segunda-feira, 15 de abril de 2013

CAPELA DE JOÃO DE DEUS DO ASILO



CAPELA DE JOÃO DE DEUS.
(padroeiro dos Hospitais e doentes)
“Foi inaugurada em 24 de junho de 1874 data também da inauguração do Hospício dos Alienados São João de Deus. Prédio onde Castro Alves teve a sua mocidade os melhores anos da sua vida. Esta pequena ermida ainda existe na antiga fazenda Boa Vista, da qual foi seu primeiro proprietário o conhecido negociante Manoel José Machado em principio do século XVIII no caminho do Engenho Velho em Brotas”.(Fonte: Revista do Inst. Geo. e Hist. da Bahia nº 56 narrativa de João da Silva Campos em seu livro “Tradições Baiana”.)
 “Nesta Quinta, chamado de Boa Vista onde se vê toda a beleza da cidade pelo alto coberto por vegetações. O Manoel Machado como era conhecido, no topo da torre deste Solar, avistava os navios chegando ao Porto e mandava a correr alguém ir á Alfândega avisar da chegada do navio tal que trazia as suas mercadorias. Ali ele tinha a visão das torres mais altas, igrejas e conventos. Falavam que havia um subterrâneo que saía no outro lado da fazenda para refúgio de escravos novos. O Manoel Machado era também comerciante de escravos.” (Fonte: Resumo Cronológico e noticioso da Província da Bahia deste o ano de 1500 até 1885 autor: José Álvares do Amaral.)
Fatos marcantes da época
“O Hospício São João de Deus – inaugurado em 24 de junho de 1874, na Provedoria do senador baiano Conselheiro Manuel Pinto de Sousa Dantas. O edifício foi arrematado em praça judicial por 58:289$700 sendo entregue à Santa Casa da Misericórdia da Bahia, pelo Governo em 26 de setembro de 1869, por contrato, em que á Santa Casa ficava encarregada de fazer as obras necessárias para o Hospital-Asilo e administrar. Recebendo para este fim dos cofres provincial a quantia de 39:633$799 e mais o patrimônio de 51:755$730 proveniente de vários donativos, bem como 12:600$00 produto da subscrição particular, promovida pelo Presidente da Província, o Desembargador Figueiredo Rocha. Desde 1874 até 1912 (durante 38 anos) o Asilo São João de Deus, esteve sempre na administração da Santa Casa da Misericórdia da Bahia. Seu primeiro mordomo o Dr. João José Sepúlveda de Vasconcelos e o primeiro diretor Dr. Demétrio Ciriaco Tourinho, professor extinto da Faculdade de Medicina da Bahia.
Antes de instalado esse Asilo, os alienados nesta cidade, viviam em úmidos e insalubres subterrâneo do antigo Hospital São Cristovam da Misericórdia, à rua do mesmo nome. Depois foram para as prisões da Casa de Correção em verdadeiras furnas, cavadas na própria rocha, guarnecidas de sólidas grades de ferro, grutas infectas situadas em subterrâneos no antigo Colégio dos Jesuitas na praça 15 de novembro(Terreiro) onde ficaram por mais de 30 anos os infelizes habitantes. “A opinião médica da época condenava o local e o procedimento dos doentes, o local não mais suportava tantos, e as ruas vizinha da Casa de Correção estavam cheia de mendigos doentes. A opinião pública fez com que o Governo tomasse uma providência á compra da Fazenda Boa Vista”.(Fonte: “Bahia Histórica – autor Sílio Boccanera Jr.)
O Asilo foi devolvido ao Governo (havia muita divergência médica com a administração do Hospício por Madre Superiora “leiga”) e mais tarde o nome do Hospital João de Deus mudou em 1936 para Hospício Juliano Moreira em homenagem a este psiquiatra, reformador do sistema psiquiátrico da Bahia.
Fatos de hoje: No dia 04.01.2013.  O Parque Solar Boa Vista que abriga a Secretaria Municipal de Educação do Estado, consumir-se em chamas a torre do relógio, local que a Secretaria tinha o arquivo e mais abaixo as salas funcionais lado direito. Destruindo assim a pequena ermida Capela de João de Deus. Eu visitei a Capelinha, no altar-mor havia a imagem de Santo Antonio em tamanho médio e mais abaixo a imagem de Nossa Senhora dos Aflitos. O forro era de madeira pintado em alto relevo, um grande lampadário de prata. Era tão pequena o adro da nave que só tinha dois bancos grandes sem forro e uma pia de batismo. Todo o seu interior aspirava simplicidade e humildade. Coisa bela perdida. Espero que o poder público restaure este Solar de grande valor literário da Bahia. Tombado pelo Inst. do Patrimônio Hist. e Artístico Nacional em 16 de outubro de 1941.
Sempre é o incêndio o causador de lamentações de perdas e danos Históricos da Bahia.
Álvaro B. Marques.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

