segunda-feira, 8 de novembro de 2010

O COLONIZADOR NA VISÃO DOS JESUÍTAS


“Definitivamente possuidores da nova terra. No fim de pouco tempo, os “descobridores” apoderam-se das filhas e das mulheres dos naturais, postos, então, sob o férreo regime da escravidão e martírio. Turbulento e desumano, o branco em breve odeia o trabalho, que passam aos indígenas, aos quais pervertem até fisicamente, trazendo-lhe o contágio das moléstias. Arrogantes nas maneiras mais torpes nos prazeres carnais. O trabalho é sempre do índio, o aguardente e a sífilis são herança dos brancos. A desonra e a escravidão conjugado com os assassinatos em massa, produz a miséria é as mais horríveis das torturas, são atos comuns dos navegadores do Além Mar, em combinação luso-espanhola, se apoderam das terras e dos filhos do Brasil.”
“Os naturais eram indignos da união legítima do respeito e até da misericórdia dos conquistadores. Para os lusos, os filhos do país que os receberam com carinho, confiança e troca de presentes eram “canibais”, eram a “canalha” que só servia para dar-lhes a virgindade das filhas, o gozo das mulheres, o trabalho do escravo, debaixo do azorrague.” (Apontamento para a História dos Jesuítas no Brasil – autor: A. Henrique Leal – parte da narrativa do Padre Luiz Figueira)
“ Outro eminente jesuíta Frei Vicente de Salvador ou Vicente Rodrigues Palha, nasceu em 1564 e morreu em 1636 ou 1639 datas incertas, não é muito que se sabe sobre ele. Escreveu uma História do Brasil de 1500 a 1627. Era baiano”.
“Padre Luiz Figueira – escreveu a “Gramática da Língua Geral dos Índios do Brasil” (Tupi e Guarani) reimpressas na Bahia em 1854, aos esforços do sr. João Joaquim da Silva Guimarães. Este padre,Luiz Figueira, foi um desses vultos angélicos. Que iluminara as primeiras páginas da História dos jesuítas, em nossa terra: Já velho e cansado não cessava de viajar pelos sertões brasileiros, para catequizar e doutrinar “os pobres brazis” como ele chamava os índios, com ternura no longo da sua gramática.
Gozou glórias do martírio: foi morto e devorado pelos indígenas da ilha de Marajó, no Pará.”(Fonte do livro: Apontamento para a história dos jesuítas no Brasil – autor: A. Henrique Leal.)
“Os seis apóstolos do bem que ministraram o inicio da catequese no Brasil, foram: Nóbrega, Aspicula Navarro, Antonio Pires, Leonardo Nunes, Vicente Rodrigues e Diogo Jacome. Foram os continuadores desta obra: Anchieta, Luiz da Gran, Vieira e outros.”(Fonte de Revista do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, nº 28)
MEUS COMENTÁRIOS – (Álvaro)
Foram vários jesuítas que andavam por esse Brasil a fora, descobrindo, catequizando, doutrinando, educando e amando esses numerosos filhos da terra, como eram chamados e muitos jesuítas morreram em mãos dos índios.
Padre José de Anchieta, padre Luiz Figueira, padre Montoya que também escreveu um livro “O Tesouro da Língua Guarani” foram os que chegaram até nós os seus trabalhos. Não citando outros vultos que para se comunicarem com os índios eles tinham de aprender a língua nativa e seus dialetos. Conviver por longos meses a se envolver com a vida nômade dos indígenas, sempre fora difícil. Os índios constantemente fugiam dos brancos perseguidores que queriam escravizá-los. Só com muitos anos de trocas de mercadorias é que algumas tribos aceitaram a presença dos jesuítas em suas aldeias. Principalmente as tribos antropófagas.
As missões eram árduas e sempre cobertas de glórias na sua inabalável fé cristã. Por muitas vezes voltavam das missões doentes e cansados, iam para as Quintas de repouso revigorar as suas energias e após retornar. Por amor ao próximo eles deram a sua própria vida. Foram os primeiros mestres do Brasil Colonial e os verdadeiros pescadores de almas.
“A perseguição dos índios tupinambás, tupiniquins e tamoios eram implacáveis, por ordem e acordo de dois governadores Luiz de Brito e Antonio Salema. Os índios viviam na orla do litoral que se prolonga de Pernambuco até S. Vicente, foi quando começou a desenvolver a colonização. E na Bahia foram executados por Garcia d’Avila e Cristovam de Barros.
Foram os indígenas para outras regiões sertanejas, sempre defendendo tenazmente os lares, a terra e a liberdade. Viram-se obrigados a abandonar aqueles e a salvar esta, nas tensas florestas do Norte, abandonando um período de morada após outro sempre na margem do mediterrâneo brasileiro, que lhes fora talvez o originário berço.”
(Fonte do livro: Revista do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia,n49)
ÍNDIOS E JESUÍTAS: "Eram com tanta prudência que os jesuítas governavam os índios no Estado do Espírito Santo, até 1750 quando foi avaliado o seu número em mais de 40.000 aldeados. Com a extinção da Ordem e a expulsão dos jesuítas, morreu a maior parte deles de intemperança e fuga para o interior das matas, onde perderam de todo os estimulos da civilização."
Pesquisado por Álvaro B. Marques.

domingo, 31 de outubro de 2010

É BOM LEMBRAR - NICHO

NICHO

Local onde as pessoas católicas guardavam as imagens de seus santos de devoção. Podendo ser no armário ou estante, como também em cavidade na parede.
Hábito trazido por portugueses ao Brasil, principalmente visto no Norte e Nordeste do país. Era uma maneira de trazer o seu santo ou santa de devoção da igreja para a sua casa. Na época Colonial, nas fazendas e Engenhos de açúcar, quando não tinha igreja, havia uma parte do casarão construída como se fosse uma igreja, dando-lhe o nome de capela ou oratório. Era ali que celebravam os batizados, casamentos, aniversários e outras festas religiosas. Nas residências do povo rural tinha também Nicho, só que era uma caixa de madeira em formato de igreja, dentro o santo da casa, o padroeiro da família, faziam festas e romarias na igreja e na residência. Na Capital ou cidade grande, o povo católico obedecia a essa tradição, além de ter estante ou armário Nicho, tinha outro encravado na parede da frente da casa. Mostrando assim, a imagem do santo ou santa da sua fé maior.
No Pelourinho, ainda existe em alguns casarões ou solares, cavidade na coluna principal. Ali era depositado à imagem e a lamparina acessa diariamente. Com o passar do tempo, essa cavidade, geralmente oval com base plana, foi sendo abandonada por seu proprietário do imóvel, isto porque a imagem era roubada do local. Deram preferência aos Nichos internos, havia família que tinha em cada quarto um Nicho de madeira com vários santos.
Na época, os restauradores de santos eram muito procurados, chamado de “santeiro”, verdadeiros artistas, também designados como “toreuta” arte de confeccionar em madeira.
Hoje, temos ainda erguido á “Cruz do Pascoal” ou “Oratório do Pascoal” construído em pilar octogonal, revestido em azulejos português, em cima um oratório de quatro lados, protegido com vidros brancos transparentes, dentro têm uma imagem de Nª. Sª. do Pilar e sobre uma cruz. Essa construção remonta de 1743 seu benfeitor foi Pascoal Marques de Almeida, morador do distrito, rua do Passo.

