-se dos trabalhos domésticos sob a guarda das famílias, cujo luxo consistia em terem aos seus serviços várias mucambas como eram chamadas. Não mantinham união estável com seus pares e não se misturavam com escravos de outro grupo. Nas horas de folga dançavam, tocavam os seus batuques nos lugares reservados e as vezes com ordem de nhô eles batucavam nas senzalas. Principalmente nos domingos e festas de santos padroeiros. Nas ruas e largos era sempre bem visto nas portas das Igrejas cujos toques musicais eram ouvidos a distancia os cantos lúbricos. Os escravos dos Recôncavos e das lavouras eram tratados como animais de trabalho, mal alimentados e muito deles tendo apenas a tanga por vestimenta. Os escravos da cidade eram mais bem vestidos e bem alimentados, principalmente aqueles que trabalhavam para o clero e conventos.
Muitos escravos odiavam os senhores, porque estes os maltratavam pelos mais simples delitos e às vezes os castigos causavam-lhes a morte ou deformação no corpo. Muitos fugiam para os quilombos existentes nas mata fechada afastada da cidade e roubavam os viajantes e os proprietários do arrabalde. Espalhavam o medo e o terror, até que no governo do conde da Ponte, mandou em 1807 o capitão-mór Severino da Silva Lessa, dar cabo dos quilombos e no dia 30 de março, mesmo ano, o capitão-mór e mais 60 homens da tropa de linha, com auxilio dos oficiais do mato e cabos de polícia, cercaram várias casas suspeitas nos vilarejos de N.S. dos Mares e Cabula, prenderam 78 escravos e forros. Todos foram fazer serviços nas Fortalezas e melhoramentos da cidade (calçamento de ruas, capinação e conserto em lugares públicos ) com essas primeiras medidas de apoio os senhores dos escravos tornaram-se mais cruéis e os escravos mais irritados com este motivo. Naquele ano surgiu o levante contra os brancos, liderado por escravos de raça aussá. Organizaram debaixo de muito sigilo, uma conspiração em reuniões com armas em determinados lugares, na capital e no recôncavo. Foram escolhidos os chefes, Antonio como embaixador e Balthazar no comando dos companheiros na Capital. O primeiro era forro, vivia de pequeno comércio entre StºAmaro e a Capital, gozando de prestígio e da confiança dos companheiros. O segundo era muito inteligente e insinuante, chamavam de “capitão”, era escravo do seringueiro Francisco das Neves, morador na rua do Corpo Santo. Era ele o principal líder quem aliciava os companheiros para se juntarem a subversão.
Tinham como objetivo apoderar-se da Casa da Pólvora e das Armas, incendiar a Alfândega e a Capela de Nazaré. Desviaria a atenção da tropa e do povo que acudiriam a esses incêndios para facilitar a execução do plano. Esse foi o depoimento de um dos presos, como também, afirma que tentariam envenenar às fontes públicas para matar os senhores e vitoriosos constituiriam um governo, elegendo um rei e se apossariam das embarcações estavam ancoradas no porto e com este meio, viajariam para a sua Pátria. A denúncia foi feita no dia 27 de maio do mesmo ano e no dia seguinte, no inicio da noite, efetuariam o levante. Com a denúncia, foram verificados os indícios e todas as providências feitas. Seriam funestas conseqüências para os habitantes da Capital e do Recôncavo. O assalto seria na quinta-feira na hora da passagem da procissão de Corpus Christi. Sabendo disso, o conde da Ponte deu ordem por escrito aos seus subordinados para reforçar e colocando em prontidão as tropas nos lugares indicados. Sem alarde, e tomassem a saída da cidade e entrada. Assim a tropa cercou as casas da rua Direita do Corpo Santo, fizeram busca e apreensão de objetos considerados perigosos. Presos 13 escravos, os principais cabeças e encontraram, chuços, flechas, arcos, pistolas, facas e facões, tambores de guerra chamados Batacotó, instrumento de comunicação entre a comunidade distante em razão de sua forte potência.
Abriu-se uma sindicância, devassa, foram presos e submetidos a processos. Os dois principais culpados, Antonio e Balthazar, foram condenados a morte, e os demais açoitados na praça pública em 20 de março de 1808.
Em 1809 houve muitas fugas de escravos gêges e nagôs das casas e Engenhos para formar quilombos nas matas de difícil acesso. Foram para o sítio distante 9 léguas da Capital nos vilarejos chamados de Paripe e Periperi, na passagem, os rebeldes, devastaram e cometeram atrocidades, roubos, incêndios e ferimentos graves em quem fosse deter o seu trajeto.