O CHÁ, O CAFÉ E A LARANJA DA BAHIA




É BOM LEMBRAR: O chá foi introduzido na Europa, em fins do século XVII, da Holanda que desenvolveu a sua plantação na ilha de Java, cuja cultura desordenada encontrou um clima favorável. Chegou-nos o chá para o Brasil por intermédio da metrópole, ainda no século XVII. Os cronistas da época afirmaram que o cultivo das plantações do chá veio com os jesuítas na Bahia, depois Pernambuco e mais adiante no Rio de Janeiro. Trazido também, por mercadores da Companhia das Índias Ocidental. Os portugueses trouxeram as folhas secas e mudas da pitangueira e vassourinha para a colônia brasileira. (Fonte do livro: O Rio de Janeiro no tempo do “Onça” autor: Alexandre Passos – págns. 49) Na realidade o chá já era difundido há muitos séculos pelos chineses, Oriente Médio e toda a Ásia. A sua história remontada da China, vejamos: “A planta camélia vem de origem da China e da Índia. Sendo que o primeiro registro do chá data do século III a.C. O tratado de Lu Yu, conhecido como o primeiro tratado sobre o chá técnico, escrito no século VIII, durante a dinastia Tang, definiu o papel da China como responsável pela introdução do chá no mundo. Foi introduzido no Japão no inicio do século IX por monges budistas que levaram da China algumas sementes. ( Fonte da Google (jardim de flores)
O CAFÉ DA BAHIA:“O introdutor da planta do café, cultivado na Bahia, veio desde o ano de 1809, por Manoel Fernandes Novinho, recebeu dos Capuchinhos italianos Frei Pedro de Serravezza e Frei Marcelo de Carmagnolo, os grãos de café que lhe surtiram grande e valiosa colheita”. (Fonte do livro: Anais do 1º Congresso de História da Bahia)
“Já no Rio de Janeiro o café quem trouxe foi Francisco de Melo Palheta; sertanista brasileiro, em 1727 da Guiana francesa, até onde conseguiu penetrar, as primeiras mudas e sementes do cafeeiro no Brasil. Mas o chá continuou a ser bebida normal, quente, dos brasileiros, começando a ser superado pelo café no último quartel do século XIX.” (Fonte extraída do livro: “Rio no Tempo do “Onça” – ( séc.XVI ao XVIII )
LARANJAS DA BAHIA.
“As primeiras laranjas da Califórnia são de origem baiana. Mandadas do Brasil algumas mudas em 1830. Por um americano possivelmente do consulado americano, radicado na
Bahia. Essas mudas foram cultivadas na estufa do jardim público do Capitólio em Washington nos Estados Unidos e daí seguiram para a Califórnia por ser o clima parecido com o do Brasil, principalmente da Bahia. Tratadas com mimos, essas árvores cresceram, frutificaram e multiplicaram-se tão rápido que constituem hoje uma fonte de renda e riqueza para o Estado da Califórnia. É triste pensar que a Bahia se quisesse ter essa fortuna seria dela e o país mais promissor.
Como também nas ilhas Malásias os ingleses cultivaram em grandes extensões de terras plantas do Brasil. Principalmente a árvore chamada de “árvore da borracha” e desenvolveram maravilhosamente a cultura. É mais uma fortuna que o Brasil do tempo do Império deixou sair de regiões ricas em faunas e floras. Por não querer cultivar o que por acaso nasceu.” ( Fonte do livro: “Correio da Roça - autor: Júlia Lopes de Almeida pub. Em 1913/BA).

NOTA COMPLEMENTAR: Realmente, na capital baiana Salvador no bairro do Cabula, foi o local das famosas “laranjas seletas e de umbigos” tão recomendadas pelo povo e até indicadas por D. Pedro II para serem cultivadas em Portugal, chegando a levar para a Metrópole mudas e laranjas o que não foi possível o cultivo por causa do clima. Também no interior da Bahia em Santo Antonio de Jesus, essas laranjas eram de boas qualidades. Naquela época os domínios portugueses no Brasil só tinham olhos para o cultivo da cana de açúcar, algodão e fumo por serem os mais procurados no mercado consumidor interno e externo e o lucro eram certos. Uma vez que esses produtos já eram de grandes interesses do Império.