A devoção, a Fé, leva o povo a perenizar um local, uma imagem, como se fosse um pedaço de si mesmo. Passando de uma geração a outra uma ingênua tradição que ficou na incredulidade de hoje. O hábito e a tradição de um povo, só é duradoura quando o próprio povo acredita e têm Fé. A continuidade prosseguirá com a tradição quando os valores culturais são requeridos.
Com o tempo, novos hábitos surgirão, o povo esquece os antigos, quem perde é a tradição, o folclore, a cultura regional. É necessário que algum órgão governamental faça sua parte de preservar à memória do povo.
O Brasil é rico em Folclore, em cada Estado da Federação e em cada município existem várias tradições e hábitos culturais dos mais expressivos, alguns são mudáveis outros mantém raízes profundas na mente da sabedoria popular.
Trabalho de Álvaro B. Marques

Para isso a História nos conta.
“Rua do Castanheda, nº26 distrito de Santana, nesta Cidade. Residiu o Dr. Sabino Vieira em 1836 e que ali, ocorreu drama conjugal, do qual resultou a morte da esposa. Nesta época ele já estava comprometido com o movimento revolucionário que o desejo da Independência das províncias durante a menoridade do segundo Imperador, produzia no animo dos liberais exaltados.” ( Fonte extraído do livro: Revista Trimensal do Inst.Geo. r Hist. Da Bahia. – vol. Nº 9 DE 1899)
No dia 7 de novembro de 1837 deu-se a Revolução Republicana – Sabinada para outros e Revolta dos Alfaiates para os demais. Sendo o cabeça líder desta Sedição foi o Dr. Sabino Vieira.





Álvaro B. Marques- Trabalho de pesquisa
SSA,26.02.2008

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

FRUTAS DA BAHIA


“Se tivesse de escolher o objeto mais amável da natureza seria uma fruta”
Abacaxi, abacate, araçá, amendoim, banana, cajá, caju, coco, dendê, fruta pão, fruta do conde ou pinha, goiaba, jaca, jabuticaba, jambo, jenipapo, laranja (três tipos, de umbigo, da terra e seleta), laranja lima, limão, maracujá, mamão, mangaba, manga (vários tipos), melancia, melão, mucugê, ouricuri, pitanga, sapoti, tamarindo, umbú.banana de S.Thomé, da terra, de Angola.
FRUTAS IMPORTADAS DE OUTRAS REGIÕES BRASILEIRAS (as mais conhecidas)
Ameixa, amora, amêndoa, kaki, cereja, figo, graviola, groselha, maça, morango, pêra, romã, tâmara, tangerina, uva. Já temos o cultivo de uva, maça, romã, graviola.
LEGUMES - HOSTIFRUTIGRANJEIRO
Aipim, abóbora, batata, inhame, batata do reino, batata doce, berinjela, pepino, jiló, maxixe, chuchu, quiabo, tomate, pimentão, pimenta, repolho, coentro, salsa, hortelã, cebolinha, couve flor, brócolis, mangiricão, cebola.
Relação de Peixes do nosso mar: cavala, bejupira, pampro, dourado, olho de boi, agulhão, xaréo, cação, arraia, garoupa, mero, pititinga. sardinha, curvina, vários tipos de marisco.
Armadilha para peixe: rede, linha, mazuá, cofó, grozeira, armadilha funil.
AS PROPRIEDADES DE CERTAS FRUTAS
“Como laxativas temos: laranja, figo, tamarindo, ameixa, amora, tâmara e tangerina.
Como adstringentes temos: romã, marmelo, pêra, cereja e groselha.
Como diuréticas temos: morango, uva, melancia e melão.
Como sedativas do estômago temos: limão, lima, maçã. As laranjas servidas pela manhã em jejum, servem como laxante e purgativo forte.
As romãs são adstringentes e curam inflamações da garganta e das amígdalas; a casca da fruta e sua raiz podem fazer um chá e gargarejar. É um bom anti inflamatório.
Os figos, abertos ao meio, constituem uma cataplasma para cura de queimaduras e pequenos abcessos. Os morangos e os limões, aplicados localmente, servem para tirar o tártaro dos dentes. As maçãs são correções para náusea, aliviam imediatamente. As amêndoas contêm ácido hidrocarbonato que é útil nas tosses simples.”
(Fonte de pesquisa no livro: “Álbum Popular Brasileiro” – autor: Afonso Costa – págs.274)
É BOM SABER O QUE DIZ ABAIXO:
 "As primeiras laranjas da Califórnia são baianas. Mandadas do Brasil algumas mudas em 1830. Por um americano, possivelmente do Consulado Americano, radicado na Bahia neste período. Essas mudas foram cultivadas na estufa do jardim público do Capitólio e daí seguiram para a Califórnia por ser o clima parecido com o Brasil, principalmente à Bahia. As mudas foram selecionadas, tratadas com cuidados especiais, essas árvores cresceram, frutificaram e multiplicaram-se tão assombrosamente que constituem hoje uma fonte de renda e riqueza para o Estado da Califórnia. É triste pensar que a Bahia tivesse no solo essa fortuna e que seria dela, o país seria mais promissor. Como também existem nas Ilhas Malásia, colônias inglesas, cultivo em grandes extensões de terras plantas do Brasil, chamadas "árvores da borracha" desenvolveram maravilhosamente as culturas. É mais uma fortuna que o Brasil do Império deixou sair de regiões brasileiras e não souberam cultivar o que nasceu por acaso."
(trecho do livro: "Correio da Roça" autor: Júlia Lopes de Almeida - publicado em 1913)
"Em 1798 a maior cultura de laranja, fora a de D. Rita Campello, morava em Brotas e era proprietária da chácara e de lindíssimo Solar. Anos depois, passou para o exército brasileiro atual Hospital Militar."(Fonte do livro "A Margem da História da Bahia" - autor Francisco Borges de Barros.)
NOTA DO PESQUISADOR:  Na época do Brasil Império a Bahia teve os Consulados Inglês e americano como parceiros comerciais de grandes importâncias. Residiam aquí muitos ingleses comerciantes o que seria normal o envio de mudas para os seus países. Houve a tentativa do Imperador D. Pedro II em enviar mudas de várias frutas para Portugal e suas colônias, mas não deram certo. Havia a viajem longa, causava deterioração e clima inadequado.