O Governador tendo conhecimento dos fatos mandou uma tropa para essas localidades e cercou a saída e a entrada que iam ter ao Recôncavo a fim de impedir que a notícia da fuga chegasse aos Engenhos. Surpreendidos, os escravos na manhã do dia 6 de janeiro pelas tropas, no mato, junto ao riacho do Rio Prata, cercaram e intimaram os rebeldes que não se entregaram, resistiram, atacando a tropa, as quais se viram obrigadas a fazer uso das armas de fogo, matando alguns e ferindo muitos aprisionando grande numero. Durante a ação, muitos fugiram e os presos conduzidos para as cadeias públicas. No resumo da ação teve 95 presos, sendo 83 homens e 12 mulheres.
No ano de 1814, próximo ao povoado de Itapoã, havia às Armações de Baleias de proprietário Manoel Ignácio da Cunha e Meneses, depois visconde do Rio Vermelho e outro senhor Herculano. Viviam de exploração da pesca de baleias e extração do óleo, tinham dezenas de escravos na sua maioria aussás. Esses escravos famintos por conseqüência da escassez da pesca nesse ano, desesperados e habituados aos maus tratos cruéis dos seus senhores, rebelaram-se e no dia 28 de fevereiro do mesmo ano, unidos a outros companheiros que havia fugidos da cidade, assaltaram e incendiaram na madrugada as casas e senzalas daquelas armações.. Mataram os feitores e os familiares, junto com outros brancos que ali estavam como visitas, depois foram atacar o povoado central de Itapoã, fazendo saques e incendiaram algumas casas. Reuniram com os rebeldes outros escravos da localidade e aumentou a quantidade de revoltosos. Cresceram os ataques e as mortes sucessivas. Fugiram para a mata fechada, levando o que puderam. Nesta época a Bahia era governada por D. Marcos de Noronha e Brito, 8º conde dos Arcos, uma figura mais proeminente da administração Colonial. Enviou ao encontro dos rebeldes um destacamento de 30 homens de cavalaria e alguns soldados do Regimento de Infantaria de Caçadores, sobre o comando do seu ajudante de ordens coronel José Thomaz Boccaciari. No mesmo dia correu pela cidade editais convidando as pessoas que tinham escravos fugidos no dia anterior, para irem ao palácio declarar os nomes dos escravos. E pela lista apurada havia desaparecidos 26 escravos e quase todos da raça aussás. Foi designado o major da Legião da Torre, Manoel da Rocha Lima, que partiu no mesmo dia e encontrou com os rebeldes em Santo Amaro de Ipitanga. Os rebeldes atacaram a tropa, tão desesperados que só pararam a luta quando as balas os prostraram em terra. Duraram horas o combate, os escravos não tinham armas suficiente para este confronto. Os soldados mataram cruelmente, 50 escravos e vários fugiram atirando-se ao Rio Joanes, onde morreram afogados e três preferiram se enforcar por não querer ser preso. Os presos foram amarrados e com gargantilhas e pés presos. Encaminhados para as cadeias mais de 30 fugitivos. Ás 6 horas da tarde estava inteiramente dominada a insurreição de Itapoã.
Lavrado o ato pelo ouvidor do crime, intendente geral da polícia Dr. Antonio Garcez Pinto de Madureira, no local dos acontecimentos. A atitude do Governador conde dos Arcos foi colocar aviso Régis de 18 de maio, proibindo terminantemente os batuques dos escravos era uma forma de aviso para reuniões e datas de revoltas. Deu ordem também que se dissolvessem os quilombos de onde partia as freqüentes insurreições. Proibindo os escravos a usarem qualquer arma, reuniões com mais de quatro. Depois das 9hs. da noite não seria permitido andar nas ruas, salvo quando em serviço na companhia dos senhores ou de seus prepostos com uma ordem por escrito. Se o escravo infringisse qualquer dessas ordens seria preso e aplicado 150 açoites. Já tinha baixado portaria de 10 de abril proibindo as danças que os escravos eram acostumados a fazer ao som de seus instrumentos nas ruas e largos da cidade.Só permitindo nos locais, largo da Graça e do Barbalho, aos domingos, dias santos e de festas reais, onde podiam dançar até o toque da Ave Maria, hora em que deveriam se retirar para a casa de seus senhores. Aplicada às leis, foram esfriando os ânimos rebeldes, até que na noite de 23 de junho, novos boatos foram ouvidos “que os escravos aussás preparavam um grande levante e com eles tomariam parte, além dos ganhadores dos cantos do cais da Cachoeira, cais Dourado e cais do Corpo Santo se juntariam os principais cabeças dos ganhadores do Terreiro e do Paço do Saldanha e alguns escravos de outras raças simpatizantes da causa, iriam se unir para essa nova batalha.