Trabalho de pesquisa de Álvaro B.Marques

FATOS HISTÓRICOS E CURIOSOS - PARTE 1



FATOS HISTÓRICOS E CURIOSOS.- Parte 1

A Ilha dos Frades; “Fica perto de Madre Deus, distante a seis léguas de Salvador na Costa. Por antigas tradições, dizem: “que a ilha dos Frades ficou com este nome depois que os índios Tupinambás que nela habitavam, assassinaram dois Frades jesuítas que para ali foram em missão de catequização.”
Os índios selvagens da Bahia na época Colonial os mais conhecidos dos Frades missionários são: Botocudos, Tupys, Guaranys, Camacans, Tupynambás, Mongoyós, Maracás, Tobaiaras, Pataxós, Topuyas, Aymorés, Kariris.”
 (Fonte do livro; Revista do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia nº 46 – parte da narrativa do livro “Tradição Baianas” – autor: João da Silva Campos.)
Usos e Costumes: Eram morenos trigueiros, altura média, cabelos curtos e negros, fortes, rosto redondo. Usavam plumagens de aves coloridas, anéis de couraça de tatu, ossos de paca, dentes de cotia e capivara para colares e orelhas. Couro de jibóia e jararaca para cobrir o corpo do tempo. Todos exerciam a caça e a pesca com arco e flecha e guerreavam com seus inimigos quase parentes. Alguns deles eram antropófagos. Enterravam seus mortos em vasos cerâmicos em grande ritual.”
(Fonte do livro: Revista do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia nº 46 pág. 42)
GÊS – Etnografia: Um dos mais importantes grupos indígenas do Brasil, tanto sob o ponto de vista etnólogo em geral como à língua em particular. Também são chamados grãs. Ambas as denominações, derivadas  a Von Mathius, advêm da presença freqüente das partículas gês= pai e grã= mãe, em seu vocabulário. O nome Tapuyas (bárbaros), usado pelos clássicos para designá-los, corresponde também, conforme se verificou na tribos pertencentes a outros grupos. Pelos seus caracteres antropológicos e culturais, integram a mais antiga ou pelo menos, uma das mais antigas populações do continente americano. Tomando por base esses hábitos primitivos e selvagens; Dormem no chão sob uma esteira, ingerem crús a maior parte dos alimentos, e os homens usam os cabelos curtos cortados em forma de prato ou cuia. Suas principais tribos são: Botocudos, Aymorés, Camaçãs, Timbiras, Caiapós, Bugres, Cainganques, Pataxós, Chavantes com barba e Chavantes sem barba, mansos, Cherentes.” (Fonte do livro: Dicionário Enciclopédia Brasileiro – publicado em 1954).
Muitos contrabando de ouro e escravos foram feitos por ingleses, holandeses e franseses na Costa da Guiné, embora os holandeses muito mais que os outros. Atacavam e saqueavam os navios negreiros e outros com mercadorias de procedência do Brasil ou a caminho da África.”
Relação das Paróquias mais importantes de Salvador e suas datas de fundações.
1ª) – Catedral da Sé – Primacial do Brasil - 1553
2ª) _ Igreja Nossa Senhora da Vitória – 1529 ou 1530 data incerta.
3ª) _ Igreja Nossa Senhora da Conceição da Praia – 1623
4ª) _ Igreja Santo Antonio Além do Carmo _ 1648
5ª) _ Igreja de Sant’Anna – 1673
6ª) -  Igreja de São Pedro – 1679 (velho) demolida
7ª) – Igreja de São Pedro – 1916 (nova)
8ª) _ Igreja de Nossa Senhora do Pilar – 1718
9ª) _ Igreja do Santíssimo Sacramento – 1718 rua do Paço
10ª)- Igreja Nossa Senhora de Brotas – 1724          
11ª)- Igreja de Nossa Senhora da Penha – 1760 de Itapagipe com início da construção   em 1742 pelo VIII Arcebispo D. José Botelho de Mattos (Paróquia de N. S.da Penha de Itapagipe).
12ª) –Igreja de Nossa Senhora dos Mares – 1870
13ª) – Igreja de Nossa Senhora de Nazaré – 1894
14ª) – Igreja de Sant!Anna – 1913 do Rio Vermelho
15ª) -  Igreja Mosteiro de São Bento (ordem dos Beneditinos) 1752
16ª) – Igreja do São Francisco Xavier – (ordem Franciscana) 1723
17ª) – Igreja de Nossa Senhora da Piedade – (ordem dos Capuchinhos) 1679
18ª) -  Igreja da Lapinha – ( ordem dos Agostiniano ) 1771
19ª) – Igreja de Santo Antonio da Barra – (companhia de Jesus) 1536
20ª) – Igreja da Graça –1525/1527
21ª) – Igreja da Palma – 1630 ( imagem vinda de Portugal )          
22ª) -  Igreja de São Roque – 1722 da Barroquinha.
23ª) – Igreja de MontSerrat – 1718 de Itapagipe.
24ª) – Igreja do Bonfim – séc. XVIII  1754
25ª) – Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos – ( ordem V.O.3ª S.F. ) 1701
26ª) -  Igreja de São Lázaro Mendigo –
27ª) -  Igreja e Convento de Santa Tereza – 1697
28ª) -  Igreja e Convento do Desterro – fundado em 1677.
29ª) – Igreja e Convento do Salete – 1861
30ª) _ Igreja de S. Domingos – 1731 início da sua construção.
As Igrejas demolidas para o progresso baiano:   
Igreja Nossa Senhora da Ajuda
Igreja da Sé.
Igreja de São Pedro Velho.
Igreja de Nossa Senhora do Rosário das Mercês – antiga.
Igreja de N. S. da Boa Viagem – inicio da sua construção em 1712 por Frades Franciscanos.