Trabalho de pesquisa – Álvaro B. Marques

A TRADIÇÃO DO SINO NA BAHIA


Segundo vários historiadores, em data remota a voz humana fora substituída por uma peça de madeira ôca que atuava como substituta da boca, a qual por meio de seus fortes sons, advertia todos os espantos malignos que se fossem embora. E esse hábito de espantar os fantasmas por meio de barulhos, se enraizou no sistema social da humanidade de tal forma que servia também para se comunicar em distância. O sino tem a forma de uma corneta só que o som é metálico e ganhou uma enorme popularidade na idade média junto com as construções das igrejas. O bimbalhar do sino ressoa pela manhã e a noite. Para diversas finalidades religiosas e foram depois adquiridos hábitos com a povoação de cada cidade; anunciando às horas diurnas e noturnas para os escravos levantar-se e recolher-se. Os domingos e dias santos, soar demoradamente chamando os fiéis as igrejas, limpando assim, a atmosfera das influências malévolas que poderiam prejudicar as missões divinas.
A quem diga que o sino substituiu a trombeta judaica de chamamento dos fiéis as orações ou mesmo a buzina e a matraca dos primeiros cristãos, segundo Spirago. Se bem que os chineses possuíam os seus sinos desde 2.600 anos a.c. o que nós não sabemos é a data da sua invenção. Conforme Kircher, foi inventado pelos sacerdotes de Osíris. Outros afirmam, certamente São Paulino, Bispo de Nile, quem pela era de 400 d.c. ampliou o seu emprego para anunciar as cerimônias da religião cristã. Surgindo dos chineses, egípcios, e adotado por hebreus, gregos e romanos em ritos religiosos e os leigos admitiram. Os cristãos fizeram colocar no alto dos seus templos para avisos aos fiéis, os sinos tiveram larga aceitação dentro da idade média ampliou-se até a idade moderna.
Os maiores sinos do mundo estão na Rússia o Czar Kolokol, na Catedral de Assunção no Kremlia em Moscou. Foi fundido em 1733, medindo sete metros de altura, seis de diâmetros e pesando 201 toneladas; o seu companheiro, o Boris Gudonof, de Trotozkoi, pesa 175 toneladas e o Santo Ivor, em Moscou, pesando 58 toneladas. O Big-Bem de Londres, pesa apenas 13 toneladas, menor que o “bordão” de Notre Dame da Franca, cuja profunda ressonância abrange grande distância. Certa vez, em Paris, o “bordão” que pesava 16 tonelada caiu e foi um tremendo trabalho para recolocar no local.
Esclarecemos que o sino mais pesado desta cidade de Salvador, o maior, está na torre da nossa Catedral Basílica no largo do Terreiro com pouco mais de mil quilos. Não sabemos a data precisa de quando chegou em nossa cidade o primeiro sino. Teria vindo com Tomé de Sousa? Ou com o primeiro Bispo? Ou logo depois? Sabemos que o próprio mestre Pedro Fernandes e os companheiros de Nóbrega, pediram para o Reino em constante cartas tudo que precisavam para o culto divino nestas partes do Brasil. Verdade é que ainda em 1745 um tal Domingo da França, refere “ a obra do relógio da Sé” que ele assentou, bem como “as ferragens e os sinos dela” (Arquivo Público de Documentos da Bahia – papeis – caixa 50 ano 1745) Mais esses não foram evidentemente os primeiros sinos aqui desembarcados. O sino da Câmara dos Vereadores, (hoje Prefeitura Municipal de Salvador) retirado da torre desde 1886. Este sino foi fundido na Holanda em 1615 tem sua gravação em seu bronze e estas palavras elucidativas da sua origem e do seu nascimento: “Henderich Wegenvart” – fez-se em Deventer ano 1615” esta foi a leitura traduzida. Não há nenhum documento que atesta esta data como sendo vindo da sua fundição para esta Câmara. Mesmo se fosse encomenda pessoal de algum fiel cristão. Pode ser também retirado de alguma nave flamenga, apreendida em nosso porto? Ou retirado de uma nave que se chocou com recifes em praia do nosso litoral? Não há dúvida que já em 1627 tocava um sino na Câmara dos Vereadores, conforme esclarece um documento de setembro do mesmo ano diz: “em que era chamado Pedro Lourenço, carcereiro da cadeia, para que tangesse o sino de correr, o que tangerá das 9 horas da noite até 10 horas da manhã. Para isso, pagará 10 patacas por estes 4 meses.” (Atas da Câmara de Salvador – vol.I págs. 75)
Este sino não era o sino da torre, flamengo de 1615. Era outro, chamado sino de correr da cadeia pública que existia em baixo dos assoalhos da Câmara. Fez soar no dia 10 de setembro de 1675 e continuava ainda a tocar “para juntar o povo e tratar do meio mais conveniente que pode achar-se para o socorro da Infantaria desta Praça”.(Ata da Câmara vol. 5 págs. 167)
Sabe-se que houve reforma radial da Casa da Câmara, executada em 1663 pelo Governador Francisco Barreto. Veja o relato de Afonso Ruy, mestre no assunto: Surgiu dessa reforma um prédio amplo, desprovido de torre, só levantado trinta e três anos depois, continuando a ser utilizado o sino da cadeia para o toque de recolher etc. O sino holandês, só se levantou em 1696 com a reforma de grande parte levada a efeito neste ano, no governo de D. João de Lancastro” (“História da Câmara págs. 16)
Desde então, e por 190 anos, o sino da Câmara repica em sua torre setecentista, começa a ter a sua real função de conversar com a população a ir para a praça em frente as mais distintas formalidades, ou seja: fazer protestos em gritos e revoltas contra a exorbitância dos dízimas lançados, assistir oradores, alegrias de festas, posses de Governadores e vice rei, assistir torneios, praticar jogo de argola, corridas de touros, enfim, nos divertimentos e nas várias realizações que a praça principal da cidade oferece.
O sino holandês foi substituído em 1887 por um grande relógio belga, iluminado á noite, “fazendo ouvir suas pancadas fortes e sonoras de horas e quartos em um raio de zona muito extenso.”
Vários sinos desta cidade possuem inscrição e data da sua colocação ou fundição. Em outubro de 1711, o sino chamou o povo para protestar contra o elevado imposto do sal de 400grs. Para 720grs. o alqueire” ( Fonte do livro: “A Cidade do Salvador” autor: Alberto Silva)
OS FUNDIDORES DE SINOS BAIANOS, SÉCULOS XVII E XVIII
João Carreira: Fundiu o 1º sino da Igreja do Pelourinho em 1756.
André Coelho Vidigal: Fundiu o 1º sino da Igreja de Santo Antonio da Mouraria em 1757.
Simão José de Souza: Fundiu o 3º sino dos Aflitos em 1797, o 2º sino da Trindade em 1799, e o 1º sino da Lapa em 1805, o terceiro de São Bento e do São Miguel, ambos em 1815. O 2º sino do Desterro em 1819 e o 3º de Santo Antonio da Barra em 1820.
Joaquim Rodrigues Fróes: Fundiu o 2º de Santana em 1826, o 1º dos Aflitos em 1833, o 3º da Ordem Terceira do Carmo em 1839 e o 3º de Santana em 1842.
Paulino José dos Santos Passos: Fundiu o 1º da Igreja do Boqueirão em 1868.
Francisco de Souza Guimarães: Fundiu o 2º do Bonfim em 1884.
Alexandre Ferreira da Rocha: Fundiu em 1778 o sino chamado “meião” da Conceição da Praia e o “bronze” da Misericórdia. Em 1736 fundiu um na Igreja de Monte Serrate.
Manoel de Vargas Leal: Considerado um dos maiores fundidores de da Bahia, fundiu o 3º sino da torre d a Igreja de Conceição da Praia em 1869 e o 2º do Pelourinho em 1868. O do Rosário de João Pereira em 1874. O 1º da Igreja da Palma em 1876. O 1º do Bonfim em 1834. Mais um para o Desterro em 1876. O 2º da Igreja da Saúde em 1892 e o 4º da Igreja de São Domingos.
Note Bem: cópia fiel do original do texto acima.
Segundo o Monsenhor Nabuco, suas palavras: “ A fundição de sinos é uma ciência e uma arte que exige mesmo para quem conhece as leis que a regem que são: muita perícia e muita paciência. Sem esses princípios básicos não se fabrica sino. Todo o sino, para ser sino verdadeiro, deve ter uma costela, isto é, uma linha de antemão estudada, que resulta da espessura da parede de cada sino em tamanho e das proporções entre a boca, altura e a cabeça. A costela não obedece somente as leis cientificas; se fosse assim, bastaria conhece-las, e qualquer um fabricaria sinos. O som nasce por via empírica e constitui o grande segredo que somente as famílias de fundidores transmitem de pai a filho”.
Ele, Monsenhor Nabuco, refere-se à ciência da fundição dos sinos para enaltecer o nosso passado, foi quando dispúnhamos de fundidores que nos legaram muitos dos sinos que ainda existem nas nossas Igrejas e nos entusiasmam pela sua fabricação.
( Fonte do livro: “ O Bi-Centenário de um Monumento Baiano” – coletiva de autores)
MEUS COMENTÁRIOS. - Álvaro
Hoje, no século XXI os sinos ainda tocam em algumas principais Igrejas, para anunciar festa do dia santo, muito raramente e talvez os horários das missas. E muitas Igrejas, já não mais existem os sinos. Principalmente as que estão em ruínas.
As Igrejas católicas se ornamentavam com doações dos fiéis de várias posições sociais e havia muita fé cristã com muita boa vontade de ajudar a Igreja e acreditavam nas palavras dos “santos padres”.
Trabalho de pesquisa Álvaro B. Marques