Em observância da carta Régis de 18 de maio fora estes processos; e por acórdão da Relação de 15 de novembro, condenados 39 réus. Destes morreram 12 nas prisões, 4 escravos de Manoel Ignácio foram condenados a morte natural e enforcamento no dia 18 de novembro na praça da Piedade e os demais foram açoitados e degradados para os presídios de Moçambique, Benguela e Angola para nunca mais voltar e alguns depois de serem açoitados entregues a seus senhores.
No Recôncavo e Engenhos da Vila de S. Francisco da Barra de Sergipe do Conde, além dos atos desumanos que os senhores afligiam os escravos, houve nesta época o mais importante fato o rigoroso e longo inverno de 1815 que originou a grande mortandade de gado vacum e cavalar em todos os Engenhos, considerada a maior da Bahia. Os trabalhadores escravos se sobrecarregaram na safra, substituindo os animais o que causou o desespero dos escravos. Reuniram-se com outros das vilas vizinhas e formaram um levante com grande repercussão em batuques no domingo. Armados, marcharam e atacaram os Engenhos, incendiaram os mais desprevenidos.
No levante foram assassinados pelos escravos 6 pessoas, 10 gravemente feridos e 5 soldados. Mas a mortandade devia ser maior, não houve conferencia das autoridades. Cercados os amotinados nas matas de Cabaxi e Poucoponto, no dia 15 do mês prenderam 8 escravos, 5 foram encontrados enforcados. Na fuga os escravos deixaram os seus instrumentos de guerra, tambores, atabaques, trombetas, arcos e flechas, armas de fogo tudo foi confiscado. Os rebelados foram severamente punidos. Foi este o último levante sério na Bahia no período Colonial.
Na insurreição do ano de 1826 na madrugada do dia 17 de dezembro, nas imediações de Pirajá, os escravos cometeram as maiores e mais perversas atrocidades. No local chamado Cabula onde estavam reunidos 50 escravos no vilarejo denominado “Orubú” que era um quilombo, no qual praticavam cenas e rituais de feitiçaria.
Reunindo uma tropa, comandado por um sargento e 20 soldados do Regimento de Pirajá, fizeram cerco ao dito quilombo onde os escravos entrincheirados por traz de um elevação de terras, armados de foices, facões, lazarinas, lanças e outros instrumentos curtos, aguardavam o ataque com resolução. Os soldados deram voz de prisão, intimados a render-se, lançaram furiosos com vozeria de gritos de mata! mata!...vendo-se coagido a tropa avanço e fez fogo, com o qual conseguiu separar os revoltosos e efetuar algumas prisões, sendo que, muitos fugiram para o interior da mata. Foram todos interrogados para saber dos réus a finalidade da revolta e qual o objetivo. Nada fora acrescentado que não fosse os maus tratos e a necessidade que eles tinham de praticar os seus rituais da religião e a liberdade de viver.
Já no ano de 1830, manifestou-se nova rebelião na manhã do dia 1º de abril. Na cidade baixa, aproveitando o movimento baixo do comércio no intervalo do descanso, 20 escravos fortes, carregadores do Cais, revoltados, invadiram uma loja de ferragens na rua da Fonte dos Padres e a força roubaram espadas, facas, ferindo o dono e o caixeiro. Prosseguiram no saque em outras lojas e cometendo distúrbios com ferimentos em pessoas. Juntaram com escravos novos que estavam no armazém que seriam vendidos, eram 100 deles somente 18 foram os outros eram escravos “latinos”, esses foram espancados e deixados no local. Seguiram com a sua ira para à Soledade, com vários tipos de armas, inclusive paus. Ali atacaram a guarda policial com sete soldados e um sargento que estavam a procura dos rebeldes. Os amotinados foram dispersos na mata que vai sair no lugarejo chamado São Gonçalo. Só foram presos 41 escravos e logo apareceram os senhores donos reclamando e apresentando provas que comprovavam não culpabilidade de seus escravos, só agora inocente debaixo da ação do poder judicial.