“Igreja e Convento de N. S. da Conceição da Lapa, fundado em 7 de dezembro de 1744, sendo o Arcebispo Primaz do Brasil D. José Botello de Mattos foi quem mandou construir sobre as despesas de João de Miranda Ribeiro e Manoel Antunes de Lima e auxílios de muitos católicos ricos com intuito de enviar as sua filhas para serem religiosas neste Convento das Religiosas Professas”(Fonte do livro: “A Devoção do Senhor Jesus do Bom Fim e sua História”- autor: José Eduardo Freire de Carvalho Filho.)
A FAMOSA JÓIA ROUBADA DA IGREJA DO SENHOR JESUS DO BOM FIM
A jóia foi furtada dentro da Igreja no dia da festa da Devoção do Senhor Jesus do Bom Fim. “ estimada de muito valor, pequena porção do verdadeiro “LENHO DA CRUZ” em que Jesus Cristo foi pregado e faleceu redimindo a humanidade. Essa relíquia, foi dádiva de Sua Santidade o Papa Pio IX que entregou ao nosso virtuosíssimo Prelado de saudosa memória D. Manoel Joaquim da Silveira, conde de S. Salvador, o qual ofereceu ao Senhor Jesus do Bom Fim no dia 27 de dezembro de 1867; o “Lenho da Cruz” estava dentro de um relicário de ouro cravejado de esmeralda e suspenso por um cordão de ouro em frente a imagem de Jesus crucificado no altar mor. Mão profana roubou essa santa relíquia e seu relicário em dia de festa que a Irmandade do Senhor Jesus do Bom Fim fez descer do seu trono e foi colocado no corpo da Capela à adoração dos fiéis. O esforço para descobrir o criminoso foi em vão e nunca se soube quem cometeu tamanho crime, que se deu na administração do muito digno Tesoureiro Dr. Thomaz de Aquino Gaspar. Não foi este o único relicário roubado da Capela do Senhor Jesus do Bom Fim; em 1821 deu-se o roubo de outro relicário que pertenceu a Irmandade de Nossa Senhora da Guia, pendurado na imagem.”
“É sabido que sempre houve roubos em Igrejas, principalmente nas Igrejas que têm muitas Irmandades.”“Hino do Senhor do Bom Fim, música do maestro Tenente João Antonio Wanderly e letras de Egas Muniz Barreto de Aragão – “Pethnon de Villar”.
Antonio Joaquim Franco Velasco, foi um dos mais notáveis pintores filhos da Bahia, onde nasceu em fevereiro de 1780 e faleceu em 3 de março de 1833 com 53 anos. Fora discípulo de José Joaquim da Rocha.. Velasco fez a pintura do teto da Capela do Senhor Jesus do Bom Fim em 1818 a 1819. Os seis grandes quadros da sacristia e os 34 painéis suspensos nos corredores da Igreja do Senhor Jesus do Bom Fim, representa as diferentes passagens da Escritura Sagrada. São obras do pintor baiano José Theofhilo de Jesus e os dois mais expressivos e modernos quadros são de autoria do pintor baiano Bento Capinam que representam a morte do Justo e a morte do Pecador.”
(Fonte do livro: A Devoção do Senhor Jesus do Bom Fim e sua História – autor: José Eduardo Freire de Carvalho Filho.)
São Gonçalo de Amarante, como reza a crônica, o milagroso Santo é patrono dos casamentos das senhoras solteironas e das senhoritas.Na igreja do Bonfim, consta a sua devoção desde o ano de 1865 quando foi tesoureiro o Dr. José Antonio de Silva Serva.”
“As músicas das novenas do Senhor do Bonfim é privativa, produção do notável compositor João Manoel Dantas, nascido em Cachoeira, cidade do recôncavo baiano no ano de 1815 e faleceu em Feira de Santana no dia 9 de fevereiro de 1874.”
As noites de novenas de festas na Capela do Senhor Jesus do Bom Fim (era assim que se escrevia) as músicas eram tocadas na porta por “músicos barbeiros” e cada banda tinha o seu mestre; Manoel Francisco Nunes de Moraes, Custódio Francisco Nunes e José Antonio Etra, que por cada música tocada recebiam em torno de 24 a 47 mil réis. Pago pela Irmandade, depois de alguns anos, apareceu a Banda da Polícia Militar que tocavam no coreto no largo enfrente a Igreja.”
É Bom Saber: Que os músicos barbeiros eram escravos africanos forros, que organizavam uma banda e se apresentavam nas portas das Igrejas e em praças públicas. Como também, nas horas vagas extraiam dentes e faziam sangraduras.”
A denominação de “casas dos romeiros” provem de terem sido edificadas para abrigar os romeiros que vinham de longe para cumprir seus votos, dirigir suas preces, e suas suplicas na  festa do Senhor Jesus do Bom Fim”.
Foi separado a Igreja do Estado em 7 de janeiro de 1890, por decreto nº 119 no Governo Provisório da República.”
(Fonte do livro: “A Devoção do Senhor Jesus do Bom Fim e sua História” – autor: José Eduardo Freire de Carvalho Filho. – publicado em 1923/Ba.)
Rio Vermelho, o sitio que de meio século (até inicio do século XX) se tornou arrabalde aristocrático. Outrora povoação de pobres pescadores e de festas dos jangadeiros. Primitivos possuidores dessas terras eram os Tupinambás.”
(Fonte do mesmo livro acima de autor: José Eduardo Freire de Carvalho Filho)
Domingos Fernandes Calabar, polêmico, alguns historiadores considera traidor e outros não. Calabar morreu no dia 22.07.1635 em Porto Calvo, local que nasceu e morreu garroteado e esquartejado como taidor dos portugueses. Era mulato brasileiro, pernambucano, ex-militar de tropas lusitanas que virou para os holandeses. Matias de Alburquerque fez prisioneiro e julgou como traidor.