MEMÓRIA DA BAHIA NÁUTICA


FATOS MARCANTES DA ÉPOCA – ESTALEIRO NAVAL
“Foi construído um “Estaleiro ou Arsenal” que servisse de base para construções de naus de guerra, sendo logo estabelecido na Ribeira das Naus, hoje Escola de Aprendizes de Marinheiros, perto da rampa do Mercado na cidade baixa. " Foi construido em 1862 a 1866 um grande edifício a beira-mar para servir de Escola e morada de meninos. Denominado Companhia de Aprendiz de Artífices da Marinha, já registrados 14 menores, 2 maiores e 3 adidos". (Fonte: Resumo Cronológico e Noticioso da Província da Bahia - desde 1500 a 1885 - pág. 94 autor: José Alvares do Amaral.)
Um ano depois de estabelecido, duas naus foram lançadas ao mar Caravela Rainha e o Begantim S. Thomé, foram ás primeiras construídas. Além desse Estaleiro, outro se construira em Itapagipe.
Segundo Gabriel Soares, os materiais de construções das embarcações, estavam à mão. Eram as madeiras de lei e para calafetar tinha a “casca da enviva”, a resina de Camacary para substituir o breu.
No governo de Mém de Sá, a navegação teve um largo crescimento, apesar de lhe absorverem a atividade com as invasões francesas no Rio de Janeiro e a campanha contra os indígenas que assolavam o Sul do país.
O Arsenal da Bahia, tornou-se o estabelecimento de que dependeu toda a economia do Norte. Mas, foi na Bahia que se montaram as melhores oficinas de construções e onde saíram navegações para toda a Costa Brasileira. Teve grandes desenvolvimentos durante os séculos 16, 17 e 18º. Para a Bahia veio oficiais experientes em riscos para todos os tipo de embarcações e largo saber naval. As construções navais, tiveram grande auxilio, se não decisivo, nos braços dos negros escravos, nas reservas florestais e nas fibras naturais de: gravatá, ticum e craua. Madeiras de lei não faltavam, principalmente a jequiriça a mais procurada.
D. Fernando José de Portugal deu a Bahia o privilégio do grande incentivo para a Marinha. Justamente na época em que os corsários franceses mais perseguiram o comércio com a África e a Índia.”(Fonte do livro: “A Margem da História da Bahia” autor: Francisco Borges de Barros)"Foi construido em 1862 a 1866 um grande edifício a beira-mar para servir de Escola e moradia. Cujo nome era Companhia de Aprendiz Artífices já registrados 14 meninos menores, 2 maiores e 3 adidos".(Fonte:Resumo Cronológico da Província da Bahia desde 1500 a 1885 - autor: José Alvares do Amaral)
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As fortificações e reparações dos Fortes existentes e alguns que foram construídos no século XVIII eram atribuídos ao mestre de obras João Massé, presume-se ser o primeiro arquiteto e coordenador dos Fortes da Bahia e Rio de Janeiro.” ( Fonte do livro: O Rio de Janeiro no tempo do onça” – autor: Alexandre Passos, pág. 78)
“Na planta desta cidade, levantada no tempo do vice-rei Marquez de Angeja e pelo engenheiro militar João Massé brigadeiro do exércitos, planejador do sistema de fortificador da Praça da bateria do Forte de S. Paulo ou Forte da Gambôa como era chamado primitivamente, nome que deriva do sítio que existia uma camboa de pesca dos índios da aldeia de S. Simão, próximo do lugar em que está hoje o Passeio Público com extensão á beira mar, ligando-se por uma linha de trincheiras ao Forte de S. Pedro no porto da Gambôa. No ano de 1772 foi concluído. Fortaleza de S. Paulo da Gambôa. Segundo Borges de Barros. Neste Forte foi instalado o canhão Armstrong, vindo da Inglaterra em 1771.”(Fonte: Revista do Instituto Geográfico e Hist. da Bahia, nº 56)
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Características das Embarcações de Longo Curso – nos séculos 16, 17 e 18º
Bergantim – Era embarcação de dois mastros armados no feitio dos Brigues.
Brique – Embarcação de dois mastros, sendo que o mastro maior se inclina para a prôa.
Caravella – Pequena embarcação de velas latinas. A vela latina tinha a forma do triangular. Século XVI
Corveta – Navio com três mastros. Por sua natureza eram de guerra, mas também aplicados ao comércio, pela razão da defesa contra piratas.
Fragata – Navio de guerra, também destinado ao comércio. Possuía três mastros.
Galeão – Navio de alto bordo de guerra e também destinado ao comércio, com velas latina.
Galera – Embarcação comprida e estreita com dois ou três mastros.Chamada também de Galeaça do século XVIII.
Escuna – Embarcação de dois mastros, com vergas na proa e sem mastaréu de joante.
Patacho – Embarcação de dois mastros.
Charrua – Embarcação com dois ou três mastros.
Baixel – Embarcação pequena tipo Escuna – século XIX.
Todas as embarcações de comércio tinham figuras ornamentais nas prôas, chamadas “Carrancas”, conforme se verifica no relatório de viagem escrito por Nascimento Costa, comandante do navio Santo Antonio de Polifemo, atracado pela nau francesa a “La Preneuse”. A tradição das “Carrancas” é mantida até hoje por barqueiros do Rio São Francisco. São figuras bizarras esculpidas em madeiras que ficam nas prôas das suas embarcações. Segunda a lenda “ é para afugentar o mau agouro vindo do mar”.
(Fonte do livro: “ Novos Documentos para a História Colonial” – autor: Francisco Borges de Barros)
Nau – Grande embarcação, navio de guerra ou mercante.
NAVIOS AFUNDADOS NA COSTA BAIANA – Náufragos
Gabão Espanhol – Afundado no porto de Balthazar Ferras, em 1714.
Kent – Navio Inglês que seguia para as Índias em comboio com uma armada mercante em julho de 1800.
Maraldt – Navio Inglês, afundado dentro da Bahia de Todos os Santos, entre o Forte da Barra e o Forte de Santa Maria em 28 de fevereiro de 1875.