O tempo passa e a vigilância aumenta contra os escravos rebeldes são feitas em leis duríssimas e pesadas, até que surge a mais notável de todas as revoltas foi na madrugada de 24 para 25 de janeiro de 1835. Foi a peça fundamental o chefe de polícia Francisco Gonçalves Martins o futuro Visconde de São Lourenço que tomou todas as medidas possíveis e imaginadas para conter a revolta chamada de Malês – habitavam na bacia de Gâmbia e eram conhecidos por Mali’nkê, quer dizer; homens do Maly, submissos do Império do Mali ou Male que viviam na extensa bacia do Níger. Os Malês sem duvida alguma eram mais inteligentes e mais criativos nas confecções de ferramentas. Tinham conhecimento do Alcorão, leitura e escrita dos árabes, povo o mais civilizados da África e da Ásia Ocidental, eram guerreiros por natureza.
Os compradores de escravos avaliavam em bom preço os escravos vindos dessa região. Eram altos e fortes, não se misturavam com outros grupos e viviam exclusivamente para a sua religião e não admitia submissão. Vamos aos fatos:
O chefe de polícia foi prevenido através de denuncia que estavam se organizando um levante, preparado naquela noite e novas vigilâncias postas na cidade. O chefe de policia dirigiu-se com o seu pessoal para o Bonfim, onde havia festa e muita gente reunidas. Recomendou ao comandante da guarda que fizesse vigiar o largo de Guadalupe, onde supunha haver um casebre de reunião dos escravos rebeldes. Realmente ali, na madrugada foram constatar o casebre e deram batidas na porta, demoraram de abrir e foi forçada, as suspeitas eram certas. De dentro da casa, romperam muitos tiros em descarga cerrada, e vários escravos com carapuças brancas na cabeça, com saiotes da mesma cor por cima das calças, armados de pistolas, espadas e espingardas atacaram a ronda fizeram cutilar o Alferes Lázaro Vieira do Amaral, fazendo-os fugir sem demora.
Os insurretos dividiram-se em dois grupos, um dirigiu-se á praça do Palácio, onde atacaram os guardas rendeu e feriu um soldado que estava de sentinela na cadeia. Tentaram soldar os presos e o outro grupo seguiu em direção a rua do Colégio, atacou um guarda, matou um soldado e deixou três crioulos (mulatos) no chão amarrados. O terceiro grupo mais compacto atacou o quartel de permanente em São Bento. Houve trocas de tiros, mas os guardas fecharam o portão para livrar-se da invasão. O quarto grupo vindo do corredor da Vitória investiu sobre o Forte de São Pedro, onde se travou novo combate, ficando no campo um guarda mutilado e vários outros gravemente feridos, juntos corpos de escravos mortos. O Quartel de Cavalaria de Água de Menino também foi atacado. O chefe de polícia que vinha de retorno do Bonfim, auxiliado pelo capitão Francisco Telles Carvalhal, comandava os soldados de cavalaria, investiram sobre os amotinados e consegui resistência. Travou-se terrível combate; os escravos lançaram-se ao mar, outros fugiram para os matos da costa da montanha, deixando o campo com vários mortos. Os que foram para o mar procurando a fuga, morreram afogados ou mortos a tiros por marinheiros de um escaler da fragata “Baiana” que se achava ancorado neste local. Nas ruas, vários escravos cometiam mil desatinos, criando terror as famílias que mal sabiam da gravidade do que estavam passando.
Ao amanhecer já tinham desaparecido os grupos, fugiram e se ocultaram nas matas em volta da cidade, sempre em locais de difícil acesso. Na busca feita pela polícia, acharam muitos escravos feridos, escondidos. Outros ainda com roupas e ornamento de chefe.