Pesquisas de Álvaro B. Marques.



sábado, 5 de janeiro de 2013

A INSTITUIÇÃO PIA NEM SEMPRE CARIDOSA




“És o lema: é o que se propõem os membros dessa Pia Instituição da Santa Casa da Misericórdia do Brasil:Criar, Instruir e Aliviar o mais possível, os indivíduos das classes pobres e sofredoras. Sua caridade não se limita a acolher os aflitos, vai procura-los e levar-lhes consolações e socorro em seus asilos particulares.”
                       “O rei, os príncipes e todos os fidalgos da corte, e centenas de outras pessoas de linhagem mais e menos eminentes, pertencem a essa associação. Nas reuniões, sempre quando são chamados, comparecem desde o fidalgo ao artífice, na mesma mesa.
Sentados lado a lado, tendo ambos o mesmo direito de votar, de decidir gozam da perfeita igualdade. Cada um dos seus associados dão certas quantia em dinheiro, mensal ou quanto puder, para às despesas que dispõe a “confraria”.Fazem também, os associados “legados” compromissos em vida para que no testamento seus bens sejam para a Santa Casa da Misericórdia, e em troca fazem dizer certos números de missas pelo repouso de sua alma e jazigo perpétuo.Aqueles que deixam grandes fortunas, têm o direito além dos citados acima, ter seu retrato na galeria dos benfeitores da Santa Casa. Mas a escolha de seus membros passam por uma triagem: ascendência, moral elevada, ser católico praticante, caridoso e principalmente ter cabedal.Esses são os requisito básicos para ser irmão da Santa Casa da Misericórdia.Sobre a égide de Nossa Senhora da Misericórdia.”
                  A aplicação desses recursos será para a manutenção dos seguintes estabelecimentos:
 Asilo do exposto: - Casa da Roda, recolhimento das crianças expostas ou enjeitadas como eram chamados, “ministrando os primeiros socorros da criação e o desenvolvimento da idade até os 15 anos, quando saiam sabendo as primeiras letras, ler e escrever rudimentarmente.
São levadas a Roda as crianças infelizes, abandonadas, sem nomes e sem família, filhos da miséria ou do crime, que recolhidos, o Asilo a preparava para a sociedade, para viver uma vida digna, nobre e honesto. Os meninos recebem aprendizado de ofício e as meninas com prendas domésticas e, além disso as moças recebem um dote para o casamento e quase sempre são adotadas.É administrado para todos os serviços religiosos. Havia também, crianças enjeitadas recém-nascidas de mães solteiras e que    pertenciam a famílias ricas, chamadas “boa da terra” eram  perfeitamente identificadas pelas roupas e muitas vezes com jóias.Não havia distinção de cor para os serviços da Santa Casa da Misericórdia. Seu lema era a Caridade.
 Hospício para os pobres – São recolhidos das ruas, mulheres e homens doentes e em situações deploráveis. Os membros da confraria impõem-se o piedoso dever de fazer enterrar os pobres, seja qual for a sua origem, ocupando-se também de melhorar a sorte dos presos nas enxovias públicas. Dando muitas vezes alimentos e dependendo dos casos até a defesa do réu. Se foram condenados, acompanhando-o até o lugar da execução, onde o exortam a arrepender-se. Estende-se até o túmulo que sepultam com decência. Comportam-se com o mesmo modo para com as pessoas que morrem na indigência.
Hospício da Santa Casa da Misericórdia – Constituída para atender os doentes indigentes, principalmente os marinheiros desta e de outras regiões. Também existente em todas as Províncias. Foi assentada a aquisição do sitio de Nazareth, para ser fundado o Hospital da Santa Casa da Misericórdia. Sendo o Provedor Inácio da Cunha de Menezes, adquiriu a roça de Antonio Álvares a 19 de maio de 1828 por 15:200$000 contos de réis, sendo 4:000$000 à vista e o restante à prazo.
Em 13 de junho de 1828 – foi colocada a pedra fundamental. Ali foi embutida uma medalha de ouro de 10 centímetros de diâmetros com dizeres para a inauguração. A obra de Nazareth foi crescendo lentamente, com esforço descontinuado que durou mais de meio século. Continuaram as obras com donativos dos homens bons da Bahia, heranças e da concessão da loteria e finalmente inaugurado em 1893.
Cemitérios – Administrado pela Santa Casa em todas as Províncias.
Asilo para alienados – Conjugado com o hospício. Para homens e mulheres, infelizes loucos que viviam soltos pelas ruas. Assistidos por médicos e alimentação. “Infelizmente o local em que eles ficam é de extrema umidade chamada de enxovia.”
 Com esses esclarecimentos narrados pelo padre Gusmão, reverendo da Santa Casa, fiquei sabendo dessa instituição. Essa é a maior instituição pública do Brasil, desde o seu descobrimento. Haja visto que existem as Irmandades que são constituídas pelos irmãos nelas filiadas. São várias Irmandades, cada qual obedece a seu estatuto, criadas por brancos, pretos e mulatos. Não se mistura, cada uma quer ser melhor que a outra, com finalidades sociais de grande importância para as comunidades.
As Irmandades tinham seus objetivos em ajudar seus irmãos menos favorecidos. Principalmente a Irmandade de N.S. do Rosário dos Homens Pretos, já existia no século XVII por escravos da Bahia. Creio ser a mais antiga do país. Muitos escravos foram libertos por essa confraria.”(palavras de De La Salle – comandante da corveta La Bonite durante a sua permanência no Rio de Janeiro, Pernambuco e Bahia nos anos de 1836 a l837 – autor: Cândido de Mello Leitão – págs. 79 a l00 do livro: “Visitantes do Primeiro Império”.)