Gamble – Navio Francês, afundado em Praia de Jauá, em25 de março de 1873. Encalhou às 2 horas da madrugada nos recifes á 7 milhas ao norte de Itapoá. O paquete pertencia a Companhia Messagerias Marítimes. Salvo toda a tribulação em botes, chegaram em terras de Vila de Abrantes às 6 horas da manhã. O carregamento ficou completamente perdido e o navio destroçado.”
Germânia – Navio Alemão, afundado nos recifes da Barra, na noite de 22 de setembro de 1876. Procedente da Europa .
Paraná – Navio Francês, afundado além de Itapoan, em 9 de outubro de 1877.
Manaú – Afundado em frente ao Monte do Conselho.
Cabo Frio – Afundado defronte ao Farol da Barra, em 1907.
France – Afundado em 20 de setembro de 1856 dentro da Bahia de Todos os Santos.
Gabão Sacramento – Afundado em 1669 por imperícia dos pilotos. Trazia o novo governador da Bahia, João Corrêa da Silva, em substituição a Alexandre de Souza Freire. Morrendo quase todos que vinham na guarnição de 600 pessoas de cujos cadáveres amanheceram boiando e cobrindo as praias. Dentre eles estava o novo governador. Ele foi enterrado no Convento de S. Francisco, com todas as honras de chefe de Província. Neste navio, trazia carregamento de estanho e cobre, para o Arsenal de Marinha da Bahia”.
Naus N. Sª do Rosário, Santo André, e outra que chegaram das Índias e tinham destino para Lisboa, incendiaram e afundaram no Porto de Balthazer Ferraz no local chamado Preguiça em 9 de maio de 1737”
Fragatas – Santa Escolástica e São Vicente Ferreira, ocorreram os naufrágios nas proximidades do baluarte da Ponta do Padrão local perto do Forte de Stº Antonio. As fragatas iam em seguimento da Nau Santa Maria de Bittencout, ambas estavam repletas de tropas destinada a Goa, onde se devia incorporar à expedição que iria restaurar a cidade de Mombaça, na Costa Oriental africana. “Tendo transposto a Barra, aproximava-se da ponta do banco de areia de Santo Antonio, aconteceu virar repentinamente e submergiu imediato. Foi muito grande o número de vítimas de tão grave desgraça, que se deu no sábado em 27 de novembro de 1700. Um dos mais trágicos sinistros que já se registraram nas águas brasileira na época.”
(Fonte do livro: (“A Cidade do Salvador” autor: Gilberto Silva – na parte “Histórias Trágicos Marítimos” – volume 6 ).
Nau Santa Clara – “ arrastada por fortes tormenta, desgarrado por completo, perdendo-se em nossa Costa Norte, encravando-se, despedaçando-se em cima de rochedos, na foz do Rio Arembepe no arraial do mesmo nome, litoral baiano. Transportava mais ou menos 400 pessoas que levavam muitas riquezas pessoais, escaparam somente 120, e os demais morreram” ( narrativa de Quiricio Caxa.) inclusive o próprio comandante também morreu nessa terrível tragédia marítima de julho de 1573”.
“O Santa Clara, estava vindo de Portugal para a Índia ao fazer escala, próximo a Arembepe, perdeu o controle com ventos fortes e bateu nos recifes. Diz a lenda que os tripulantes boa parte deles carregavam fortunas quando se jogaram no mar e morreram afogados ao tentar nadar até a praia outros poucos sobreviveram.”
Nau Senhora da Vitória – Nesta embarcação foi o túmulo de Balthazer de Aragão de Souza, o Bângala, o Capitão-mór, na note de 23 de janeiro de 1613. Embarcado com duzentos companheiros no “Senhora da Vitória” era grande navio de quinhentas toneladas, acabado de aprontar no seu estaleiro na Preguiça. Para levá-lo ao Reino distante. Morreu, então, o nosso Capitão-mór que ficou toda à noite na frente de sua embarcação procurando uma quadrilha de seis barcos franceses de guerra que zingavam na nossa Costa. O inimigo era silencioso e traiçoeiro. Foi no dia 24 de fevereiro, dia de São Mathias, que o navio de Balthazer de Aragão avistou os franceses navegando nos lado do Morro de São Paulo, rumo ao boqueirão, local de desembarque. Balthazar investe afoitamente sobre os navios, que sendo o navio grande a vela, lhe toma o balanceio da embarcação e vira.
“O Senhora da Vitória, não chegou a participar da luta feroz, que seria. Sinalou tão triste termo. Mal abrira as portinholas de baixo de sua artilharia para descarregar sobre a nave visada em todo poder de fogo. Um forte vento caiu de chofre sobre seu velame de grossa catonia, adernando-a de tal jeito que despregou das suas amarras os pesados canhões que correram todos para um de seus bordos, permitindo assim que a água entrasse incontinente pelas portinholas, calando-se pelas escotilhas que iam abertas”.
Balthazer de Aragão estava vestido em sua armadura luzidia, o elmo justo, a espada afivelada, desapareceu com a sua própria Nau, cujo fim trágico, agora consumado, ele adivinhara, por várias vezes, ao repetir, pesaroso, aos carpinteiros da Ribeira das Naus: “Façam como estivessem fazendo o meu ataúde”. E fez, herói no dia 24 de Fevereiro de 1613, ( Fonte do livro: “A Cidade do Salvador”)
NAUFRÁGIOS E INCÊNDIOS MARÍTIMOS
O São Pedro – Nau castelhana da destroçada esquadra de Simão de Alcaçova. Fundeada nas Costas de Boipeba em 1º de maio de 1538.
Em 1547, na arrebentação na praia de Pinaúna em Mar grande (Itaparica), a embarcação de Francisco Pereira Coutinho, vindo de Porto Seguro, falecendo o nosso donatário nas mãos dos silvícolas da ilha fronteiriça à Salvador.
Em 1551, nos famosos recifes do Rio Vermelho, o navio de Vicente Gonçalves, piloto-mór da da carreira de Flandes.
Em 1560, próximo a está cidade no largo da Bahia de Todos os Santos a nau denominada “São Paulo”.
Em julho de 1573, nas rochas de Arembepe, a nau chamada de “Santa Clara”.