Na devassa feita por policiais, não participaram nenhuma pessoa de elevada posição social e nem se pode negar que havia um fim político neste levante. Refere-se o chefe de policia, que a maioria dos rebeldes eram nagôs encabeçados por líderes Ussás. Não houve roubos de valores e nem mataram os seus senhores ocultamente. Foram encontrados nas moradias dos escravos líderes, roupão branco (camisu) e carapuças (gorro), saiotes enfeitados de penas e guizos. Taboas com inscrições de caracteres arábicos e papeis onde estavam escritos palavras tiradas do Alcorão, livro sagrado dos muçulmanos. Enrolados em muitos panos e bem escondidos em latas e em tubos de madeira. Quando foram indagados sobre esses papéis e objetos, negaram sempre e desviando as perguntas do interrogador ou fingiam não conhecer. Deram a entender que eram orações e nada fazia ser contrário como serem objetos de feitiçaria. No interrogatório foram ditos que: “Depois que escreveram sobre á tabua, já preparada para este fim, e feita a cerimônia da verificação pelo maioral, a tabua é lavada em água que são bebidas com carinho e fé. Este líquido representa para eles a prioridade de livrá-los de todos os perigos e males daqui pra frente.” O certo é que não consiste somente em orações a imensa documentação que consta no Arquivo Público e em um dos processos há uma tradução do árabe para o português, a única que existe nos autos, feita por um escravo de nação aussá perante as autoridades que presenciaram em audiência, que diz: “ Que a gente havia de vir da Vitória tomando a terra e matando toda a gente branco, seguia para a Água de Menino até se ajuntar com todos no Cabrito atrás de Itapagipe; para o que as espingardas não havia de fazer mal”. Perguntou-se sobre um bilhete que um outro rebelde deu a ele e diz: “ Deviam sair todos das duas até as quatro horas, invisíveis,e que depois de fazerem o que pudessem, iriam se ajuntar novamente no Cabrito. Em um buraco grande que ali foi feito com ajuda da gente do Engenho que fica atrás do local, eles iriam juntar com a gente. Tendo muito cuidado de fugir dos corpos das guardas para surpreender no momento certo, até eles saírem logo da cidade.”
Na realidade eles tinham planos definidos para a revolta, só não contavam com a traição das suas companheiras, inconformadas com o movimento, fizeram a denúncia e como premio foram libertas.Foi proibido a importação de escravos Malês e tudo que fosse de uso para o levante inclusive os tambores de guerra. Todos os presos foram sentenciados a açoites, prisões em masmorras, enforcados ou fuzilados e degredados.
Um acontecimento curioso sucedeu conforme registro em documentos os quais provam que em 1835 não houve ninguém que aceitasse servir de executor da justiça para acompanhar e colocar capuz nos presos para serem executados, mesmo oferecendo o juiz de Direito do Crime Antonio Simões da Silva um boa importância em dinheiro.
Esses documentos estão a amostra do fim almejado pelo interesse histórico, com toda a certeza provam a grande importância dos fatos e justificam plenamente a guarda desses documentos pela direção do Arquivo para o objetivo dos estudiosos das insurreições passadas na Bahia e esclarecer a característica daqueles tempos.
Arquivo Público, 26 de setembro de 1890 – José Carlos Ferreira.
Trabalho de pesquisa de Álvaro B. Marques. – SSA,19.07.2011.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

A ARTE E A IMAGEM PERDIDA DOS DEUSES AFRICANOS NA BAHIA.


A ARTE E A IMAGEM PERDIDA DOS DEUSES AFRICANOS NA BAHIA.

O escravo africano revelou na arte da escultura em madeira, nas horas de folga, a dor e a esperança de sair do cativeiro. Lembrando as imagens dos seus Deuses africanos e reproduziu o melhor para colocar no Peji do seu santuário. A madeira era vasta e fácil dentro da mata envolta da cidade, mas era difícil a pratica do ritual sagrado porque o senhor do escravo era católico e não entendia a cultura africana, não permitia. Somente em alguns casos o nhô (como era chamado o dono do escravo pelo africano) admitia nas folgas dos dias santos e domingos realizarem os batuques. Lembrava da terra, sua morada, seus familiares, sua cultura e seus Deuses. Esses Deuses, suas imagens eram constantemente suplicados em pensamentos durante todo o cativeiro. E lá na mata, ainda intocada pelo homem, invocaram no clamor da clandestinidade os toques dos tambores em linguagem dos Deuses, saíram os rituais na música e no corpo a dança suas únicas expressões. Havia essa necessidade urgente de comunicação com os Deuses e que fora interrompida por várias vezes em brutais assaltos e destruições dos objetos sagrados dos orixás.