 Trabalho de pesquisa:         
Álvaro Bento Marques
    SSA, nov. de 2005.
O MOVIMENTADO SISTEMA INTERNO DA SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DURANTE O PERÍODO COLONIAL NOS ANOS DE 1855 A 1856 NA BAHIA.
A Santa Casa cobrava do proprietário do escravo doente no seu Hospital, os serviços prestados, curativos, vestuário e alimentação durante todo o período e na morte do mesmo as despesas de mortalha, bangüê e tumba. Se praticava nesta época a medicina de sanguessunga, banho de aguardente, genebra, conhac para uso interno.
Alimentos para os doentes: Farinha de Trigo (pão), bacalhau, peixe, feijão, chá, farinha de mandioca, toucinho, galinha, carne seca, manteiga, vinho, doce, açúcar, vinagre. Outras despesas; lenha e água. Vestuário; Tecido de algodão grosso para calça e camiseta. Cobertores, barretes (gorros), baetas. E rações para os animais de carga e alimentos para os empregados e escravos do serviço da Santa Casa. Considerado Despesa do mês. Como também rapé (tabaco em pó) sabão, papel, penas de aço (para a escrita), azeite de mamona, velas, alfazema, papeletas guias em impressos e outros artigos para os serviços da expedição.
Na passagem do Coléra morbus em 1855 a 1856 houve muita morte (aterramentos) nos Cemitérios da cidade e no Recôncavo baiano. Mas muitas pessoas ainda queriam sepultar os seus mortos nas Igrejas o que não foi permitido nesta data em diante. Para se ter uma idéia dos números de mortes: “Foram feitos nos Cemitérios no mês de setembro 220 aterramentos de escravos e 24 marinheiros dos navios de guerra nacionais – data 16 de agosto de 1855.(pág. Nº 94 do livro nº 337 “Diário” de todas as transações da Stª Casa em 1855 a 1856)
 A Santa Casa, recebia da Tesouraria Provincial, pagamento do subsídio fornecido pelo Governo, referente as alimentação, curativos, vestuário dos presos da justiça a cargo  dos serviços da Santa Casa que estavam na Casa de Correção e Fortes.
A Santa Casa cobrava do proprietário do escravo preso na Aljube, alimentos variáveis durante todo o tempo de carceragem.
Geralmente o doente ou acidentado vão para o Hospital de Caridade, levando os seus pertences, inclusive o dinheiro que é entregue ao Tesoureiro: “Dinheiro achado nos doentes no Hospital, entregue ao cofre geral do Hospital, referente a dois doentes Manoel Dionísio e José Victor Pereira os quais morreram, valor 6$540 serão para as despesas que tiveram no Hospital.”
Para as crianças expostas (Roda) recém nascido, damos alimentos; acaçás, mandioca para papas, leite e caldo de galinha.Pagamos a uma ama para tomar conta da criança.
“Recebi do africano liberto Antonio de Castro pelo aterramento do cadáver de seu filho Antonio Basílio crioulo, com 8 dias de nascido e falecido do mal de 7 dias”. Nesta época as causas mortes tinham nomes bem estranhos dos nossos dias atuais. Vejamos: morte por dentição, morte de umbigo, morte de dor no peito, morte por constipação cerebral, asfixias e outros.
A Santa Casa da Misericórdia emprestava dinheiro a juros de 5 a 6% ao ano e arrogava terras, fazendas e Engenho de açúcar. Tinha 185 imóveis urbanos  alugados em 1855 e 72 terrenos que se acha nesta cidade e 6 fazendas em Santo Amaro. Já naquela época seu patrimônio era uma fortuna não revelada publicamente.