Em 1596, a nau denominada “São Francisco”.
Em dezembro de 1599, na entrada da Barra, a nau de Francisco de Araújo, vindo do Rio de Janeiro, afundada pelos flamengos de Van der Does.
Em julho de 1604, dentro da nossa baía, por ocasião do ataque de Van Caarden, três embarcações portuguesas e dois navios flamengos, guerras.
Em 10 de agosto de 1610, em um banco de areia, frente a está cidade. A cargueiro “Nosso Senhor de Jesus” em que viajava Pyrard d’Laval.
Em 9 de maio de 1624, em nossa baía, quando do assalto de Vellekeus, sete navio portugueses.
Em 1625, em nosso porto, cidade baixa, seis navios flamengos, afundados pelas baterias espanholas do Convento de Stª Teresa.
Em março e junho de 1627, defronte desta cidade, em fogo de guerra, invertida de Pieter Heyn, duas naves flamengas e várias embarcações menores portuguesas.
Em agosto de 1647, em nossa baía, um galeão português e duas naus flamengas da esquadra de W. Cornelizoon.
Em julho de 1648, na entrada da Barra, o galeão luso “Rosário”, posto a pique pelo seu próprio comandante, Frei Pedro Carneiro, que lançou fogo no paiol da pólvora e voou para os ares, arrastando também ao abismo os navios flamengos “Gyssehing” e “Urect” que o abordaram. Ato de bravura ou de loucura? Acreditaram que no navio do Frei estava grande carregamento em ouro e pedras preciosas.
Em junho de 1665, em nossa baía, o galeão “N.Sª. de Pópulo” estava a deriva, destroçado, sem amarras e sem âncoras. Foi de encontro aos recifes da Praia de Pinaúna em Mar Grande.
Em 1693, em nosso porto, quando se dirigiam para a Índia, a nau “Sereia” e o patacho “Santa Ecolástica”.
Em 1700, nas águas do nosso porto, dois navios portugueses e a nau “N. Sª. Do Bom Sucesso”, que incendiou-se.
Em 1714, defronte da praia da Preguiça, o galeão espanhol, “São Pedro”; às 7hs. Da manhã de 10 de maio de 1737, e nas pedras da Jequitaia, as naus Nª.Sª do Rosário e Stº André.
Em 10 de fevereiro de 1755, Incendiada em nosso porto, a nau “Nª.Sª. da Caridade” e a nau São Francisco.
Às 9 hs. Da manhã de 9 de julho de 1799, nas pedras de Mont Serrat, o navio Inglês “Queen”.
Em 25 de outubro de 1802, arrastado por um temporal, o Bergantim “Paquet Raquel”, indo de encontro ao “cais do porto” sofrendo avarias.
Em 18 de maio de 1806, incendiou-se depois de encalhado na ponta de Mont Serrat, uma galera da esquadra francesa de d’Hermith.
Em 1810, também na nossa baía, submergiu o navio Inglês “Kent”.
Em 1832, na altura de Mont Serrat, a barca á vapor “Paraguassú” construída aqui na Bahia pelo Marquez de Barbacena, foi o primeiro navio no gênero armado no Brasil.
Às 11 hs. Da noite de 27 de setembro de 1874, em nosso porto, e preso de violento incêndio, o vapor francês “La France”
Em 1858, no canal de Itaparica, uma embarcação Inglesa, carregada de carvão de pedra.
Às 2 hs. Da madrugada do dia 25 de março de 1873, nos recifes perto da praia de Jaúa em Itapoan, o vapor Francês chamado de “Gambie”.
Ás 8 e 45min. Da noite de 28 de fevereiro de 1875, nos recifes situados entre as Fortalezas de Stª Maria e Stº Antonio da Barra, o vapor Inglês “Maraldt”, carregado de lã e couro.
Em 2 de agosto de 1875, a duas milhas ao Norte do Rio Vermelho, o vapor “Paulo Afonso”, da nossa Companhia Bahiana.
Em 1875, em nosso porto, o vapor “Moskma”.
Na noite de 22 de setembro de 1876, nos recifes da Barra, o vapor Alemão “Germânia”.
Às 9 hs. Da noite de 9 de outubro de 1877, ainda nos recifes da praia de Jaúa perto de Itapoan, o vapor Francês “Paraná”.
Em 1886, no porto dos Ferreiras na preguiça, o vapor “Dois de Julho” pertencente a nossa Companhia Baiana.
Na tarde de 21 de abril de 1901, em Pedra Furada, entre Mont Serrat e Porto da Lenha, afundou a barca Norte Americana “Anna Reed”
Às 4 e ½ hs. Da tarde de 2 de setembro de 1903. na altura do Forte de Stª. Maria, o paquet Francês “Bretagne”.
No dia 21 de janeiro de 1907, no mesmo local acima mencionado, um quase naufrago o vapor Austríaco “ Melpomene”.
Às 12 hs. De 31 de agosto de 1908, nos recifes da Barra, o vapor Alemão “Cap.Frio”, carregado com 9 mil sacos de café para Hamburgo.
Ás 13 hs. Do dia 19 de outubro de 1910, defronte do Forte de Stª Maria, o vapor Francês “Bellevue”, teve semi-abalroamento.
Aos 13 de julho de 1912, nas Costas de Mar Grande, ilha de Itaparica, o vapor Norte Americano “Geneve”.
Em 1913 em nosso porto, tomado de chamas o navio de pesca “Frederico Villar”.
Em agosto de 1917, defronte da Igreja da Penha, em Itapagipe, a canhoneira Alemã “Eber”.
Em 1924, frente ao nosso porto, o vapor brasileiro “Itagibe”, alcançado pelo aríete do cruzador sueco “Fligia”.
Em 1942 ou 1943 com datas incertas, defronte da praia de Itapoan, quase abalroado o paquet Pedro II do Loyd Brasileiro.”
( Texto extraído do livro: “ Os Naufrágio Célebres” – autores: Zurcher e Marcolli)
História Trágico Marítimo – Código 910-45 H579 V. 6-12 (Biblioteca Pública do Estado).
Em 18 de agosto de 1819 – No estaleiro da Preguiça, foi construído o primeiro navio a vapor no Brasil. A máquina foi importada da Inglaterra por Felisberto Caldeira Brant. Futuro Marquês de Barbacena.” (Fonte do livro: “ Efemérides da Igreja da Conceição da Praia” autor: Mons. Manoel de Aquino Barbosa vulgo “Dedê Bus”. (pároco da mesma igreja)
Nota complementar: “Em 2 de abril de 1806 – Chegou no porto desta cidade uma Esquadra francesa trazendo o Príncipe Jerônimo Bonaparte, irmão do Imperador dos franceses Napoleão Bonaparte. Foi recebido com todas as honras e aclamação do povo.”
(Fonte do livro: “Almanak da Província da Bahia” – ano 1881).