O medo da repressão era grande, teve os lideres das seitas o cuidado em medidas de proteção para esconder as imagens e objetos considerados “nocivos e participantes de movimentos de revoltas” era o que os senhores de escravos e autoridades da época Colonial pensavam das reuniões dos escravos. Quando um líder da seita antes de morrer pedia que se não pudesse permanecer as imagens na seita que fossem colocadas no mar. E assim foram encontradas por pescadores e mesmo na areia da praia, algumas imagens que retornaram ao culto. Imagens em diversas formas em tamanhos e corpo com expressões faciais diferentes. A proibição chegou até o inicio do século XX e assim mesmo não era aceita pelos católicos, tinham pavor. Mas já nesta época as imagens totêmicas esculpidas por escravos da sua seita não existia. Porém, nem todas as religiões africanas eram totêmicas, cada etnia vinda trazia no sentimento os seus Deuses com nomes diferentes e aqui foram semelhantes em rituais diferentes. Mas não podiam exercer os seus cultos com liberdade eram interpretados como “ritos satânicos” pela igreja e mau visto por católicos. Quando os primeiros toques saídos do tambor chamado "batacotó" anunciando o culto já eram ouvidos por adeptos e pela repressão que imediatamente seguia a direção dos sons dos instrumentos e davam fim ao culto, invadiam o local, quebravam e destruíam tudo que eles achavam que era objeto de feitiçaria. Prendiam os lideres e por vezes adeptos. Mas com toda a violência os Deuses africanos permaneceram no Candomblé com algumas características renovadas em virtude da fusão da cultura de outras etnias que também incorporaram  com liberdade na cultura brasileira. Perdeu muito a originalidade durante o período escravocrata da arte primitiva dos ancestrais escravos no Brasil por causa da repreenção e da ignorância dos senhores. Para isso, contribuiu e muito no passado os negros católicos que praticavam o culto dos orixás e formaram suas Irmandades Religiosas nas Igrejas Católicas, dando apoio as duas religiões. As imagens dos Deuses africanos do passado remoto já não tinha e não é mais cultuada na Bahia e pouco sabemos sobre essas imagens. Entretanto na Casa de Benin (museu) no Tapoão/ Pelourinho há duas ou três imagens que representam um dos Deuses africanos. Porém, o Candomblé floresceu da maneira dos grupos Yorubá angolanos e jêjes vindos com os escravos para fortalecer a hegemonia religiosa da Bahia.
Álvaro B. Marques
Ssa. 22.07.2011

terça-feira, 21 de junho de 2011

A ASCENSÃO SOCIAL NO PERÍODO COLONIAL

A ASCENSÃO SOCIAL NO PERÍODO COLONIAL NA BAHIA.
RESUMO
Para obter ascensão social mais elevada no período Colonial, o pretendente teria que praticar alguma ação social reconhecível e solicitar ao rei a compra de Titulo de Nobreza chamado de “Titulo nobiliárquico” fornecido pela coroa portuguesa no Brasil aos brasileiros e seus descendentes. E para ser membro da Santa Casa da Misericórdia ser português nato e descendente de cristão-velho e possuir cabedal, ao morrer o irmão geralmente, deixa em testamento toda ou parcial bens, legado para a Santa Casa da Misericórdia. Em troca a Santa Casa da Misericórdia, manda celebrar missas eternas e a sua imagem permanece em quadro pintura exposto na galeria do salão nobre da entidade.
O português já vindo nobre de Portugal, reconhecido, gozaria de privilégio em cargos públicos e se fosse negociante as facilidades comerciais com apoio de conterrâneos eram evidente e muito importante. No entanto, era um dos motivos de revolta contra o sistema que impedia perspectivas de ascensão social dos brasileiros, aí segue outra história.
Cristãos-novos são aqueles convertidos ao catolicismo, vindo de Portugal. Participaram da vida Colonial, social, cultural e economicamente, com destaque para os Engenhos de açúcar na Bahia, Paraíba e Pernambuco. Sua ascensão social e econômica enfrentava restrições. Não podiam pertencer às Irmandades da Santa Casa da Misericórdia e nem cargos públicos. Não casavam com cristãos-velhos, por causa dos estatutos de pureza de sangue.
Durante a maior parte do período Colonial (1500-1822), esteve ativo no Brasil o Tribunal do Santo Ofício da Inquisição estabelecida em Portugal em 1536 e que funcionava na Metrópole até 1821. A Inquisição enviou Visitações do Santo Oficio a partir de 1591 e delegou poder aos Bispos locais. As mais conhecidas foram as Visitações de 1591-93 e 1618-19 na Bahia. Até que no século 18 por decreto do Marquês de Pombal foram igualados os direitos de cristãos-novos e cristãos-velhos e a Inquisição deixou de atuar.
No período Imperial de 1822 a 1889 começou a ascensão dos ex-escravos ou filhos deles com o trabalho livre e independente de pequenos vendedores ambulantes a comerciante de porta em varejo e até mesmo em grosso. Realizando também os ideais de vários serem médicos, advogados, engenheiros, professores, jornalistas/poetas e outras profissões liberais que souberam honrar o seu nome na História do Brasil.
Álvaro B. Marques
SSA,18.06.2011