Recolhimento do Santo Nome de Jesus, inaugurado em 29.06.1716 para mulheres órfãs e necessitadas. Como também para as viúvas e dependentes pobres nesta classe chamada de “visitadas”. “A Santa Casa, paga a 27 mulheres pobres do seu socorro sobre o titulo de visitadas de suas esmolas, relativo ao mês em curso, outubro de 1855.”A Santa Casa pagava pelo “dote” da Recolhida no seu casamento ao marido que era oficialmente conferido em sermão da Mesa de Aprovação, juntamente com o vestido de noiva. No livro A. J. R. Russell Wood. “Fidalgos e Filantropos” A Santa Casa Da Misericórdia da Bahia 1550-1755 págs. 252/265. “O recolhimento se destina primordialmente a jovens de famílias da classe média, de idade casadoura, e cuja honra estivesse ameaçada pela perda do pai ou da mãe, ou ambos. Eram aceitas como “recolhidas” ou reclusas, e ao casar-se recebiam um dote. Havia outros grupos de mulheres; as “procionistas”, viúvas ou solteiras de boa reputação que pagassem seu alojamento e alimentação. O segundo grupo era de mulheres cujos maridos estivesse ausentes da Bahia a negócios e que ficariam no recolhimento durante o afastamento daqueles”. As normas gerais do Recolhimento foram impostas por guardiões: Estipulam a Mesa certas condições: Tinham de ser virtuosas de extração crista-velha e branca, não aceitavam parda. As pretendentes passavam por uma sindicância rigorosa e duravam semanas”.(Fonte: Livro nº 337 “Diário” de todas as Transações da Santa Casa da Misericórdia (livro de receitas) de 1855 a 1856)
Coisa da época: Havia o transporte do defunto rico chamado de “Patrusca”,carro fúnebre movido a tração animal, todo revestido de pano preto até o animal seriam dois pretos com plumagem ornado na cabeça de cor vermelha, carruagem de luxo que pertencia a Santa Casa.
Nesta época já era usado nas Igrejas, Conventos e residências o azeite de mamona com torceiras para  iluminar os lampiões e catiças. A iluminação pública era com o azeite de baleia de custo menor.
O Cólera morbus atingiu todas as classes sociais e principalmente os escravos. A mortandade elevou o número de vítima para mais de 30.000 entre a capital e o recôncavo baiano. Os melhores médicos foram dar socorro e pouco a medicina fez para estancar a epidemia  reinante que durou hum ano. A queda da produção de açúcar, fumo, algodão e outros agrícolas, ficaram abaixo do desejado por falta da mão de obra escrava e novas compras de escravos foram feitas para substituir os mortos. Neste período cresceu muito o tráfego clandestino na Bahia.Como também foi o período que a Santa Casa mais ganhou dinheiro.
"O Cólera morbus é uma doença infecciosa que ataca o intestino dos seres humanos. Na época a medicina desconhecia a causa."
A população escrava eram de nações; Ussá, Tapa, Benguela, Gêge, Angola, Congo, Mina, Caxá, Fulamin, Bornon, Camarões, São Thomé, Bantu, Buzú, Galinha, Moçambique, Benguela, conforme registro no “Livro nº 1.273 Banguê e Tumba dos escravos mortos em 1834 a 1835” da Santa Casa da Misericórdia da Bahia. Neste período morreram muitos escravos Ussás, principalmente no ano de 1835 na revolta dos Malês.
“As moléstia mais predominantes, como sempre foram a tuberculose pulmonar, o reumatismo articular, a varíola, as úlceras sifilisticas, e em geral a syphilis da visão e todas as suas manifestações mórbidas.” (Fonte do Livro de Registro Clínico e Estatistico e Nesologico do Hospital de Caridade da STª Casa da Misericordia 1º de julho de 1871 – assinado pelo médico interno Dr. José Inácio de Oliveira.)
Coisas interessante da época:

O termo empregado Crioulo significa; escravo nascido no Brasil e que falava a língua da terra ou escravo latino. Escravo africano era o escravo vindo da África. Cabra é a mistura da cor negra com branco. Hoje diz Mulato ou Mulata (mestiço)
A palavra Fiel era uma função do empregado da Santa Casa.
Havia a escrita em pena de aves ou pena de metal muito usado nos séculos passados.
Neste século não havia a água canalizada, comprava-se água para beber e uso geral.
O escravo vai para a venda judicial e arrolado no inventário com o preço da alforria será o mesmo da avaliação.
Na morte do escravo o dono dá baixa no seu patrimônio como se fosse uma peça, por exemplo: “Na morte do escravo Cosme de nação Ussá, escravo da Santa Casa de Misericórdia, em serviço no Cemitério do Campo Santo a qual faleceu no dia 10.10.1855 no Hospital da Caridade por efeito do Cholera morbus reinante. Tendo sido comprado em abril de 1850 por 430$000,00 incluso nos bens imóveis da mesma Santa Casa, sendo agora excluído”.(Livro nº337 Diário de Receita e Despesas relativo ao ano de 1855 a 1856, na Bahia.)
“Na Casa da Santa Misericórdia nesta cidade, tem um chafariz que foi construída no pátio no centro, em 1702 sobre ela, acha-se uma bela estátua de mármore branco de Portugal, representando a CARIDADE, a qual foi oferta do irmão Provedor Francisco José Godinho”.(Fonte do Almanaque da Província da Bahia – publicado em 1881).




Pesquisa de Álvaro B. Marques
SSA,30.12.2012.



sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

BICO DE PENA

 Fazendo pesquisa no Arquivo Público do Estado da Bahia, encontre um documento manuscrito de compromisso com data de 1684, original, solicitação ao El- Rei de Portugal D. Manoel para constituir a Irmandade de São Benedito na matriz da Igreja da Conceição da Praia, nesta cidade. Pedido dos devotos. Com muita admiração reparei a beleza da caligrafia em bico de pena, escrita perfeita com arte, precisa de qualidade em cima do papel grosso da época. Feita com instrumento simples e rude na Idade Média. Não há comparação com a escrita do profissional liberal e do estudante de hoje. Penso que perdeu-se o gosto para a escrita à mão pra dar lugar ao computador de memória que os jovens recorrem como sendo o elemento manual. Os tempos mudaram e a perfeição esquecida. A bela da caligrafia não mais existe.Hoje, com o avanço da tecnologia em informática o professor perdeu espaço na sala de aula. O aluno recorre mais ao compuador do que os bons livros de ensino. E assim, perde o educador o incentivo de ensinar o que é uma arte universal. Não sou professor, mas os livros ensinaram-me a ler, escrever, falar e raciocinar no decorrer dos anos. Tenho com os livros amizade inseparável e o computador uma ferramenta da comunicação.

 N.B.: A pena de ave, possivelmente de ganso ou de pássaro grande serviram para a escrita. “molhava o bico da pena no tinteiro e aplicava a caligrafia no papel.”
 “A escrita representa um meio universal de comunicação e caligrafar significa estar atento às regras de beleza e harmonia que governam a forma das letras.”(internet-Net)
Sem a escrita não se forma palavras.

 Pesquisa de Álvaro B. Marques SSA,24.12.2012.

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Álvaro B. Marques