A PIEDADE E A JUSTIÇA


Nas “Memórias Históricas e Políticas da Bahia” de Inácio Acioli de Cerqueira e Silva, pág. 151 escrito em 1835, vem narrando uma discórdia entre a Santa Casa da Misericórdia e a justiça, motivada pela execução de um condenado.

As Misericórdias de Portugal e do Brasil, tinham o privilégio de cobrir com a sua bandeira os condenados à morte que escapavam por acidente no momento da execução. Em certos casos em que rebentasse (partisse) a corda ou quebrava-se qualquer um dos instrumentos de súplicas (força ou guilhotina) e caía o infeliz ao solo ainda vivo. O porta estandarte, imediatamente, cobria a vítima com a bandeira da misericórdia, considerava-se este ato como cumprida a sentença. Estava salvo o condenado à pena última. Vários conflitos se originaram em conseqüência desta prerrogativa. Isto porque a corda era fornecida pela Santa Casa. Acompanhava os irmãos da Irmandade o sentenciado e ele levava a corda. Tocavam a campainha e rezavam em procissão chamando a misericórdia, misericórdia...Não raro a corda era antecipadamente imersa em água fria para que se tornasse mais rígida. Porém, a corda não resistia com o peso e partia. Veja este caso: “ Dois réus foram sentenciados à pena última. Durante a execução um deles caiu com o algoz do alto do patíbulo. Quebrava-se um dos travessões. Estava vivo. A Irmandade da Misericórdia, usando de seu antigo privilégio cobriu o réu com a sua bandeira. Estava cumprida a sentença, conforme a praxe.

O meirinho das execuções não se conformou com o caso. Maldosamente, avançou para o condenado e desferiu vários golpes de estocadas. Irritaram-se os irmãos e o povo. Quiseram “atassalhar” agredir o meirinho. Salvou-o a presença de um vereador Jerônimo de Burgos que presidia à execução e mandou recolher o assassino à cadeia sob grande escolta. Em vão, tentou o povo agredir o oficial. A Irmandade seguia então para o palácio governamental acompanhada pelo povo. Levava a bandeira estendida em sinal de protesto e exigia a imediata punição do culpado. O Governador não se comoveu com o clamor público. Mandou dispensar a multidão pela guarda e prendeu os irmãos da Misericórdia. Só saíram da cadeia por intervenção do procurador e desembargador Dionísio de Azevedo Avellar. Por carta régia de 30 de abril de 1716 com esse procedimento aprovado, declarando-se, ainda, que em casos semelhantes ao que provocara o tumulto a pena seria executada.

Ato desumano! Não conheciam o perdão nem o conforto que dá o sentimento de piedade. Não meditaram sobre a beleza desta virtude, na amplitude da súplica, implorando piedade para tudo e para todos que saem da normalidade da natureza e a boa razão impõe na harmonia da sua contextura, piedade é súplica do perdão “para o pobre moribundo” – “ para o lobo que devora” – “ para a pedra que esmaga” é o último pedido do criminoso, piedade... E mais uma vez o pedido do povo e as normais muito antiga da Santa Casa não foi respeitada.”

(Fonte do livro: Revista do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia” vol. 69 pág. 225/226 )

MEUS COMENTÁRIO:

A Religião e o poder da Irmandade naquela época, dobravam força com a justiça o que não era aceito pelo Governo e entravam sempre em choque movido por interesses particulares. O povo católicos e fervorosos e quase sempre contra o governador.

A RELIGIÃO NÃO PODE INTERVIR NAS DECISÕES DA JUSTIÇA, SOBRE QUALQUER PRETEXTO A SENTENÇA É SOBERANA. Por essas e outras razões foi separado o Estado da Igreja em 1890. Vamos ler abaixo:

Note bem: Separação entre o Estado e Igreja. Entre as primeiras medidas do Governo Provisório estava a separação entre a Igreja e o Estado. Além de não mais existir uma religião oficial no país e de estabelecer a plena liberdade de culto, o Estado assumiu uma série de funções importantes que antes eram prerrogativas da Igreja católica. Até então, a emissão de certidões de nascimento, casamento e mote eram atribuições eclesiásticas. A partir da promulgação da lei de 1890, contudo, apenas os registros civis passavam a ter valor legal. Ao mesmo tempo em que a Igreja saía da tutela do Estado, perdia os controles da vida social que detivera. Uma das mudanças mais polêmicas foi a instituição do casamento civil que possibilitaria a separação legal dos casais, inadmissível pelo catolicismo.

Trabalho de pesquisa de Álvaro B. Marques

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

UM SALTO DE CORRUPÇÃO ATÉ O SÉCULO XVII NA BAHIA

No nosso país a corrupção vem de longas datas, já nos idos do século XVII, quando o pau-brasil era ouro, os franceses, ingleses sabiam explorar o nosso território transformando-os em inveterados contrabandistas do nosso Ibirapitanga.
Vamos acompanhar os relatos do historiador Alberto Silva, no seu livro: “A Cidade do Salvador” (aspectos seculares) publicado em 1957/Ba. Quando ele diz: “Os franceses em maior escala sobretudo no primeiro século da nossa História. Os ingleses porém mais teimoso nas suas aventuras, pois até os princípios da passada centúria andavam ainda pelas nossas Costas Sul, ora em Porto Seguro, ora em Caravelas.”
“Entretanto, porém, em nosso assunto, Sr. Tomás Lindley, um destes ousados contrabandistas ingleses, teimava realizar ainda em 1802, em nossas praias desertas, o perigoso escambo do pau-brasil. Caixa do Bergantim “Paquet Rachel”, contrabandeava Lindley em Porto Seguro, quando foi detido pelo Ouvidor Geral do Crime, Cláudio José Pereira da Costa. Em carta enviada a Londres aos seus conterrâneos Syomore e Groskan, responsabiliza, Lindley pela sua prisão, o comandante do Bergantim e o capitão-mor de Porto Seguro, que tentava se apoderar da mercadoria contrabandeada. O contrabandista britânico teve, porém, um gesto nobre de ocultar o nome do seu sócio na arriscada aventura; o ouvidor de Porto Seguro, José Duarte Colho, preso, por determinação das Cartas Régis de 31 de janeiro e de 23 de fevereiro de 1803, remetidas ao então Governador Francisco da Cunha Meneses.
Tomás Lindley chega preso a está cidade no dia 26 de setembro de 1802, sendo recolhido dois dias depois com sua esposa aos calabouços inferiores do Forte do Mar. Passaram aí uma noite horrível, a primeira noite de 28 para 29 de setembro, sob um frio de doer os ossos rodeados de caranguejos, gafanhotos pretos e de uma rataria atrevida e barulhenta. Condoído dos sofrimentos do casal britânico, decide, transferi-los a mando do comandante Cardoso. Trazendo-os, para a parte superior da Fortaleza. Em novo alojamento de cômodo livre, cozinha razoável e vista para o mar. Lindley e senhora vivem, então, dias fartos de alegrias íntimas, admirando as tardes agradáveis e o lindo panorama da cidade fronteiriça. A beleza da Baía de Todos os Santos, o vai e vem das lanchas de passageiros com músicas a bordo, dirigindo-se as festas das localidades dos recôncavos. Nesta acomodação, apreciaram Lindley e esposa, na tarde de 8 de dezembro de 1802 a imponente procissão de Nossa Senhora da Conceição que se arrastava, fronteira, perto do cais da cidade baixa.
Apesar de tantas considerações e boas acomodações que lhes foram reservadas, Tomás Lindley sempre queria era a liberdade. Pois bem, até isso a fortuna veio ao seu auxilio e a influência contribuiu. Certa vez, em visita ao Forte do Mar, um seu patrício, o comodoro Campell, que estava na direção da belonave inglesa, surta no porto. Encontrando Lindley preso naquele Fortaleza, prometeu-lhe o oficial britânico que conseguiria a sua liberdade com o Governador Francisco da Cunha Meneses. Prometeu e cumpriu, pois passados apenas alguns dias Lindley, recebe a visita de um mensageiro que lhe informa que, se o exame médico a que teria de se submeter declarasse que aquela prisão é nociva a sua saúde, seria imediatamente transferido para outra Fortaleza. Todavia, acrescentou o aludido mensageiro, se ele, Lindley, quisesse despender a quantia de 4$000 mil réis teria logo a Certidão da Junta Médica sem que fosse incomodado na sua prisão”. Aceita a inesperada proposta e de súbito o britânico entrega ao mensageiro a importância arbitrada. Aguardando, meio desconfiado o seu destino. Horas depois, retornava ao Forte do Mar o mensageiro, trazendo um atestado medido firmado pelo cirurgião João Dias da Costa e pelo médico Isidoro José de Sousa. Neste documento oficial tinha escrito “juravam ambos sobre os Santos Evangelhos que o Sr. Tomás Lindley, estava violentamente atacado de inflamação generalizada e que ainda lhe provocavam hemorróidas, afetando-lhe todo o organismo a ponto de comprometer a sua existência” e concluíram: “ pela necessidade de Tomás Lindley passar a residir na cidade para mudança de ares e mais conforto que lhe eram absolutamente necessários a fim de prevenir mais sérias conseqüências”.
Transferido, semanas corridas, para a Fortaleza do Barbalho. Lastimou logo o casal britânico os seus “cômodos pequenos e úmidos, muito diferente dos arejados e limpos do Forte do Mar”. Em compensação eles tinham a permissão de passear ambos pela cidade o que lhe foi cedido por menagem. E foram esses passeios longos por todos os cantos desta cidade que lhes permitiram fugir, sem dificuldade, rumo a longínqua Inglaterra. Na noite de 5 de agosto de 1803, tendo acertado tudo, não voltou mais a Fortaleza do Barbalho o casal ingleses. Ignorando a sua ausência o comandante Joaquim Alberto da Conceição Matos, comprometido de fato nesta aventura. No dia seguinte do aludido mês, pelas 3 horas da tarde, em pleno dia, Lindley e a esposa, tomaram na praia uma canoa de cobertura que se dirige imediatamente para o brique “Três Corações” ancorado em alto mar e pertencente ao negociante maçom Antonio da Silva Lisboa, que lhe facilitou a fuga. Passados algumas semanas o casal britânico saltava na cidade do Porto, em Portugal para ser conduzido em navio inglês para a Inglaterra. Tal aventura Tomás Lindley conta no seu livro de memória “Viagem ao Brasil” escrito em inglês mas não revela ser contrabandista porém, relata usos e costumes do povo baiano e coisas do Brasil.” (Do livro: “ A Cidade do Salvador” – autor: Alberto Silva)



MEUS COMENTÁRIOS - Álvaro

Eis uma história de corrupção, suborno e tráfico de influência passado no principio do século 19 na Bahia tão a gosto do nosso reinol, envolvendo autoridades, médicos, militares e pessoas ligadas ao governo. Foi comentado na época que a Maçonaria contribuiu para a fuga de Tomás Lindley dentre de outros fatos. Sempre existiu essa fatia podre do bolo de interesses em governos inescrupulosos em nosso País. É “um sistema endêmico” como disse um diplomata norte americano que foi censurado por políticos de autos escalões do governo brasileiro. Somente agora no inicio do século XXI é que estamos vendo no fim do túnel alguma coisa “justiça”.







Trabalho de pesquisa de Álvaro B. Marques


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